terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Espírito Natalino

Últimos dias de preparação!
Últimas horas para a tão esperada Festa de Natal!
Ao se andar pelas ruas das cidades e pelas calçadas e calçadões se percebe a tamanha agitação das pessoas de um lado para o outro. Seja daqueles que querem aproveitar a ocasião para vender um pouco mais, seja daqueles que consomem as mais diversificadas mercadorias que se transformam em presentes de Natal.
Contudo, diante desta loucura desenfreada de um ir de lá para cá e de cá para lá, surge uma inquietação, uma indagação – e o Espírito Natalino? Como incorporá-lo? Ou que se entende por este espírito?
Ao ligar a televisão para ver e escutar as reportagens sobre o Natal, quase todas trazem algo em comum – o Bom Velhinho Noel.
E, para o cristão o Natal se fixa neste Bom Velhinho Noel ou tem como raiz outra pessoa?
Estes dias ao recordar a importância do Natal na vida de cada ser humano veio à seguinte reflexão que compartilho com você através deste pequeno texto.
Bem se olhar a figura do surgimento do Bom Velhinho Noel, sabe-se que o mesmo era um Bispo de bom coração e queria ajudar as pessoas. E, pode-se dizer que ele tinha uma motivação profunda, enraizada em algo que não era passageiro – a fé.
Uma fé professada no Menino-Deus, o Emanuel, o Príncipe da Paz (cf. Mt 1,23).
Diante disto se poderia dizer que o Espírito Natalino está enraizado não naquele Bom Velhinho Noel. Este é apenas o intermediário. O verdadeiro Espírito Natalino que de onde emana toda a motivação real vem do Nascimento daquele pequenino ser desprovido de tudo; só acalentado por sua mãe Maria e seu pai José, junto a uns poucos animais na estrebaria.
Então, nós cristãos somos chamados a neste tempo de Natal a aprofundar o dom da fé no Mistério da Encarnação e, assim estar impulsionados pelo verdadeiro Espírito Natalino – Jesus Cristo.
Aprender e reaprender como encarná-lo na humanidade, como estar sempre movido por este espírito de doação, desprovidos de tudo que possa dificultar o surgimento do Reino de Deus. Aprender e ensinar os semelhantes a reencontrar Deus no olhar daquele Menino oferecido a todas as gentes de boa vontade.
Que a correria e o agito do ir e vir não atrapalhe o mergulhar na interioridade do Mistério da Encarnação.

Feliz Natal e Boas Festas!

