A casa do vovô era minha casa.
Quando ainda bem pequeno ia praticamente todos os dias para a casa do vovô.
De manhã, às vezes, acompanhava a vovó na escola, pois ela era professora das séries de alfabetização. E, à tarde, depois de tirar um cochilo, ia andar com o vovô na chácara.
Vovô gostava muito de plantar e ver as plantas crescer.
Ele tinha um pequeno pomar – havia caju, goiaba, jabuticaba, banana, laranja, vergamota, limão e até algumas que não se sabia o nome, como uma frutinha que era cabeluda, casca amarela, bem amarela tinha estar para então apertá-la e comer uma polpa branca que ficava em volta da semente. Chamávamos de “fruta cabeluda ou baguinha cabeluda”. Porque tinha pelo lado de fora tipo uma penugem.
Depois se continuássemos a caminhar saíamos da chácara e íamos para o outro lado da cerca farpada que estava a plantação. Terra boa dizia o vovô.
Recordo-me que num dia qualquer cheguei à casa do vovô e perguntei: Onde o vovô está?
Vovó prontamente respondeu: Está lá atrás fazendo coisas. Está ajeitando a cerca...
Nem escutei direito e corri em direção dele sem parar.
Passei pela chácara e não o vi.
Fui mais à frente e o vi perto da cerca que era divisa entre seus plantios e terreno que era apenas pasto. Então gritei: Vovô, Vovô....
Ele estava de costas para mim que chegava e cavava um buraco para colocar um moirão.
Eu por minha vez não vi que ele já tinha esticado um dos fios da cerca de arame.
Passei direto e quando vi já tinha pulado pela cerca e cortado os lábios.
O Vovô ficou assustado porque ao escutar passos já estava em posição de defesa com sua inchada e, quando viu que era eu, o seu neto, parou e gritou: O menino sapeca! Assustou o Vô.
O Vô Antônio então enxergou que seu neto tava no chão e sangue aparecia.
Imediatamente o pegou no colo e foi em direção de sua casa, gritando pela vovó Matilde.
Dizia o Vovô: Matilde, Matilde, matei o menino... E de seu rosto corria lágrimas.
A Vovó ao ouvir veio em direção deles e já perguntava: O que aconteceu?
Ao se aproximarem da casa, o Vovô levou o menino no paiol. Ali tinha um tanque com água, então lavavam o rosto do menino pra ver o que acontecia de verdade.
E viram que era apenas um pequenino corte no lábio inferior da boca do seu neto.
Aos poucos estancou o sangue.
Vovô ficou mais calmo...
Hoje foi um dia daqueles, de nunca se esquecer dizia o Vovô. Tomei um susto.
Ô menino, dizia o Vovô, nunca chega assim dando um susto. Pois quando a gente está concentrado, pode pensar que seja outra coisa e sem querer poderia ter feito um algo pior, dizia o Vovô ao neto.
Hoje o neto lembra-se deste acontecido cada vez que ao esticar os lábios e vê a marca no lábio inferior – o pequeno corte – então pensa: "como era bom estar com o Vovô".
Quando ainda bem pequeno ia praticamente todos os dias para a casa do vovô.
De manhã, às vezes, acompanhava a vovó na escola, pois ela era professora das séries de alfabetização. E, à tarde, depois de tirar um cochilo, ia andar com o vovô na chácara.
Vovô gostava muito de plantar e ver as plantas crescer.
Ele tinha um pequeno pomar – havia caju, goiaba, jabuticaba, banana, laranja, vergamota, limão e até algumas que não se sabia o nome, como uma frutinha que era cabeluda, casca amarela, bem amarela tinha estar para então apertá-la e comer uma polpa branca que ficava em volta da semente. Chamávamos de “fruta cabeluda ou baguinha cabeluda”. Porque tinha pelo lado de fora tipo uma penugem.
Depois se continuássemos a caminhar saíamos da chácara e íamos para o outro lado da cerca farpada que estava a plantação. Terra boa dizia o vovô.
Recordo-me que num dia qualquer cheguei à casa do vovô e perguntei: Onde o vovô está?
Vovó prontamente respondeu: Está lá atrás fazendo coisas. Está ajeitando a cerca...
Nem escutei direito e corri em direção dele sem parar.
Passei pela chácara e não o vi.
Fui mais à frente e o vi perto da cerca que era divisa entre seus plantios e terreno que era apenas pasto. Então gritei: Vovô, Vovô....
Ele estava de costas para mim que chegava e cavava um buraco para colocar um moirão.
Eu por minha vez não vi que ele já tinha esticado um dos fios da cerca de arame.
Passei direto e quando vi já tinha pulado pela cerca e cortado os lábios.
O Vovô ficou assustado porque ao escutar passos já estava em posição de defesa com sua inchada e, quando viu que era eu, o seu neto, parou e gritou: O menino sapeca! Assustou o Vô.
O Vô Antônio então enxergou que seu neto tava no chão e sangue aparecia.
Imediatamente o pegou no colo e foi em direção de sua casa, gritando pela vovó Matilde.
Dizia o Vovô: Matilde, Matilde, matei o menino... E de seu rosto corria lágrimas.
A Vovó ao ouvir veio em direção deles e já perguntava: O que aconteceu?
Ao se aproximarem da casa, o Vovô levou o menino no paiol. Ali tinha um tanque com água, então lavavam o rosto do menino pra ver o que acontecia de verdade.
E viram que era apenas um pequenino corte no lábio inferior da boca do seu neto.
Aos poucos estancou o sangue.
Vovô ficou mais calmo...
Hoje foi um dia daqueles, de nunca se esquecer dizia o Vovô. Tomei um susto.
Ô menino, dizia o Vovô, nunca chega assim dando um susto. Pois quando a gente está concentrado, pode pensar que seja outra coisa e sem querer poderia ter feito um algo pior, dizia o Vovô ao neto.
Hoje o neto lembra-se deste acontecido cada vez que ao esticar os lábios e vê a marca no lábio inferior – o pequeno corte – então pensa: "como era bom estar com o Vovô".

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