quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Carta Aberta aos fiéis da Paróquia Sant'Ana - Canelinha


Chegamos ao fim de mais um ano civil.
E, na Igreja já iniciamos mais um ano litúrgico com o Advento do Natal.
Neste espírito de encerramento de atividades em vista do período de férias que acontece para a maioria das pessoas, somos chamados a deixar uma pequena mensagem de fé e esperança.
1.    A Paróquia nestes dois últimos anos apresenta crescimento no campo da Evangelização e, podemos citar algumas metas alcançadas: Curso de Noivos realizado nestes dias atrás com uma Equipe formada por pessoas da Comunidade; Curso de Batismo nova modelagem; Implantação da Infância e Adolescência Missionária; Pastoral do Dízimo em praticamente todas as Comunidades; Reuniões diversas em todas as instâncias paroquiais no sentido de formação e organização; Novas pessoas envolvidas na Evangelização; Discipulado Jovem engajados; entre outros grupos/movimentos/pastorais já existentes.
2.    A Colaboração de pessoas, dos Comerciantes e Indústria nas promoções paroquiais, das Comunidades e dos Movimentos e Pastorais. Tanto em doações de prendas e patrocínios, bem como a participação nos eventos em si. São muitos colaboradores efetivos da Paróquia.
3.    A integração das lideranças entre as Comunidades Paroquiais começa a acontecer. Troca de informações e formação.
4.    A participação dos leigos nas Celebrações Dominicais. Aqui temos ajudar na compreensão que Domingo é o Dia do Senhor. Isto é, somos chamados a usar do domingo para nos encontrar na Casa de Deus para orar e fortalecer o Dom da Fé. Abastecer-nos do que Deus deixou de mais sagrado – sua Palavra e seu Corpo e Sangue.
5.    A Catequese de Adultos. Quantas pessoas receberam formação e os Sacramentos. Pessoas que estavam com sede e espaço de participar da vida da Igreja.
6.    A formação dos Conselhos de Pastoral das Comunidades e Paroquial. Continuar o trabalho de aprendizado e formação para um maior enriquecimento de todos.
7.    A integração da Paróquia no Sistema de Pastoral da Diocese. Estar em sintonia com a Arquidiocese para melhor encaminhamento dos processos de Batizados, Casamentos e outros serviços que a Igreja presta junto aos seus fiéis.
8.    A integração Administrativa aos poucos acontecesse. Hoje já se tem uma maior clareza e transparência da Manutenção dos bens da Igreja – Prestação de Contas Mensal. E, a internet – www.paroquiacanelinha.org.br onde qualquer pessoa de qualquer lugar tem acesso.
9.    A Santa Missa transmitida pela Rádio Canelinha FM 98,3 aos sábados e domingos e ainda via internet junto à mesma rádio. Chegamos a diversos lugares que antes não se pensava atingir. É uma graça levarmos a Palavra de Deus às pessoas.
10.     A aquisição de bens duráveis nas Comunidades e na Matriz. A Pastoral do Dízimo aqui fez a diferença nas Comunidades e na Matriz além da Pastoral do Dízimo o envolvimento de mais pessoas nas atividades.
Diante disto e tantas outras graças alcançadas convidamos a todos para louvar e agradecer a Deus e ao mesmo tempo nos fortalecer na Fé, na Esperança e na Caridade neste dias tão significativos para nós católicos que começa com o Espírito Natalino. FELIZ NATAL!

Pe. Marcelo Telles
Canelinha, 12 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Coisas para refletir e rir ao mesmo tempo…


Há certas coisas que faz pensar e ao mesmo se torna cômico.
Estes dias atrás uma catequista chegou perto da Coordenadora e Secretária e disse que não sabia da Inscrição da Catequese e, que nem avisou a sua turma.
Como pode dizer uma coisa desta esta distinta catequista? Pois fora feito Cartazes e colocados nas Escolas, Comércio e Igreja. E, a que ela participa está bem grande no mural da Matriz, como na Secretaria Paroquial ao entrar se enxergava. Além, de ser avisado na Rádio Comunitária. E, avisos paroquiais. Será que esta distinta catequista guarda algo que lhe é falado e ensinado nas reuniões mensais? Com entender uma pessoa assim e, se fosse dito aqui o grau de instrução desta distinta catequista ficaria mais cômico ainda.
Outra pessoa chegou perto da Coordenadora e “soltou o verbo”, porque não foi bem acolhida e uma vergonha não se informa as coisas. Então a Coordenadora disse que estava publicado e, no caso da Comunidade em que ela participaria o Cartaz que fala da Inscrição está pregado pelo lado de fora da Igreja. Isto é, independente de horário de celebração a informação está lá. E, confirmo porque passando na SC 411 e se olhar para a Igreja chama atenção que tem Cartazes pregados na porta da mesma. Então esta senhora teve a coragem de dizer que não participa das celebrações ali e, sim noutra Paróquia.
Bem! A esta senhora e tantos outros assim devemos lembrar que a Catequese da Iniciação Cristã é realizada onde se celebra e vive com os irmãos da fé. Então deveria colocar seu filho/a na Comunidade onde vai participar da missa aos fins de semana. Porque ficará sempre de fora dos assuntos se for a Missa numa e a Catequese noutra. Nunca atenderá ao processo formativo.
E, imagine o pároco desmarcar uma reunião porque uma das lideranças tem um compromisso particular de fim de ano. Diz a liderança: “Bom dia, venho aqui pedir pra você se pode ser possível mudar o dia da reunião com o pessoal (...), eu estava olhando a programação de dezembro se o senhor poderia passar a reunião para outro dia. Dia (da reunião marcada) tenho compromisso com a minha filha na escola...” (tirei data e local, senão ficaria muito à vista). É claro que quando acontece algo que envolve toda a comunidade até se desmarca ou transfere-se para outra data, porém quando mais de que uma pessoa.
Outra disse que não sabia da programação porque não escutava a Rádio Comunitária, porque segundo ela, a rádio é de uma sigla partidária. Ah! Pobreza de alma. Até porque a mesma rádio transmite a Santa Missa, o programa Ave-Maria em que se apresentam os Avisos Paroquiais e não partidários. E, ainda quantas vezes a Rádio se coloca a disposição noutras atividades significativas da fé cristã.
Então diante destas e outras só resta rir e ao mesmo tempo pedir a Deus muita paciência, pois se pessoas que eram para ser esclarecidas e auxiliarem são muitas vezes as que tumultuam só pela graça prosseguir no caminho.
Claro esta cenas aqui trazidas para fazer refletir um pouco da compreensão do que acontece no processo e, como precisamos crescer.
E, ao mesmo tempo ter clareza de que a falta de interesse, de envolver-se e de abrir-se para o outro faz o próprio ser humano ficar isolado e sofrer.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dom João Francisco Salm