As idas e vindas na vida do Sacerdote

Um jovem quando é ordenado sacerdote da Igreja e, de modo, especial quando é padre diocesano (secular), geralmente está direcionado a trabalhar numa Paróquia, seja como Pároco – aquele que tem a missão de ser o administrador espiritual e do patrimônio ou como Vigário – aquele que auxilia ao pároco nos campos em que o próprio o convida a desenvolver seu ministério pastoral.
E, de acordo com as orientações da CNBB e de cada Diocese, o padre diocesano sabe que em primeiro está à disposição da sua Diocese, na pessoa do Bispo local e, em segundo a disposição da Igreja Universal em consonância com sua Diocese local.
Dentro deste entendimento o padre diocesano ao assumir o encargo de Pároco é chamado junto ao Bispo local, desenvolver o ministério presbiteral junto àqueles que lhe foram confiados naquele território chamado Paróquia.
A Arquidiocese de Florianópolis é muito diversificada já do ponto de vista geográfico, composta de interior e litoral; como do ponto de vista de etnias, culturas, tradições religiosas. Também uma vasta riqueza no campo social-político-econômico.
Então, sempre que um padre diocesano é transferido para uma determinada Paróquia, surge certa ansiedade, “friozinho na barriga”, expectativas, questionamentos, enamoramento, de ambas as partes – da parte dele próprio e do povo que constitui aquela referida Paróquia. Contudo, ao se espelhar em Maria, se deve dizer – Eis aqui a serva do Senhor! (cf. Lc 1,38) Ter a certeza que o próprio Espírito Santo está à frente e conduz a Igreja de Cristo Jesus. Ou na mística de Francisco de Assis – “Fazei-me instrumento...”
A Paróquia que o padre diocesano deixa para trás, diria que é chamado a agradecer junto com aqueles que lhe foram os pés, as mãos, a extensão no serviço pastoral por tudo que Deus permitiu realizar durante aquele tempo em que esteve à frente da mesma em sintonia com o Arcebispo. E, ao mesmo tempo orar para que o Espírito do Senhor continue a se manifestar através daquelas pessoas que colaboram e participam efetivamente da vida paroquial com todos os projetos desenvolvidos e a serem acrescidos. Também saber que esteve ali com servo de Deus, pois a obra é divina e permanecerá. O ministro ordenado só dispensou os dons que o próprio Mestre Jesus colocou nele para servir aos fiéis e demais pessoas que lhe apareceram no percurso do exercício do ministério.
O povo de Deus, aquela parcela que constitui a determinada Paróquia é chamada a ter presente que pertence a uma Arquidiocese (Diocese), e sua comunidade paroquial é apenas uma das partes do todo que está em sintonia com toda a Igreja de Cristo. Assim, cada leigo e leiga é chamado a viver também a tríplice do sacramento do batismo – sacerdote, rei e profeta. Por isto, como mesmo diz a Novo Millennio Ineunte é preciso “fazer da Igreja a casa e escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que [já vivemos], se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo” (n.43). E diz mais: “Antes de programar iniciativas concretas, é necessário promover uma espiritualidade da comunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes pastorais, onde se constroem as famílias e as comunidades” (n. 43).
Acredito que esta seja o maior desafio, sempre que um padre diocesano chega a uma Comunidade Paroquial. Fazer perceber que não se está ali para governar como no âmbito governamental do Estado Cívico e, sim estar a promover o Espírito das Comunidades Cristãs orientada pelos ensinamentos da Santa Madre Igreja.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Natal se anuncia novamente em nossas vidas!

Deus nos convida a nos deixar envolver por este tão grande mistério divino, o Mistério da Encarnação. São quatro semanas em que nos preparamos para celebrar esta certeza a ser anunciada e ofertada como presente a todos os povos – Deus quer caminhar e caminha com seu povo, assumindo a sua condição de criatura, exceto no pecado, para elevar a criação ao mais alto grau, a se tornar divina na sua plenitude.
Estas quatro semanas, em que a Igreja chama de Tempo de Advento. Um pequenino tempo de expectativa, de esperança a ser acesa no coração de cada ser humano de boa vontade como nos anunciará os anjos na Noite de Luz. Um pequenino tempo em que somos chamados há parar um pouco nossa correria do dia a dia e nos encontrar em família, seja entre amigos e vizinhos para orar e meditar no sentido de ir preparando nosso espírito, reavaliar e limpar nosso interior, dando espaço novamente a quem é de devido – o Príncipe da Paz, o Senhor de todas as coisas, o Emanuel (Deus Conosco).
Celebrar o Natal do Senhor é dizer para nós mesmos que não somos como aquela gente que, não tinha lugar, para com aquela mãe aflita às vésperas de dar a luz ao seu rebento. É dizer para nós mesmos que estamos dispostos a olhar para o menino-Deus que continua a nascer no coração de cada ser humano; no entanto, e principalmente, acolher de alguma forma aqueles que nos clamam por vida, por seus direitos tolhidos, por dignidade roubada...
Celebrar o Natal do Senhor é reafirmar a fé não só em querer para nós mesmos a garantia de tê-lo como nosso Salvador, mas deixar-nos envolver pelo seu olhar de compaixão e presenteá-lo com nossas oferendas àqueles que mais necessitam de comida, de roupa, de abrigo, de aceitação diante de suas dificuldades. É começar dentro de casa, saber perdoar mais do que cobrar, é saber caminhar ao lado do que ficar olhando de fora e julgar. É deixar-nos enxergar pelo olhar do pequenino, do frágil, mas que já desde o seu nascimento já dá o seu recado – o olhar de criança que desmonta a qualquer ser humano que tenha coração e seja de boa vontade.
Celebrar o Natal do Senhor é encantar e cantar as maravilhas de Deus! Maravilhas estas que são operadas sempre que a humanidade se deixa tocar no seu íntimo e desarma-se do medo, da prepotência, da arrogância, da vaidade, do orgulho de se achar o dono de tudo e de todos. É no contemplar o Mistério da Encarnação e assim tornar-se humilde, sereno, acolhedor, simples, seguro naquele que é o Senhor da Vida e da Esperança – Jesus de Nazaré.
Vivamos o Tempo do Advento e tenhamos um Santo e Abençoado Natal!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ir em direção de…


            A vida de qualquer pessoa é um ir em direção de...

