quarta-feira, 16 de junho de 2010

Antônio Dias... Vô Antônio...Seu Antônio...

       Um homem de origem simples, mas que cada dia tinha algo novo a mostrar às pessoas que conviviam com ele. Um homem que soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferecia. Um homem que buscou conhecer o mundo a sua volta e ao mesmo tempo transformar cada momento de sua vida em algo novo que lhe trazia satisfação e às pessoas que conviviam com ele.
         Basta lembrar o saber fazer uma flauta de um pequeno bambu para ver seu neto tocá-la. Basta lembrar as invenções realizadas como a velha maquina de lavar roupas ser transformada num debulhador de milho. Basta lembrar do motor com polias feitas sobre medidas ditadas por ele para tocar a cerra elétrica e ao mesmo tempo a garapeira para ver todos felizes se deleitando num dia de sol quente com vários copos de garapa.
Contudo, não era só inventor...  não era só transformador de coisas que pareciam não ter mais funcionalidade... não era só construtor de coisas, como de escadas de madeira resistente para suas filhas e genros...

     Homem que teve vários negócios próprios, entre eles, plantador de mandioca para fazer aquela farinha especial que ficava sempre quentinha, negociada, porém sempre guardava alguns quilos para consumo de sua família. O dono de bar e venda. O homem que vendia tecidos na vizinhança, sempre buscando agradar aos clientes. O homem visionário que chegou a ter um posto de combustível com muita clientela. O homem comerciante seguro de seus negócios e preocupado sempre em poder manter seus familiares.
Mas não para por ai ...
       O homem político que queria ver o progresso na cidade. O homem do lazer que pescava ou depois na roda do dominó. O homem típico tijucano – sempre uma gaiola na mão. O homem orgulhoso, por exemplo, ao estufar o peito e dizer a todos que a água do seu poço era a mais pura da região. O homem que andava com sua bicicleta por toda a cidade. O homem informado sempre atento aos melhores programas de informação como também de diversão. O homem conhecedor e que gostava de ensinar quem quisesse aprender, como de olhar a hora pelo sol e como interagir com as forças da natureza. O homem religioso devoto de Nossa Senhora Aparecida e Senhor Bom Jesus de Iguape.  O homem de intensidade em todas as dimensões...
       Homem decidido, firme, honesto, defensor de suas idéias. Nunca deixou de expressar o que pensava, mesmo que isto lhe trouxesse aborrecimento, incompreensões. Mas falava!
Homem sempre atento aos seus. Preocupado sempre com o bem estar de suas duas filhas, dos seus genros, dos seus dois netos e duas netas e maridos destas mesmas netas, dos seus dois bisnetos. Isto para não falar do seu coração grande para com seus irmãos, seus sobrinhos e para com quem viesse ao seu encontro.
Uma folha é pouco pra descrever quem era o AntônioDias,  o Seu Antônio, o avô Antônio....
      São tantos momentos fortes vividos. Pode-se dizer que viver com o Antônio era viver grandes emoções a cada instante,  a cada dia. Seu olhar, seu sorriso, sua fala, seu jeito único de ser.
       Nós agradecemos muito, muito mesmo... Benção vô!

