sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Palavras a se dizer...


Estou hoje em processo de mudança de lugar, indo para outro pedacinho de chão deste nosso solo catarinense. Contudo, quero deixar registrado que nos traços de rostos encontrados aqui no bairro Procasa, São José, pude encontrar Deus manifesto em pessoas simples, porém pessoas de fé, pessoas que buscam algo a mais em suas vidas e ao mesmo tempo transmitem um ar de santidade, pessoas que não se deixaram esmorecer pelos calos que a vida tenta lhes impor.
Acredito que sob o olhar da Mãe Aparecida, que incansavelmente intercede por nós junto ao seu Filho, pude experenciar muitas e muitas vezes as graças e bênçãos provindas dos céus e presente na providência de muitos “próximos” que tem rosto e nome.
Posso dizer que como São Paulo escreve em sua carta – “Para ti basta a minha graça!” E é verdade, pois nos momentos mais difíceis, naqueles em que o pecado parecia invencível, que as noites escuras pareciam ser intransponíveis, Deus ali estava presente no seu silêncio do Sacrário, no seu olhar de uma pessoa amiga, numa palavra encorajadora dos que se colocavam ao lado, nas mãos e pés incansáveis dos diversos voluntários.
Neste clima de Natal e de fim de ano a gente pensa muita coisa que poderia ser melhor e no que se deixou de realizar. Nos tempos perdidos e na falta de maturidade de saber driblar com sabedoria os entraves no caminho.
Mas também se pode perceber que se chegou até aqui é por pura obra da misericórdia divina e do espaço conquistado junto àqueles homens e mulheres de boa vontade, homens e mulheres de uma profunda fé no ser humano, como que sempre apostando nas potencialidades do seu próximo.
Diria que em cada lugar que se passa a gente dá o direito e o espaço devido, só se tem a aprender e ao mesmo tempo é necessário se deixar modelar, se aperfeiçoar diante do que a própria vida impõe que são os mais diversificados desafios para aqueles que com humildade querem ir além do que parece possível, mas aos olhos da fé é um caminho sem volta. É um caminho que exige escalada, determinação e coragem de não querer voltar, de não querer parar ou se abater pelos limites visíveis no próprio ser.
Como diz a música sempre fica um pouco de perfume nas mãos que sabem ser generosas... Diria, sim fica sempre um pouco nas mãos que sabem acolher o diferente, o estrangeiro, o desconhecido.
E graças ao próprio Deus que acolhe na sua misericórdia a todos é que num final de ano se pode louvar e agradecer a tudo que se passou e com as pessoas que fizeram história dando de si uns aos outros na esperança de ter transformado o mundo um pouquinho para melhor. E dizer para si mesmo que o tempo não pertence a ninguém, que a vida também não pertence a ninguém, que ninguém pertence a ninguém; todavia, há algo que pode pertencer a todos – a amizade.