Desde a fecundação está imposto esta condição a toda e qualquer pessoa.
“Ir em direção de...”
A criança no ventre da mãe se desenvolve num movimento que lhe é natural – preparar-se para sair e ir fora de onde está.
Este ir ao desconhecido, do que de alguma forma já reconhece ser algo externo a si mesmo e, que se torna realidade após nove meses.
E continua a ir...
Vai estar sempre em movimento!
Neste movimento natural de ir tem um lugar que mesmo que não tome consciência sempre, mas sabe que é para lá que está indo – a morte.
E indo nesta direção inevitável que está impregnada no seu ser, vai burlando ou vai traçando diversos caminhos onde faz experiências menores de “ir em direção de...”
Seria um aprendizado para o “ir em direção de...” do definitivo, do inegável, do fatal?!
O ir em direção de algo que lhe traga o prazer certamente lhe faz andar mais depressa... Já o ir em direção de algo que lhe tira a satisfação certamente lhe causa angústias, ansiedades contraditórias.
Alguns destes “ir em direção de” podem ser evitados ou talvez retardados.
Fato é que a vida é um “ir em direção de...”
Mesmo que a pessoa fique parada num determinado lugar, resolva dizer daqui eu não saio; porém, o seu ser biológico não para, pois foi feito nesta dinâmica de “ir em direção de...”
O que fazer então diante deste movimento irredutível?!
Seria então o de buscar dar sentido a este “ir em direção de...”
E se observar bem cada pessoa dá resposta a este “ir em direção de...” mesmo sem ter consciência do que está fazendo, mas está buscando algo que lhe dê sentido a todo este movimento.
Seria feliz aquela pessoa que chegasse ao “ir em direção de...”, àquele inevitável, o fatal, que soube preencher de significados todos os dias que lhe fora permitido viver?! Ou aquela pessoa que conseguiu esvaziar de significados todos os dias que vivera tendo presente diante de si a única certeza que não poderia revogar o “ir em direção de...” definitivo - a morte.
E neste esvaziar de significados encontra no que parece ser vazio o real que lhe dá significado a tudo que venha a viver?!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

As Palavras....



As Palavras e seus significados.
Cada uma das palavras que se aprende a pronunciar.
Que se desenha no papel com linhas ou sem limites de espaço.
Palavras sozinhas ou acompanhadas.

As Palavras e seus significados.
Cada uma das palavras que expressa pensamentos.
Que traz consigo cargas de sentimentos.
Palavras ditas ou somente pensadas.

As Palavras e seus significados.
Cada uma das palavras traduzindo projeto de vidas.
Que dentro do contexto podem variar de sentidos.
Palavras usadas no imaginário ou trazidas à realidade.

As Palavras e seus significados.
Se ditas por quem ama.
Tem peso de um sentimento nobre.
Rodeada de tantas outras palavras sentimentais.
Se ditas por quem odeia.
Tem peso de um sentimento empobrecido.
Rodeada de tantas outras palavras que ferem os sentimentos.

As Palavras e seus significados.
Se ditas com mansidão e cautela.
Dignificam e constroem outras tantas palavras.
Criam elo de vitalidade.
Se ditas com aspereza e crueldade.
Entristece o ser humano em sua nobreza.
Fazem surgir a presença da morte.

As Palavras e seus significados.
Aprender a lidar com as palavras uma arte.
Conhecer o mundo das palavras um mistério.
Envolver-se com as palavras um casamento.
Relacionar-se com as palavras uma filiação sem limites.

As Palavras e seus significados.
Podem traduzir o falso ou o verdadeiro.
Podem mostrar o caminho ou negar a entrada.
Podem enaltecer ou danificar.
Podem abrir ou fechar.
Podem dar vida ou a morte.