Neste dia 24 de novembro deste ano corrente, junto a Igreja Particular de Tubarão, pudemos participar da Ordenação Episcopal do Mons. João Francisco Salm e ao mesmo tempo da tomada de posse da referida Diocese em que exercerá o ministério episcopal.
“Tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas.” (Pequeno Príncipe)
Muitas pessoas conheceram ou tiveram no processo da vida contato com Dom João Francisco Salm. E, certamente cada um tem algo marcante para contar deste homem de Deus, deste homem simples e ao mesmo tempo autodidata, deste homem sabedor de seus limites e desbravador em abrir possibilidades juntos aos seus irmãos e irmãs.
Quando vi Dom João Francisco Salm sentado na Cátedra recordei-me de uma das orientações que fizera com ele, ainda Reitor e Orientador do Seminário. Dizia-me diante de complexos meus pessoais: “Olhe esta foto eu ainda pequeno lá no interior, no bairro Barro Branco, é o mesmo”.
Toda ordenação toca a gente que tem fé e vive dentro deste mistério divino.
Todavia, esta ordenação episcopal fez enxergar que umas pessoas são muito especiais e, trazem em si algo que precisa ser partilhado com seus semelhantes.
Dom João Francisco Salm tem limitações evidentemente, mas se pode afirmar que tem muito mais qualidades e dons a serem partilhados com seus mais próximos e aos que a ele foram confiados pela graça divina. Com certeza, nestes seus sessenta anos de peregrinação amadureceu e lapidou os dons que o próprio Deus depositou em suas mãos para multiplicar no serviço do Reino.
Deus seja louvado por este dom dentro da Igreja de Cristo Jesus.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos visita.


“Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá” (Lc 1,39).
Neste dia 16 de novembro o Vale do Rio Tijucas, nos municípios de Tijucas, Canelinha, São João Batista, Major Gercino e Nova Trento viverão esta realidade – a Mãe vem visitar seus filhos nesta peregrinação da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
“...quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41).
Queremos com esta manifestação de fé junto à Mãe Aparecida deixar o próprio Espírito do Senhor nos encher de seus dons e frutos para sermos testemunhas vivas do Evangelho no dia a dia. Como Isabel ficou repleta do Espírito Santo, assim todo batizado é convidado a fazer esta mesma experiência quando se une em oração e se abre à ação de Deus na alegria de fazer a vontade de Deus.
“Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido!” (Lc 1,45)
Nesta mística de fé se quer convidar a todos a integrar-se nesta Peregrinação da Mãe que vem ao encontro dos seus. Pois este gesto vem mostrar que Deus nunca se esquece dos seus e é Ele próprio que faz o primeiro movimento de encontro – “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15,16).
Que estes momentos de celebração da Fé, seja um renovar o interior dos nossos corações no sentido de ter o mesmo sentimento de Cristo Jesus – “amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou...” (música do Padre Zezinho).
Além do que a Mãe de Deus representa para nós no Plano da Salvação, também a simbologia do que significa Nossa Senhora da Conceição Aparecida no contexto brasileiro é marcante diante das realidades de sofrimento, de angústias, de escravidão do ser humano numa sociedade que busca crescer nos valores e no respeito a si próprio e viver na dignidade de cidadão do infinito.
Vivamos este momento com muito entusiasmo, carinho e abertura de alma e com Maria Santíssima possamos louvar a Deus através das suas palavras que se encontra na Sagrada Escritura:
A minha alma engrandece ao Senhor *
47 e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador;
48 pois ele viu a pequenez de sua serva, *
desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49 O Poderoso fez por mim maravilhas *
e Santo é o seu nome!
50 Seu amor, de geração em geração, *
chega a todos que o respeitam;
51 demonstrou o poder de seu braço, *
dispersou os orgulhosos;
52 derrubou os poderosos de seus tronos *
e os humildes exaltou;
53 saciou de bens os famintos, *
e despediu, sem nada, os ricos.
54 Acolheu Israel, seu servidor, *
fiel ao seu amor,
55 como havia prometido aos nossos pais, *
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O que posso fazer?