Em memória dos Sacerdotes que já trabalharam em Tijucas

Nesta liturgia de hoje que é um desdobramento da Liturgia Dominical onde celebramos a Solenidade de Pentecostes, festa esta em que Deus Pai nos envia em nome de Cristo o próprio Espírito Santo, o Paráclito; estamos também reunidos para agradecer a todos os Sacerdotes que já trabalharam nesta terra e dentre estes, aqueles que foram sepultados neste solo chamada Tijucas.
Gostaria primeiramente me fixar aos textos sagrados.
A Primeira Leitura da Carta de São Pedro é uma exortação do apóstolo para que os ouvintes da Boa Nova acolham com esperança o que eles próprios têm a revelar na perspectiva de cada um dos fiéis trilharem o caminho que leva a felicidade eterna, a santidade assemelhando-se no próprio ser divino.
“... aprontai a vossa mente; sede sóbrios e pode toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. (...) como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder.” (1Pd 1, 13.15)
E graças ao Espírito Santo que foi enviado do céu é que se ministra esta revelação não apenas para os que participam intimamente da convivência por intermédio de Jesus Cristo, mas para todos que abrem seu coração e mente para converter seu agir segundo a própria revelação dada a todos sem distinção.
Esta exortação nesta semana em que celebramos Pentecostes deve ser para nós motivo de alegria e agradecimento, pois se hoje vivemos a mesma fé é graças à ação deste Espírito que vem agindo no percurso da história. E, cabe a nós desejar se deixar envolver pelo próprio Espírito Santo para que também nós cresçamos na santificação e assim nossos atos serão norteados por valores nobres que não só vem do entendimento humano, mas vem de um lugar mais profundo, vem da própria Divindade.
O Evangelho de hoje sendo refletido dentro do Ano Sacerdotal instituído pelo Santo Padre, o Papa e com a intenção especial desta nossa comunidade local, dentro dos festejos dos 150 anos de emancipação do Município de Tijucas, de exaltar a memórias dos sacerdotes que trabalharam por aqui e entre eles, os já falecidos. E ainda mais, destacando os três que estão sepultados no Cemitério Municipal; faz-nos pensar e questionar como mesmo expressou o apóstolo Pedro ao Mestre – “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10,28) – o que faz um jovem abandonar tudo para ser tornar um dispensador das graças divinas aos seus semelhantes? O que faz um jovem se deixar cativar pela causa do Evangelho?
Aqui poderíamos ficar a escutar as falas daqueles que atualmente estão vivendo nos nossos tempos este serviço ministerial. Poderíamos escutar os adolescentes e jovens que ingressam nos Seminários espalhados pelo nosso Brasil afora. E, mesmo assim ficar com interrogações.
E, se olharmos para aqueles que já viveram e não estão mais presentes neste mundo terrestre?! O que poderíamos concluir?!
Bem, um dado significativo quando vamos tentar remontar ou contar fatos passados, ou mais ainda quando se tentar descrever a personalidade de uma pessoa que já não existe mais nos deparamos com várias questões. Até porque quando ainda estamos em vida, já é difícil nos compreender e descrever, se olharmos nossos sonhos, sentimentos, desejo, frustrações, perca e ganhos, enfim, quem “sou eu mesmo?”.
Agora como fazer com aqueles que “já não estão aí”?
E à medida que o tempo passa suas marcas enquanto personalidade vai deixando de ser expressas por aqueles que conviveram com a referida “persona”, porque estes também vão partindo deste mundo. Então como deixar registrado ou falar de um determinado ser humano?!
“Também se poderia dizer que quando esta “persona” tem uma influencia junto a outros durante a sua existência, surge outras tantas questões relevantes, entre elas, destacamos – qual foi à impressão que tive quando contatei com a “persona”? Em que circunstâncias? Qual tempo de durabilidade no tempo e espaço manteve contato com esta “persona”?
Bem, diante disto dizemos duas coisas: dos três sacerdotes que estão sepultados em Tijucas, o que vamos trazer presente é o Monsenhor Augusto Zucco, por ter convivido um “pouquinho” com o mesmo; no entanto, não somos nenhum conhecedor profundo de sua “persona”; diríamos algumas impressões do que vivemos e captamos de terceiros.
Mons. Augusto Zucco veio para Tijucas ainda bem jovem. Padre ordenado apenas dois anos, no entanto, já de início mostrava determinação no seu exercício do ministério frente à paróquia que lhe fora confiada, sendo que o campo de atendimento era bem vasto, atingindo até Porto Belo, a parte de Governador Celso Ramos na parte que são formadas pelas comunidades de Ganchos e até Canelinha.
Este jovem padre que lançou o desafio à comunidade Tijuquense de construir a nova Igreja Matriz da Paróquia São Sebastião – esta em que nos encontramos – e, assim não só mudou a sede da Paróquia como influenciou para o desenvolvimento da cidade como tal.
No campo da evangelização sempre atento aos apelos dos fiéis e ao mesmo tempo sintonizado com as orientações e pistas de trabalhos apresentados nos Documentos da Igreja. Basta olhar nos arquivos da Arquidiocese um escrito que poderíamos dizer ser um Plano de Pastoral escrito de punho próprio, motivado pelos novos ânimos que na Igreja mais tarde resultou no Concílio Vaticano II; visto que naquela época era o pároco que imprimia as linhas mestras da ação evangelizadora na Paróquia que lhe era confiada.
Homem que respondeu ao chamado do Mestre e buscou na sua existência deixar imprimida a necessidade de sempre estarmos em oração, basta lembrar sua presença sempre antecipada na Igreja, ou seu entusiasmo nos momentos fortes da fé em comunidade, Semana Santa, Natal, Festa do Divino Espírito Santo e São Sebastião e sempre envolvendo todas as Comunidades.
Homem como tantos que deixaram sua casa, sua família para com os filhos e filhas de Deus formar a grande família Eclésia.
Que cada um mesmo expressando uma faceta do Monsenhor Augusto Zucco poderá dizer e concluir – este homem tinha uma motivação profunda, um entusiasmo radiante, uma esperança jovial e sempre acreditando que poderia ser melhor.
Diante deste homem que queremos sintetizar em todos que por aqui trabalharam e em especial os que já morreram, podemos dizer que procuraram se deixar guiados pelo Espírito Santo que os levou a serem discípulos no anúncio, no testemunho, no diálogo, no serviço da Caridade e da Esperança.
Que Deus conceda às suas comunidades cristãs sempre homens e mulheres que a partir da escuta da Palavra do próprio Mestre se deixem conduzir pela força do Altíssimo desprendendo-se de tudo para se fazer um com todos para levar todos a Cristo.
Amém.