As Palavras e seus significados.
Cada ser humano convidado a descobrir.
No misterioso mundo imaginário encontrar a realidade.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Antônio Dias... Vô Antônio...Seu Antônio...

       Um homem de origem simples, mas que cada dia tinha algo novo a mostrar às pessoas que conviviam com ele. Um homem que soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferecia. Um homem que buscou conhecer o mundo a sua volta e ao mesmo tempo transformar cada momento de sua vida em algo novo que lhe trazia satisfação e às pessoas que conviviam com ele.
         Basta lembrar o saber fazer uma flauta de um pequeno bambu para ver seu neto tocá-la. Basta lembrar as invenções realizadas como a velha maquina de lavar roupas ser transformada num debulhador de milho. Basta lembrar do motor com polias feitas sobre medidas ditadas por ele para tocar a cerra elétrica e ao mesmo tempo a garapeira para ver todos felizes se deleitando num dia de sol quente com vários copos de garapa.
Contudo, não era só inventor...  não era só transformador de coisas que pareciam não ter mais funcionalidade... não era só construtor de coisas, como de escadas de madeira resistente para suas filhas e genros...

     Homem que teve vários negócios próprios, entre eles, plantador de mandioca para fazer aquela farinha especial que ficava sempre quentinha, negociada, porém sempre guardava alguns quilos para consumo de sua família. O dono de bar e venda. O homem que vendia tecidos na vizinhança, sempre buscando agradar aos clientes. O homem visionário que chegou a ter um posto de combustível com muita clientela. O homem comerciante seguro de seus negócios e preocupado sempre em poder manter seus familiares.
Mas não para por ai ...
       O homem político que queria ver o progresso na cidade. O homem do lazer que pescava ou depois na roda do dominó. O homem típico tijucano – sempre uma gaiola na mão. O homem orgulhoso, por exemplo, ao estufar o peito e dizer a todos que a água do seu poço era a mais pura da região. O homem que andava com sua bicicleta por toda a cidade. O homem informado sempre atento aos melhores programas de informação como também de diversão. O homem conhecedor e que gostava de ensinar quem quisesse aprender, como de olhar a hora pelo sol e como interagir com as forças da natureza. O homem religioso devoto de Nossa Senhora Aparecida e Senhor Bom Jesus de Iguape.  O homem de intensidade em todas as dimensões...
       Homem decidido, firme, honesto, defensor de suas idéias. Nunca deixou de expressar o que pensava, mesmo que isto lhe trouxesse aborrecimento, incompreensões. Mas falava!
Homem sempre atento aos seus. Preocupado sempre com o bem estar de suas duas filhas, dos seus genros, dos seus dois netos e duas netas e maridos destas mesmas netas, dos seus dois bisnetos. Isto para não falar do seu coração grande para com seus irmãos, seus sobrinhos e para com quem viesse ao seu encontro.
Uma folha é pouco pra descrever quem era o AntônioDias,  o Seu Antônio, o avô Antônio....
      São tantos momentos fortes vividos. Pode-se dizer que viver com o Antônio era viver grandes emoções a cada instante,  a cada dia. Seu olhar, seu sorriso, sua fala, seu jeito único de ser.
       Nós agradecemos muito, muito mesmo... Benção vô!