Nas quartas-feiras, geralmente os padres atendem às pessoas que vêem buscar informações ou tentar conseguir alguma exceção relacionada aos Sacramentos da Iniciação da Vida Cristã.
Muitas destas pessoas não frequentam as Celebrações Dominicais, não tem costume de participar da Missa e nem de nenhum tipo de Novena ou Grupo da Igreja, que acontece nas ruas dos bairros. E, no entanto, quando se tornam pais ficam desorientados por que querem batizar o seu filho na Igreja Católica. E, para muitos deles que não tem o hábito de participar como membro da Igreja vem à questão – O que tenho que fazer?
E, quando o secretário diz o que precisa para a realização do Sacramento e, por não terem tais cursos ou vivem um vida “meio enrolada” (juntos, amasiados e outros) apelam para conversar com o padre na certeza de que vão conseguir.
E, quando o padre explica e orienta para que então participem da Catequese de Adulto, quando o caso apresentado é permitido; o padre orienta e diz que não tem como fazer exceção, pois a vida cristã é um processo, uma caminhada, alguns ficam revoltados e usam da afirmativa – “Ah! Por isto que a Igreja perde fiel.”
Chegam para o padre e perguntam o que o padre pode fazer por eles?
Todavia, a pergunta deveria ser ao contrário – O que nós temos que fazer? O que eu como pai ou mãe preciso entender do significado de SER BATIZADO E RECEBER OS DEMAIS SACRAMENTOS DA VIDA CRISTÃ?
Certa vez, Jesus fez a seguinte afirmação para as pessoas que o escutavam: “Por causa da dureza dos vossos corações ele escreveu para vós esse mandamento. Mas desde o princípio da criação ele os fez homem e mulher. Por isso o homem deixará o seu pai e sua mãe, e os dois serão uma só carne.” (Mc 10,5-7)
Então as pessoas em vez de sair dizendo: “É culpa do padre porque meu filho não é batizado, ou não recebeu a Eucaristia ou Crisma!” Devem ser sinceras consigo mesmo e se perguntar – Compreendo o que significa ser CRISTÃO? Membro da Igreja de Cristo?
E se perguntar – Como está o meu processo na Vida de Fé?
Batizar por batizar, não muda nada, pois a criança precisa do testemunho maduro dos pais, familiares e padrinhos.
A fé é um dom de Deus que precisa ser cultivado e cuidado como uma planta que se tem no jardim. A fé isolada morre, não sobrevive por isto ser membro da Igreja de Jesus. Por isto, rezar em comunidade, por isto praticar a caridade aos semelhantes.
Os pais ou responsáveis querem o Sacramento da Iniciação da Vida Cristã para que?
O que entendem por tais sacramentos?
Alguns afirmam – “Ah! padre é tradição...”
Hoje em dia não basta ser tradição, é preciso saber as razões de viver sua fé.
Pois, o filho vai querer saber mais tarde porque foi batizado na Igreja Católica. E, esta resposta não será suficiente para ele querer viver na Igreja – “Ah! Filho é tradição...”
Os seus filhos querem testemunho, vivência, comprometimento.
Outra questão que está por detrás é que muitos não estão preparados para o compromisso de ser Pai ou Mãe. Acabam sendo, por que a moça engravidou, porque “bobearam” enquanto namoravam.
A tradição deixou uma lacuna grande – a falta de convicção, a falta de uma fé madura, com raízes profundas. Já Pedro, o Apóstolo dizia que se fazia necessário se ter razões em crer em Jesus (cf. 1Pe 1,6-9). Também o Paulo de Tarso, fala da importância de se ter conhecimento do que significa viver na graça de batizados em Cristo Jesus (cf. Rm 6,1-7).
João Paulo II chama atenção nos seus documentos – a fé exige um processo de amadurecimento para o crente viver no testemunho esta mesma fé (cf. CATECHESI TRADENDAE, n° 68).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A morte – certeza de todos…


Se quiseres podes suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”. (S. Freud)

Sempre em Finados as pessoas na sua maioria param para diante de uma prece relembrar seus antepassados – familiares, amigos, pessoas que fizeram história em algum momento no percurso da vida. Aqueles que têm fé na ressurreição ou outros que professam outro credo buscam nos Templos participar dos ritos religiosos no sentido de confortar seu espírito interior e ao mesmo tempo refletir o que significa a Vida e a Morte.
A morte num bom sentido nos cria um impulso para dar valor à vida.
A questão é se nos tempos de hoje às pessoas realmente param para refletir e conversar sobre a Morte, sobre o sentido de viver ou, ao contrário, fogem destas prosas, pois tem medo de encarar a realidade que questiona o mais profundo de cada ser humano e exige de cada um resposta a altura.
E, assim se iludem com passeios, turismos – por se tornar um feriadão na maioria das vezes – e, nem querem saber de pensar no seu morrer.
Uma mentalidade do aproveitar e gozar o tempo presente; um pensar de que se faz enquanto está vivo e se morrer, paciência; um imediatismo e pragmatismo; uma inércia aos sofrimentos e percas; uma insensibilidade para com o semelhante – “o problema é dele”; e tantas outras atitudes que revelam uma mentalidade que se propaga no cotidiano.
Dentro destas concepções os cristãos são chamados a testemunhar que este dia de Finados é sim um dia para orar pelos entes falecidos, mas também engrandecesse com a percepção de que a alegria eterna é que provoca o querer estar preparado para morrer. E, estar preparado é assumir a realidade humana com abertura para o divino que nos dá este grande presente de desde batizados nos tornamos membros da família de Deus (cf. CIC 1265).
Finados é o dia para o cristão olhar com serenidade e professar sua fé na ressurreição – “Eu sou a ressurreição. Quem crê e mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês isto?” (Jo 11,25-26)
É também um dia para reencontrar ao redor dos túmulos os familiares que há muito tempo não tem visto mais, de reencontrar os amigos que cresceram juntos, de reencontrar alguém que marcou tanto a vida e, por causa, das andanças tinha perdido o contato e, a ausência é forte porque era um grande amigo.
É também um dia para as famílias se aproximarem, se olharem e se fortalecerem. E, se porventura houver alguma mágoa, algo a ser perdoado é um tempo propício para este exercício. Porque outra grande certeza que a morte provoca – O que se leva desta vida? Ou, o que se quer deixar de marca quando a morte chegar?
“Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento.” (Jo 5,29)
Tem uma expressão muito bonita na liturgia da Igreja no Prefácio dos defuntos que expressa bem a esperança do cristão perante a morte: “Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (cf. CIC 1012).
E, Santa Teresinha do Menino Jesus diz – “Eu não morro, entro na vida”.
Finados seja um dia de oração e reflexão, de quanto andas pelo caminho da vida; seja um dia de prosa para o engrandecimento pessoal e comunitário, para ao se voltar aos afazeres do cotidiano, ter convicções profundas e testemunhar que a morte pode ser chamada como irmã, como dizia São Francisco de Assis, isto é, esta realidade que lança o ser humano a querer viver com maior nobreza e dignidade junto aos seus.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fé e Inteligência


“Eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer”. (Santo Agostinho)

Já diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC) que o crente deseja aprofundar as razões de sua crença, conhecer para melhor crer (cf. CIC 157, 158). Na Carta aos Efésios, São Paulo escreve: “Que ele ilumine os olhos dos vossos corações, para saberdes qual é a esperança que o seu chamado encerra, qual é a riqueza da glória da sua herança entre os santos e qual é a extraordinária grandeza do seu poder para nós, os que cremos, conforme a ação do seu poder eficaz” (Ef 1,18-19).
Algumas pessoas ficam em dúvida entre Fé e a Inteligência, isto é, se crer então quer dizer que não posso aprofundar o conhecimento em Deus? Então é pecado querer conhecer a Revelação?
Podemos afirmar a partir da Sagrada Escritura (cf. Gl 3,23-29; Rm 6,14-15) e da Tradição – “Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça” (Santo Tomás de Aquino) – ou seja, a própria inteligência humana ao investigar a Palavra de Deus com intuito de perceber a manifestação divina, com certeza chegará à graça de afirmar sua crença n’Aquele que tudo é – “Assim dirás aos israelitas: EU SOU me enviou até vós” (Ex 3,14).
Dentro desta visão é proposto que o Ano da Fé seja um tempo em que não só as pessoas participem da Liturgia, como Celebrações da Palavra, Santa Missa e outros encontros de oração; contudo, também busquem grupos de estudo da Palavra de Deus e do Catecismo.
Tem-se que romper uma grande barreira. E, pode-se comparar com aquela questão que se criou relacionada ao Dicionário. Usa-se erroneamente a expressão: “Dicionário é o pai dos burros”. E, com isto cria uma idéia falsa. Pois na verdade o estudioso é que busca o Dicionário para clarear os significados das palavras para ter uma linguagem mais aprimorada e ao mesmo tempo ter o domínio da língua. Assim, também há uma mentalidade de que por que já se freqüentou uma Catequese de Iniciação Cristã já é o suficiente e, muitos cristãos acabam rasos na fé.
Seja um cristão conhecedor das razões de sua fé (cf. 1Pe 3,15), se discipline a leitura da Palavra de Deus e do Catecismo ou de algum escritor no âmbito religioso que reflete e aprofunda os conhecimentos relacionados à fé.
Às vezes se fica admirado por uma pessoa ter domínio num determinado assunto, se afirma que ele é um especialista naquele assunto. O cristão é chamado a também ter conhecimento sobre a fé que professa, mas para isto este mesmo cristão precisa esforçar-se e deparar-se com espaços na sua vida cotidiana da leitura dos textos sagrados e da doutrina da Igreja Católica.
Aproveite este impulso que a Igreja promove.
Como mesmo diz o Concílio Vaticano II, o Espírito Santo é que conduz a Igreja e cabe aos membros estar sensíveis à voz do Espírito que fala aos homens e mulheres abertos à ação divina.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Juventude e mudanças


“Em cada época há necessidade de adequar as concepções e as práticas de evangelização para se relacionar com os jovens. Se a Igreja apresentou uma proposta que se tornou predominante, não significa que todos os jovens tenham aderido a ela. Aprendamos com as conquistas e os erros passados. Nem tudo muda de uma época para a outra. Mudam, às vezes, os enfoques, o ponto de partida, alguns elementos da metodologia, sendo que outros permanecem. (CNBB, Evangelização da Juventude, n. 50)

De vez em quando há debates sobre a presença do jovem na Igreja; uns apresentam sinais de preocupação, de “pessimismo”; outros falam das novas formas que estes se organizam e se faz presente na vida da Comunidade Cristã, uma visão otimista.
A partir da experiência que estou a viver com os jovens aqui na Paróquia Sant’Ana, município de Canelinha, na Arquidiocese de Florianópolis, partilho algumas observações.
A primeira é que desde que surgiu o Discipulado Jovem, posso dizer que existe aqueles que se tornaram discípulos, isto é, são os que pensam, organizam e motivam aos outros a participar de uma atividade, de um evento. E, estes discípulos têm compromissos com a Igreja através da participação na missa, sua oração pessoal, dias de Espiritualidade em grupo e convivência para o fortalecimento da fé e do comprometimento com Jesus Cristo.
Depois tem os que se reúnem com estes discípulos em certos momentos, quando há uma atividade, um evento – que eles mesmos já pensaram e se organizaram. E, se antes os jovens se reunião na sala para debater como fazer, como organizar os detalhes e tais, hoje se tem a “internet”, as redes sociais, onde se interligam e ali mesmo se conversam e já propõem sua parcela de contribuição para que a tal atividade, o tal evento aconteça. Se antes estávamos acostumados a ver os jovens reunidos num determinado dia da semana, para orar e ao mesmo tempo debater e organizar ações junto a Comunidade. Hoje é bem mais rápida e ágil esta parte de organizar via tecnologia digital.
Isto não quer dizer que eles não se encontrem. Pelo contrário, o fato é que quando se encontram já está de alguma forma determinado o que vão fazer, qual o objetivo de estarem ali já está definido. Poderá é claro deste encontro também surgir outra ideia, outra ação a ser feita. E, assim acontece no cotidiano.
Isto não quer dizer que não participem da Missa Dominical. Pelo contrário, só que há uma liberdade maior, pois como o jovem de hoje tem condução (carro, moto) ou até maior facilidade junto aos amigos (alguém que tenha veículo) então se organizam também ou de participar na Celebração junto a sua própria Comunidade de Fé, ou aproveitam para passear e participam da Missa lá na Igreja desta cidade que estão passeando.
Outro fato curioso é que com as redes sociais eles leem e participam de debates ligados à religião, muitas vezes provocados por blogs ou outros que colocam temas ou textos relacionados à fé. E, uma das coisas que se observa também são pequenos slides ou mensagens que passam de um para o outro via redes sociais. Mesmo que seja uma “catequese gota a gota” ou “diluída” é fato o que está visível nas redes.
Todavia, não se perdeu completamente o sentido da responsabilidade social. Só que as ações de solidariedade são mais “instantâneas”, ou seja, sabe-se de uma necessidade, então se organiza a ação e se põem em prática.
Não se quer dizer que não se encontram em grupo, que não tenham o momento de estar juntos. O que se quer dizer que a metodologia é diversificada e tem a influência da época digital que se vive.
Sempre teremos os jovens da “massa” e os mais “discípulos-comprometidos”.
E há ambos precisamos sempre Evangelizar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Viver o Ano da Fé


“Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (Papa Bento XVI,Carta Porta Fidei, 01).
Com estas palavras motivamos às pessoas de boa vontade e de fé trilharem este ano que se iniciou na perspectiva de aprofundar seu encontro pessoal com Cristo Jesus.
E, Cristo quer continuar a se manifestar como o Enviado do Pai, aquele que se autodenomina “o Caminho, a Verdade e a Vida” (cf. Jo 14,6).
Diz o Catecismo da Igreja Católica que a oração nos facilita este encontro com Cristo – “A maravilha da oração se revela justamente aí, à beira dos poços aonde vamos procurar nossa água; é aí que Cristo vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos procurar, e é Ele que pede de beber. Jesus tem sede, seu pedido vem das profundezas do Deus que nos deseja. A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede que nós tenhamos sede dele” (CIC 2560).
Ao se deparar com estas afirmativas se percebe uma riqueza enorme do que significa o Encontro com Cristo na vida do ser humano. Pois o próprio Deus anseia por este encontro. E o retrato mais significativo deste Deus que anseia o encontro com o ser humano está relatado na passagem do Filho Pródigo (cf. Lc 15,11-32) onde o Pai (Deus) demonstra tanto a sua ansiedade na expectativa do reencontro com seu filho perdido, bem como a alegria deste encontro em que só poderia ser selado com uma grande festa – sentimento da alegria exposto a todos que convivem com Ele.
O Deus expresso nesta passagem é um Deus misericordioso e alegre.
Sabe-se que Deus é justo, mas Ele anseia muito mais pela descoberta que os seus filhos e filhas fazem deste “Encontro Profundo com Ele” do que julgar com severidade. Pois quando seus filhos e filhas em Cristo descobrem o Deus de amor, de misericórdia; começam a trilhar um caminho diferente do que vinham a viver e, assim suas ações serão enriquecedoras no sentido de que a graça divina se manifesta mais do que as falhas humanas.
Este Ano da Fé proposto pelo Papa é para os que já se encontram neste Encontro com Cristo um chamado para renovar o entusiasmo a exemplo dos próprios discípulos. E aqui vale lembrar a passagem dos Discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35). Estes dois estavam desorientados e desmotivados a viver os Ensinamentos de Cristo; seus sentidos não lhe indicavam esperança, o espírito estava abatido e sem luz ao ponto de se sentirem na escuridão. Todavia o reencontro com o Mestre aos poucos lhes aquecera o coração (espírito) – “Não nos ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32) E completou-se a manifestação do Cristo quando ao sentarem à mesa para cear (cf. Lc 24,30). E tamanha fora a euforia causado nos discípulos que voltaram imediatamente para relatar ao grupo dos seguidores o que acontecera (cf. Lc 24,33-35).
Este Cristo espera este encontro íntimo em que provoca uma reviravolta na vida de cada pessoa. É evidente que para cada um ele tem uma forma toda especial de falar ao coração. Por isso, a partir desta reflexão feita acima sugerimos que você descubra numa das passagens em que as pessoas se encontraram com Cristo, você possa se identificar e a partir dali seguir os passos daquele que é a manifestação do Amor de Deus por excelência – Jesus Cristo. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As Orquídeas