sábado, 5 de junho de 2010

E depois de tantas festas, o que fazer?!


Resposta fácil!
A vida continua com seu brilho de cada dia.
A vida continua na normalidade do cotidiano.
A vida continua com elementos surpresas.
A vida continua com compromissos de trabalho, de família, de estudo.
A vida continua, contudo, o viver é uma festa a cada segundo, quando conseguimos descobrir a beleza de estar presente consigo mesmo em cada subida, em cada descida no percurso sonhado ou real.
Tudo que é demais também estraga, enjoa.
Festas são boas, mas demais se cai num mundo imaginário, irreal e, pode levar a criar uma realidade não condizente àquele que se faz necessário para viver com dignidade.
Claro que também se sabe disso, porém há pessoas que esquecem disto.
Cada pessoa é chamada a voltar aos seus afazeres, até porque alguém depende da continuidade do outrem.
Vivemos num mesmo planeta, interligados.
Às vezes passando pelas estradas e bairros, encontramos pessoas à toa, que ficam o dia todo sem nada para fazer.
E então nos vem algumas perguntas: Será que conseguiríamos ficar o dia todo sem fazer nada?! Será que ficam porque não tem nada para fazer?! São desocupados mesmo, porque querem e não se sentem motivados a criar algo, ocupar seu tempo?!
Existe uma senhora que nós sabemos, por exemplo, fica o dia todo no parapeito de sua janela ou frente de sua casa sentada numa cadeira de plástico só observando quem passa, quantas vezes passam e, por ai diante. Seria ela a jornalista local da comunidade?!
O que fazer depois das festas?!
Voltar à normalidade do viver.
 E cada pessoa tem liberdade de escolher como quer festejar o seu viver a cada dia, seja sozinho, seja acompanhado.
Todavia não deixe de viver, de sentir o ar entrando em seus pulmões, de enxergar a beleza da transformação da natureza em cada estação, da movimentação do ser humano no seu buscar da sobrevivência.
O que fazer depois das festas?!
Acordar com animo de agarrar a vida e fazer de cada instante como se fosse único, e é não se repete. Pode até ser semelhante, mas nunca será mais igual. A cada passo dado, uma nova derrota ou uma nova conquista.
O que você vai fazer depois das festas?