Em memória dos Sacerdotes que já trabalharam em Tijucas

Nesta liturgia de hoje que é um desdobramento da Liturgia Dominical onde celebramos a Solenidade de Pentecostes, festa esta em que Deus Pai nos envia em nome de Cristo o próprio Espírito Santo, o Paráclito; estamos também reunidos para agradecer a todos os Sacerdotes que já trabalharam nesta terra e dentre estes, aqueles que foram sepultados neste solo chamada Tijucas.
Gostaria primeiramente me fixar aos textos sagrados.
A Primeira Leitura da Carta de São Pedro é uma exortação do apóstolo para que os ouvintes da Boa Nova acolham com esperança o que eles próprios têm a revelar na perspectiva de cada um dos fiéis trilharem o caminho que leva a felicidade eterna, a santidade assemelhando-se no próprio ser divino.
“... aprontai a vossa mente; sede sóbrios e pode toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. (...) como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder.” (1Pd 1, 13.15)
E graças ao Espírito Santo que foi enviado do céu é que se ministra esta revelação não apenas para os que participam intimamente da convivência por intermédio de Jesus Cristo, mas para todos que abrem seu coração e mente para converter seu agir segundo a própria revelação dada a todos sem distinção.
Esta exortação nesta semana em que celebramos Pentecostes deve ser para nós motivo de alegria e agradecimento, pois se hoje vivemos a mesma fé é graças à ação deste Espírito que vem agindo no percurso da história. E, cabe a nós desejar se deixar envolver pelo próprio Espírito Santo para que também nós cresçamos na santificação e assim nossos atos serão norteados por valores nobres que não só vem do entendimento humano, mas vem de um lugar mais profundo, vem da própria Divindade.
O Evangelho de hoje sendo refletido dentro do Ano Sacerdotal instituído pelo Santo Padre, o Papa e com a intenção especial desta nossa comunidade local, dentro dos festejos dos 150 anos de emancipação do Município de Tijucas, de exaltar a memórias dos sacerdotes que trabalharam por aqui e entre eles, os já falecidos. E ainda mais, destacando os três que estão sepultados no Cemitério Municipal; faz-nos pensar e questionar como mesmo expressou o apóstolo Pedro ao Mestre – “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10,28) – o que faz um jovem abandonar tudo para ser tornar um dispensador das graças divinas aos seus semelhantes? O que faz um jovem se deixar cativar pela causa do Evangelho?
Aqui poderíamos ficar a escutar as falas daqueles que atualmente estão vivendo nos nossos tempos este serviço ministerial. Poderíamos escutar os adolescentes e jovens que ingressam nos Seminários espalhados pelo nosso Brasil afora. E, mesmo assim ficar com interrogações.
E, se olharmos para aqueles que já viveram e não estão mais presentes neste mundo terrestre?! O que poderíamos concluir?!
Bem, um dado significativo quando vamos tentar remontar ou contar fatos passados, ou mais ainda quando se tentar descrever a personalidade de uma pessoa que já não existe mais nos deparamos com várias questões. Até porque quando ainda estamos em vida, já é difícil nos compreender e descrever, se olharmos nossos sonhos, sentimentos, desejo, frustrações, perca e ganhos, enfim, quem “sou eu mesmo?”.
Agora como fazer com aqueles que “já não estão aí”?
E à medida que o tempo passa suas marcas enquanto personalidade vai deixando de ser expressas por aqueles que conviveram com a referida “persona”, porque estes também vão partindo deste mundo. Então como deixar registrado ou falar de um determinado ser humano?!
“Também se poderia dizer que quando esta “persona” tem uma influencia junto a outros durante a sua existência, surge outras tantas questões relevantes, entre elas, destacamos – qual foi à impressão que tive quando contatei com a “persona”? Em que circunstâncias? Qual tempo de durabilidade no tempo e espaço manteve contato com esta “persona”?
Bem, diante disto dizemos duas coisas: dos três sacerdotes que estão sepultados em Tijucas, o que vamos trazer presente é o Monsenhor Augusto Zucco, por ter convivido um “pouquinho” com o mesmo; no entanto, não somos nenhum conhecedor profundo de sua “persona”; diríamos algumas impressões do que vivemos e captamos de terceiros.
Mons. Augusto Zucco veio para Tijucas ainda bem jovem. Padre ordenado apenas dois anos, no entanto, já de início mostrava determinação no seu exercício do ministério frente à paróquia que lhe fora confiada, sendo que o campo de atendimento era bem vasto, atingindo até Porto Belo, a parte de Governador Celso Ramos na parte que são formadas pelas comunidades de Ganchos e até Canelinha.
Este jovem padre que lançou o desafio à comunidade Tijuquense de construir a nova Igreja Matriz da Paróquia São Sebastião – esta em que nos encontramos – e, assim não só mudou a sede da Paróquia como influenciou para o desenvolvimento da cidade como tal.
No campo da evangelização sempre atento aos apelos dos fiéis e ao mesmo tempo sintonizado com as orientações e pistas de trabalhos apresentados nos Documentos da Igreja. Basta olhar nos arquivos da Arquidiocese um escrito que poderíamos dizer ser um Plano de Pastoral escrito de punho próprio, motivado pelos novos ânimos que na Igreja mais tarde resultou no Concílio Vaticano II; visto que naquela época era o pároco que imprimia as linhas mestras da ação evangelizadora na Paróquia que lhe era confiada.
Homem que respondeu ao chamado do Mestre e buscou na sua existência deixar imprimida a necessidade de sempre estarmos em oração, basta lembrar sua presença sempre antecipada na Igreja, ou seu entusiasmo nos momentos fortes da fé em comunidade, Semana Santa, Natal, Festa do Divino Espírito Santo e São Sebastião e sempre envolvendo todas as Comunidades.
Homem como tantos que deixaram sua casa, sua família para com os filhos e filhas de Deus formar a grande família Eclésia.
Que cada um mesmo expressando uma faceta do Monsenhor Augusto Zucco poderá dizer e concluir – este homem tinha uma motivação profunda, um entusiasmo radiante, uma esperança jovial e sempre acreditando que poderia ser melhor.
Diante deste homem que queremos sintetizar em todos que por aqui trabalharam e em especial os que já morreram, podemos dizer que procuraram se deixar guiados pelo Espírito Santo que os levou a serem discípulos no anúncio, no testemunho, no diálogo, no serviço da Caridade e da Esperança.
Que Deus conceda às suas comunidades cristãs sempre homens e mulheres que a partir da escuta da Palavra do próprio Mestre se deixem conduzir pela força do Altíssimo desprendendo-se de tudo para se fazer um com todos para levar todos a Cristo.
Amém.