Estávamos num ambiente onde havia algumas Orquídeas e, então surgiu à conversa tendo as mesmas como tema. Uns queriam saber como cuidar delas com intuito de ver a florescer, outros ficaram admirados pela beleza dos exemplares, os detalhes das flores.
As Orquídeas são uma espécie de flores que chama atenção das pessoas, raríssimas pessoas não se importam com a beleza, a forma ou perfume que as mesmas apresentam. No entanto, é um aprendizado constante cuidar de exemplares de Orquídeas para que depois de um determinado tempo se tenha a alegria de ver o resultado nas formas e desabrochar das flores com suas mais variadas cores, formas e perfumes.
Ao mesmo tempo é simples, mas requer dedicação cuidar das Orquídeas.
Assim, como estas plantas bem como outras espécies requerem cuidados e apreço, assim se aprende que na relação humana também se deseja ver um desabrochar na forma, na beleza e no aroma agradável, se faz necessário muita dedicação.
Hoje quando se fala em namoro, em conhecer a pessoa, nem sempre se dá o devido tempo para que ambas as partes realmente se conheçam e, depois de irem morar juntos começam a perceber que não se conheciam suficiente e o que deveria ser nobre se torna uma decepção.
Na vida humana hoje diante da louca corrida do mundo moderno em que se querem tudo no tempo real, em que a tecnologia promete fazer e dar o resulto imediato, corresse o risco de achar que a beleza que brota da vida no compasso da normalidade do ciclo natural é fácil de ser copiada, deletada ou transformada como o “eu” quer.
Até se pode fazer uma Orquídea artificial, imitar a natural. Todavia, o exercício de cultivá-la, da expectativa de ver desabrochar as flores, de observar cada uma e no conjunto da sua beleza que se manifesta a quem tem a paciência de enamorá-la, com certeza terão alegria de aprender com o ciclo da vida e, tem um “sabor” diferenciado do que ver algo ali posto artificialmente, sem vida, só uma imitação que não exala a magia da vida.
A questão é que a modernidade sofre da frieza de achar que tudo é industrializado, tudo é possível copiar, tudo é possível fazer em menos tempo e, assim se implanta uma ideologia de não se viver o ciclo vital, o ciclo natural e quando se depara com alguma realidade em que não consegue interferir – poder de manipular – entra em conflito e em muitos casos fica perplexo e não consegue lidar com o desconhecido e fica desorientado.
Por isto, cultivar uma Orquídea poderá ajudar à pessoa a permanecer, nem que seja, por poucos momentos, dentro do ciclo natural e aprender a lidar com o tempo e contratempos. Saber admirar o belo que se expressa nas formas, nas diversidades, nos aromas da vida.
O fato de apenas passar na floricultura, comprar uma Orquídea para embelezar um ambiente e, depois descartá-la quando perde as flores, não é a mesma coisa que acompanhá-la no renovar e presentear aos seus admiradores com sua beleza sem em par.
Precisa-se ter presente que o que parece ser tão simples – vou lá compro uso e depois jogo fora – na realidade é uma mentalidade que lhe afeta sem perceber naquilo que lhe é necessário, as relações humanas, seja de amizade, familiar ou amorosa.
A natureza tem o que ensinar.
Basta parar para observar e conviver.
Um exemplar de Orquídea poderá fazer uma diferença na sua vida.
Pode parecer engraçado e um pensamento muito simples, mas se você se der o direito de fazer este exercício verá que depois de um ano, dois anos, você será outra pessoa.
Cuide-se para não achar que tudo é descartável!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O Ano da Fé


O Papa Bento XVI a partir desde dia 11 de outubro lança um projeto para toda a Igreja – O Ano da Fé. Deixa evidente na sua Carta Porta Fidei a preocupação de não deixar morrer o que o Espírito do Senhor já vem há muito tempo pedindo dos batizados – Evangelizar com novo ardor e métodos – e, para isto os batizados precisam também estar continuamente em processo de amadurecimento da fé a partir da vivência na Comunidade Cristã, na oração e na partilha (At 2,42-47). Duas motivações e ao mesmo tempo baluartes importantes para os seguidores de Jesus junto a sua Igreja – o Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica.
Dentro do pensar de como agir de forma mais digna de festejar as datas de aniversário destes dois grandes baluartes da fé enquanto Igreja de Cristo Jesus, seria a de se debruçar no estudo e na interiorização dos mesmos na vida de cada fiel.
Para isto, se propõe que em grupos, nos espaços das Comunidades Paroquiais, nas Pastorais, nos Movimentos se busque aprofundar o conhecimento do sentido de se vivenciar o dom da Fé que leva a pratica da Caridade Cristã. “A fé é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós” (Carta Porta Fidei, conclusão).
A própria CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já apresenta no site de suas publicações – www.edicoescnbb.org.br, pequenos livretes de bolso que vem explanar numa linguagem acessível e ao mesmo tempo reflexiva para todos os fiéis, independente de se ter um teólogo ao lado para clarear dúvidas. Pois o Magistério tem a preocupação de facilitar o entendimento dos Documentos do Concílio Vaticano II para que assim o Povo de Deus seja maduro na fé e assim dê constante seu SIM ao Projeto de Deus. Da mesma forma em relação ao Catecismo da Igreja Católica para os iniciantes ou para uma maior compreensão existem pelas Editoras Católicas (Loyola, Vozes, Paulinas, Paulus e Santuário) diversos materiais didáticos e de fácil acesso para quem as pessoas possam aprofundar seus conhecimentos e assim viver um intenso processo de amadurecimento da fé.
Todavia, o Papa Bento XVI motiva e pede porque sabe da urgência de o cristão católico saber qual sua Identidade Cristã diante de uma pluralidade de seitas e de idéias nem sempre condizentes com o Evangelho de Jesus Cristo. Mas cada um de nós dentro de nossos grupos, pastorais, movimentos somos chamados a nos mover e olhar para fora e se perguntar o que podemos fazer?!
Não basta ficar apenas na análise de que é preciso fazer algo.
Chegou a hora de se ter coragem de sair do comodismo, da indiferença, daquelas falas: “sempre foi assim...”; “não adianta fazer nada...”
Chegou o tempo da graça de se debruçar e, ao mesmo tempo, que se olha para dentro de si e perguntar o que realmente conheço da Doutrina da Fé que busco praticar, ter a determinação de embarcar neste projeto apresentado pela Igreja de Cristo e se dispor a dar um passo a mais no sentido de revitalizar o dom da Fé em vista de uma vivência mais entusiasta por aquele que a nós é dado pela graça divina – o próprio Filho de Deus que é o Salvador e Redentor da humanidade.
Busque se informar na Comunidade Cristã, na Pastoral, Movimento ou grupo, na Paróquia, o que se vai fazer neste Ano da Fé e, o que você como fiel está disposto junto a desenvolver para melhor compreensão do que significa ser um Discípulo Missionário de Jesus Cristo.
“Já no termo da sua vida, o apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que ‘procure a fé’(cf. 2Tm 2,22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2Tm 3,15). Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé. (...) Que ‘a Palavra do Senhor avance e seja glorificada’ (2Ts 3,1)! 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Algumas passam, outras ficam…