sábado, 5 de junho de 2010

E depois de tantas festas, o que fazer?!


Resposta fácil!
A vida continua com seu brilho de cada dia.
A vida continua na normalidade do cotidiano.
A vida continua com elementos surpresas.
A vida continua com compromissos de trabalho, de família, de estudo.
A vida continua, contudo, o viver é uma festa a cada segundo, quando conseguimos descobrir a beleza de estar presente consigo mesmo em cada subida, em cada descida no percurso sonhado ou real.
Tudo que é demais também estraga, enjoa.
Festas são boas, mas demais se cai num mundo imaginário, irreal e, pode levar a criar uma realidade não condizente àquele que se faz necessário para viver com dignidade.
Claro que também se sabe disso, porém há pessoas que esquecem disto.
Cada pessoa é chamada a voltar aos seus afazeres, até porque alguém depende da continuidade do outrem.
Vivemos num mesmo planeta, interligados.
Às vezes passando pelas estradas e bairros, encontramos pessoas à toa, que ficam o dia todo sem nada para fazer.
E então nos vem algumas perguntas: Será que conseguiríamos ficar o dia todo sem fazer nada?! Será que ficam porque não tem nada para fazer?! São desocupados mesmo, porque querem e não se sentem motivados a criar algo, ocupar seu tempo?!
Existe uma senhora que nós sabemos, por exemplo, fica o dia todo no parapeito de sua janela ou frente de sua casa sentada numa cadeira de plástico só observando quem passa, quantas vezes passam e, por ai diante. Seria ela a jornalista local da comunidade?!
O que fazer depois das festas?!
Voltar à normalidade do viver.
 E cada pessoa tem liberdade de escolher como quer festejar o seu viver a cada dia, seja sozinho, seja acompanhado.
Todavia não deixe de viver, de sentir o ar entrando em seus pulmões, de enxergar a beleza da transformação da natureza em cada estação, da movimentação do ser humano no seu buscar da sobrevivência.
O que fazer depois das festas?!
Acordar com animo de agarrar a vida e fazer de cada instante como se fosse único, e é não se repete. Pode até ser semelhante, mas nunca será mais igual. A cada passo dado, uma nova derrota ou uma nova conquista.
O que você vai fazer depois das festas?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Reorganizar, readequar, revitalizar...