A vida do ser humano é um eterno projetar, sonhar o dia de amanhã.
Cada dia que amanhece o ser humano percebe o quanto tem ainda para realizar, o quanto tem para desbravar, o quanto pode ainda viver.
E neste viver ele espera encontrar a felicidade.
Dizem os estudiosos que quando a criança grava uma experiência primeira de algo que lhe dá satisfação, passa este mesmo ser no desenvolver de sua existência buscando encontrar novamente esta mesma sensação. E, às vezes há momentos que chegam perto, mas ainda não é aquela que experiência primeira que teve.
Diz um filósofo que o ser humano é um ser insaciável.
Ao conhecer a história de vida de Santo Agostinho se pode dizer que ele deixa evidente esta busca evidente que o ser humano tem. E, se envereda por vários caminhos até chegar ao caminho que lhe traz uma paz inquietante ao ponto de se perguntar e deixar relatado – “Porque te amei tanto tarde assim, oh Beleza Eterna!”
Interessante é que no percurso da vida existem coisas que passam e outras ficam.
Há amizades que a gente faz e no percurso da vida, por mais distantes que se possa esta, quando se reencontra é como se não tivesse tido um determinado tempo da ausência.
Há outras amizades que se faz, mas depois com o tempo se perde e não se sente falta e nem mesmo quando se reencontra surge aquele aquecer do interior por estar junto alguém que viveu momentos da vida compartilhada.
Há lugares que se esteve e quando se volta à vontade é de não ir mais embora. No entanto, já há outros que até se volta, mas se não se voltar mais, não faz praticamente nenhuma diferença para se viver.
Então se poderia dizer que há em alguns momentos do desdobrar da vida momentos em que se aproxima da felicidade, todavia, como o ser humano é insaciável, não percebe ou não valoriza aquele determinado momento real ou mais próximo do real de ser feliz?!
Esta inquietação faz refletir que quando se perde é que se valoriza?!
Quando se está distante é que se vê que esta ausência machuca a alma?!
Contudo, quando se está na intensidade da vivência de tal instante, muitas das vezes e na maioria das vezes se joga fora, como se mais a frente se encontrará um momento mais revelador da felicidade. Será?
 A tecnologia junto ao mundo do consumismo será que conseguiram invadir tanto o interior do ser humano ao ponto de deixá-lo cego em seus sentidos mais profundos, ou estes sentidos estão adormecidos para a real felicidade?
Fato que algumas coisas passam e outras ficam. E estas que ficam são marcadas pela felicidade ou encheram o interior do ser humano de outros sentimentos que desnorteia o ser humano ao ponto de não ter espaço para o preenchimento com o que não passa – o Eterno.

sábado, 11 de agosto de 2012

Um dia na chácara com o vovô

A casa do vovô era minha casa.
Quando ainda bem pequeno ia praticamente todos os dias para a casa do vovô.
De manhã, às vezes, acompanhava a vovó na escola, pois ela era professora das séries de alfabetização. E, à tarde, depois de tirar um cochilo, ia andar com o vovô na chácara.
Vovô gostava muito de plantar e ver as plantas crescer.
Ele tinha um pequeno pomar – havia caju, goiaba, jabuticaba, banana, laranja, vergamota, limão e até algumas que não se sabia o nome, como uma frutinha que era cabeluda, casca amarela, bem amarela tinha estar para então apertá-la e comer uma polpa branca que ficava em volta da semente. Chamávamos de “fruta cabeluda ou baguinha cabeluda”. Porque tinha pelo lado de fora tipo uma penugem.
Depois se continuássemos a caminhar saíamos da chácara e íamos para o outro lado da cerca farpada que estava a plantação. Terra boa dizia o vovô.
Recordo-me que num dia qualquer cheguei à casa do vovô e perguntei: Onde o vovô está?
Vovó prontamente respondeu: Está lá atrás fazendo coisas. Está ajeitando a cerca...
Nem escutei direito e corri em direção dele sem parar.
Passei pela chácara e não o vi.
Fui mais à frente e o vi perto da cerca que era divisa entre seus plantios e terreno que era apenas pasto. Então gritei: Vovô, Vovô....
Ele estava de costas para mim que chegava e cavava um buraco para colocar um moirão.
Eu por minha vez não vi que ele já tinha esticado um dos fios da cerca de arame.
Passei direto e quando vi já tinha pulado pela cerca e cortado os lábios.
O Vovô ficou assustado porque ao escutar passos já estava em posição de defesa com sua inchada e, quando viu que era eu, o seu neto, parou e gritou: O menino sapeca! Assustou o Vô.
O Vô Antônio então enxergou que seu neto tava no chão e sangue aparecia.
Imediatamente o pegou no colo e foi em direção de sua casa, gritando pela vovó Matilde.
Dizia o Vovô: Matilde, Matilde, matei o menino... E de seu rosto corria lágrimas.
A Vovó ao ouvir veio em direção deles e já perguntava: O que aconteceu?
Ao se aproximarem da casa, o Vovô levou o menino no paiol. Ali tinha um tanque com água, então lavavam o rosto do menino pra ver o que acontecia de verdade.
E viram que era apenas um pequenino corte no lábio inferior da boca do seu neto.
Aos poucos estancou o sangue.
Vovô ficou mais calmo...
Hoje foi um dia daqueles, de nunca se esquecer dizia o Vovô. Tomei um susto.
Ô menino, dizia o Vovô, nunca chega assim dando um susto. Pois quando a gente está concentrado, pode pensar que seja outra coisa e sem querer poderia ter feito um algo pior, dizia o Vovô ao neto.
Hoje o neto lembra-se deste acontecido cada vez que ao esticar os lábios e vê a marca no lábio inferior – o pequeno corte – então pensa: "como era bom estar com o Vovô".