Estas três palavras fazem sentido quando a gente para um pouco diante dos afazeres, seja da vida pessoal ou profissional, e se dá o direito de avaliar e projetar metas.
No campo profissional até se consegue, principalmente quando se está trabalhando em equipe e também existe alguém acima supervisionando e de alguma forma exige metas.
Já no campo pessoal, a coisa às vezes pega, por que é uma questão do foro do indivíduo, da própria pessoa. E, como nem sempre se pode confiar num terceiro todas as coisas pessoais, infelizmente, então o campo fica ainda mais minado.
Aqui entra uma disposição particular de energias de determinação e uma ousadia de desejo com vontade somada para não se deixar perder no foco das coisas almejadas.
Quando se reorganiza se quer dizer que é preciso dar peso para cada coisa e algumas se tornam tão obsoletas que voam fora sem neurose. Contudo, há outras que podem enganar os sentidos, principalmente quando envolve o campo afetivo, isto é, tem um peso afetivo. Mas se faz necessário desvincular para poder crescer. Como se diz, dar o pulo necessário para o crescimento.
O readequar é uma forma de ver as coisas pro ângulos diferentes. Há situações que não tem como mudar, mas se pode readequar e tirar proveito para o crescimento, para alguma realização. Imagine você se organiza para um dia de sol e derrepente surge do nada uma chuva. Adianta ficar brigando com o tempo. Adianta ficar chateado. Valeria mais você readequar e tirar proveito da situação?!
Tem coisas que não se tem como impedir de acontecer, mas é preciso aprender a usar em seu favor. A esperteza está em aproveitar o que se apresenta. Aqui o exemplo do artesão é fundamental. Pois o artesão tem criatividade. Ele olha uma coisa e já projeta sua arte, o que fazer com tais materiais ali presentes.
A revitalização primordial para o estado emocional se refazer, acordar e perceber o quanto se pode respirar com mais leveza e alegria na alma. Existem diversas formas de revitalização, seja do espaço em que se vive, trabalha ou mesmo do físico, do interior. Aqui entra o campo da auto-ajuda, um pouco do esotérico (técnicas), ou mesmo das coisas que os antigos falavam como, por exemplo, caminhar de pés descalços na areia, na grama; ou ainda, mexer nas plantas; ou ainda, mudar a posição dos móveis dentro de casa ou mesmo do serviço, arejar o ambiente.
Três palavras que ajudam a pessoa a se fazer e a redescobrir o brilho próprio.
Três palavras que podem fazer refletir um pouco de como a vida é para ser vivida e dela se guardar as coisas boas.
Três palavras que fazem a pessoa perceber o quanto tudo é transitório, mas se pode do transitório se tirar a essência das coisas.
Reorganizar, readequar, revitalizar...
Nunca é tarde para estar sempre a recomeçar...
Triste é quando a pessoa deixa de acreditar no seu potencial ou na possibilidade de algo novo. Cai na mesmice da rotina e passa a ser um ser frio, um corpo morto-vivo, que perambula pelas ruas da cidade.
Sei que estas coisas ditas já muitos falam, mas sempre é bom a gente escutar de novo. Diz um ditado popular – “Água mole e pedra dura, tanto bate até que fura”.
Tem pessoas que precisam de uma força externa, isto de ler ou escutar alguém que lhe diga que tem que parar e usar estas três palavrinhas – reorganizar, readequar e revitalizar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A vida continua...



A vida continua mesmo quando se perde tudo.

A vida continua mesmo diante da ausência.

A vida continua mesmo na dor.

A vida continua mesmo sem as pessoas amadas.

A vida continua mesmo quando tudo não parecer ter mais sentido.

A vida continua mesmo quando não aparecer ter saída diante da encruzilhada.

O Ano 2010 já começa apresentando a humanidade um apelo de Solidariedade diante da catástrofe do Haiti.

Este sinal talvez seja um apelo misterioso diante da dureza de coração daqueles que se dizem dono do mundo e não se importam com seus semelhantes, apenas para explorá-los e se enriqueceram às suas custas.

Mas graças às pessoas de boa vontade que nem tudo está perdido.

A vida continua é claro!

Contudo, não se pode deixar de sensibilizar-se com a dor do próximo, já tão sofrido por causa de sua condição sócio-político-cultural e agora até a sua situação em relação ao seu habitat, seu pedaço de chão.

É hora de nossa gente catarinense mostrar sua Solidariedade e ao mesmo tempo agradecer pelas vezes que fora ajudado por diversos provindos não só dos Estados, mas até das diversas nações que de alguma forma tem ligação com o solo Catarinense.