Semana da Família – Dia do Pai

Que nenhuma família comece em qualquer de repente...”

Sempre que fala de família surgem diversas teorias, comentários e hoje na contemporaneidade mais do que nunca há grandes debates. E, entre tantos está a pergunta – a família está falida?
Esta frase da música do Pe. Zezinho faz lembrar que este começo é fundamental para o desenrolar da família no transcurso do tempo.
Muitas famílias começaram meio fora da concepção da “normalidade”, no entanto, sobreviveram porque tinham consigo elementos fundamentais para germinar a família, tinham consigo valores como amor, respeito, carinho, garra, determinação, coragem, alteridade, fé. É evidente que há um segredo por detrás de cada família hoje existente.
Os que olham de fora analisam e tentam dar razões a partir de suas percepções e conteúdo nem sempre conseguem ir ao mais fundo da razão profunda daqueles que vivem ali a sua família.
A família se enriquece a medida que seus membros descobrem entre si o que significa ser sangue do mesmo sangue, o que significa amar o ninho de onde surgiu.
Quando este tema vem à tona lembro-me da minha família.
E, quem quando escuta a palavra família não se lembra da sua?!
Lembro dos pais, das superações, das marcas fincadas pelo tempo, dos valores redescobertos e fortalecidos no laço familiar, do que se torna supérfluo e o que é essencial na vida de cada um no sentido da complementaridade para com o todo do ser família.
E dentro ser família o Pai é um ser significativo, pois quando há um relacionamento franco, aberto, direto os filhos e a própria mulher que é mãe; todos só têm a ganhar.
Os antigos diziam que um homem só vai pra frente se tiver uma boa esposa e isto também está na Bíblia dito. Todavia, uma família que tem um pai amável, honroso, acessível, acolhedor, corajoso, temente a Deus com certeza esta família superará todas as tormentas da vida.
Talvez nos debates atuais sobre a família o que se exaltou é a figura do pai dentro da família que não é apenas de prover o sustento financeiro, mas ser uma presença viva e atuante com a mãe e demais membros no âmbito familiar. Talvez também se superou uma figura de pai apenas severo e distante dos filhos. Talvez se descobriu que não se perde a virilidade sendo um pai amável, próximo dos filhos e do ambiente familiar.
O Pai tem seu espaço e sua importância no âmbito familiar.
E este espaço e importância se farão sempre mais presente se aquele que é revestido deste caráter constrói a cada dia a relação com os seus na perspectiva da felicidade familiar.


“Abençoa Senhor as famílias amém.

                       Abençoa Senhor a minha também.”

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

No volante do carro

Nestes dias peguei no volante do carro e fui em direção a um longo caminho para chegar num lugar maravilhoso, onde há natureza, silêncio e um propício ambiente de oração.
Como estava sozinho neste percurso e o carro não tinha nada para me distrair, como uma música, acabou que depois de um tempo era apenas eu e meus pensamentos junto com meu Deus.
Claro que havia gente na estrada, claro que havia outros veículos no percurso, é claro que havia lugarejos pela beira da estrada. Todavia, nenhum deles sabia de onde eu vinha e para onde eu iria; cada um deles também vivia a sua própria vida sem interferência direta a deles sobre a minha.
Com o passar dos minutos, da quilometragem a ser deixado para trás e outras ainda a serem rodadas começou a surgir os pensamentos que brotam do interior do ser humano. E, como o caminho era longo, teve tempo de rever conceitos, de se perguntar sobre vários assuntos.
Diria que só em fazer este grande percurso já é um aprendizado.
Tem que se aprender a lutar consigo mesmo, a não desistir pela metade do caminho. E olha que a tentação era grande.
Aqui vem a motivação, as buscas que estão latentes, o porquê de ir à busca do local programado a se chegar; enfim, os conflitos do querer ir mais além e aqueles de tentar a fazer permanecer onde se encontra. Isto, se perguntar também a um atleta ele vai dizer que é preciso determinação.
No volante do carro sozinho a gente não só faz uma viagem de quilometragens do próprio percurso previsto, mas se faz uma viagem de quilometragens do interior da vida na sua interioridade.
Ao mesmo tempo em que se pode observar as belezas da natureza às margens da rodovia; ao mesmo tempo em que se pode olhar cada novidade que desponta ao chegar perto de uma cidade; ao mesmo tempo em que se pode perceber as diferenças que existem de um lugar para o outro; também se começa a perceber e notar o que cada um a partir de mim pode mostrar de belo, de criativo, de diferente e que me enriquece e ao ser partilhado também enaltece o outro que comigo convive.
Estar no volante do carro não é só dirigir o veículo para seguir na rota certa, com segurança, obedecer às placas de sinalização, ter certo “domínio” do veículo para fazer defesas necessárias e poder dizer – cheguei! Estar no volante do carro por longo percurso faz a gente refletir que também se precisa saber dirigir a vida. E, está tem percursos nem sempre conhecidos, nem sempre seguros, nem sempre desejáveis a se passar. Contudo, como será bom dizer – cheguei!
Estar no volante do carro também pode ser um retirar-se.
Pois ao estar sozinho, sem ninguém ao lado e ter a frente muitas quilometragens a serem percorridas, pode ter certeza que o silêncio vem e você será testado por você mesmo – qual percurso seguir?! Parar ou continuar?!
Pode ser um momento único para traçar metas pessoais, para projetar o que é de suma importância adquirir neste rodar a quilometragem da vida.
Estar no volante do carro sozinho...
Na real você está acompanhado de seus pensamentos, de suas inquietações, de suas buscas, de suas derrotas, de seus medos, de suas esperanças, de seus conflitos...
Quando você percebe o carro está cheio de passageiros.