Conclama-se a todos a fazer Campanha de Solidariedade, cada um dentro de suas possibilidades.

A Arquidiocese de Florianópolis, por exemplo, a partir do seu Arcebispo Dom Murilo S. R. Krieger, solicita que todas as Comunidades façam coletas nas Igrejas e estas sejam entregues na Mitra Metropolitana que encaminhará à Caritas em vista das necessidades do Haiti.

Que todos se dêem às mãos!

Não se deixe cair na superficialidade de que é apenas mais uma notícia transmitida pelos Meios de Comunicação Social, como se fosse coisa do cotidiano.

Pois, às vezes já se vê tanta guerra, tanto sofrimento humano que se poderá ter a tentação de se ficar insensível ou mesmo duro de coração e ainda fazer comentários tentando entender ou explicar tal fenômeno.

Lembre-se são pessoas como você.

Não é cena de cinema e nem montagem gráfica computarizada.

São pessoas que perderam tudo, tudo mesmo; até quando ficarão sem poder ter locais de trabalho, para morar e reconquistar a dignidade de se auto-gerenciar?!

Faça a vida continuar, mas com uma atitude de quem está comprometido com a solidariedade, com a vida, com a vida dos semelhantes, integrado na cadeia global, como um ser participativo e transformador.

Começar o ano 2010 numa atitude de quem vive a vida com alegria, esperança e aberto ao outro, na reciprocidade de amar e ser amado, de doar e receber, de ser instrumento de vida, de paz para o outro.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ano novo e seria vida nova também?



Uma pergunta que se poderia fazer depois da primeira semana de janeiro. Pois na primeira semana as pessoas ficam meio desorientadas por causa dos feriadões e festividades realizadas com seus amigos e parentes. Todavia, depois a poeira vai abaixando as pessoas que não tiram férias neste período vão voltando aos seus afazeres cotidianos, as responsabilidades vão exigindo presença novamente; enfim, a vida continua.
E, depois de duas semanas de Ano Novo, vem à pergunta – seria Vida Nova também?
Os projetos e sonhos que se pensou, idealizou na passagem, já está sendo traçado, está realmente já sendo buscado, ou já se começou a dizer, agora não dá, só mais tarde; no próximo mês.
Quando se idealiza alguma coisa é claro que se tem analisar e observar se é possível concretizar na realidade. Mas também é evidente que se tem a tentação de ir lançando para frente na expectativa de poder realizar mais tarde.
Contudo, este pensamento pode ser uma pobre ilusão, pois os dias passam e nada se concretiza.
O que então estaria faltando?
Determinação? Planejamento? Atitude? Coragem? Motivação?
É bom pensar e agir!
Para muitos, vida nova significa: casa nova, marido ou mulher nova, filhos a nascer, escola nova, trabalho novo, salário novo, carro novo; enfim, são muitas as coisas novas que podem surgir ou se buscar.
Uma coisa é certa, as coisas não caem do céu.
Se faz necessário preparar o terreno, abrir a percepção, estar atento ao sinais, intensificar as energias para que aconteça o que se busca ou que se quer de novo.

Estes dias conversando com uma criança dizia que vendia material reciclável porque queria comprar uma boneca destas que faz tudo. E, dizia que já tinha tanto e faltava tanto para adquirir a tão sonhada boneca.
Fiquei impressionado com a maturidade e empenho daquela criança.
Escutava por estes dias um comentarista renomado dizendo que no Estado de São Paulo vão introduzir no currículo escolar uma matéria que ensinará como planejar as finanças, diante dos excessos que os jovens estão tento no mercado, não sabendo como usar seu dinheiro.
São projetos interessantes!

Ficam aqui exemplos para ajudar a pensar na pergunta – Ano Novo significa também vida nova?
Esta resposta só você pode se dar, ninguém poderá responder por você.
Às vezes se tende a passar a responsabilidade para terceiros, e com isto se eximindo de no futuro dizer não foi resposta pessoal e sim induzida por outros.
Todavia, não reclame se terminar o ano novo e ao se preparar para o próximo e não ter crescido ou conquistado nada de novo e dizendo que os outros foram culpados.
A culpa mais de 70% é sua!
Feliz Ano Novo!
Feliz Vida Nova!