“Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da quaresma, cada sexta-feira da quaresma em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropriados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)” (CIC 1438).
Muitas vezes podemos achar que tais práticas são coisas do passado e que nos dias de hoje não tenha mais razão de ser. Todavia, se olharmos – oração, jejum e esmola (caridade) – é uma tríplice importantíssima para a vivência do Evangelho no cotidiano.
Oração é o exercício sublime de interiorização entre a criatura e o Criador, o diálogo entre os filhos adotivos e o Pai Misericordioso. É um falar e escutar de ambas as partes. E, neste exercício de estar diante do ser divino e ao mesmo tempo envolvido por Ele é que enriquece com seus ensinamentos que vão nortear o viver no cotidiano. “Eu vi e ouvi o clamor de meu povo” (cf. Ex 3,7); “Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á (cf. Mt 7,7).
Jejum (abstinência) é o exercício espiritual de abrir mão de algo que parece ser tão significativo, porém ao deixá-lo poderá educar meu interior a determinadas inclinações ou desejos. No mundo de hoje só se fala que tudo se pode fazer para ser feliz. No entanto, o cristão é chamado a disciplinar seu interior para saber vencer na contradição e encontrar a verdadeira felicidade que não está no apegar-se no passageiro e sim no eterno e essencial através da fé em Cristo Jesus. (cf. Gl 5,1; 5,13-25)
Caridade fraterna (esmola) outra parte do todo importante para o discípulo de Cristo Jesus dar testemunho da sua fé no Ressuscitado, no Deus da Vida e da Esperança. “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Os cristãos foram reconhecidos como seguidores de Jesus Cristo pela prática da caridade – “Vejam como se amam!” (cf. At 11,26). Como mesmo diz o Apóstolo Paulo em Coríntios – “Agora, portanto, permanecem estas três coisas, a fé, a esperança e o amor, mas o amor é o maior” (Cf. 1 Cor 13,13).
Aproveite o Tempo da Quaresma, um tempo forte da presença de Deus que contemplamos por inteiro no Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Diríamos que é um Tempo em que cada pessoa é chamada a caminhar a exemplo do próprio Mestre no deserto (cf. Mt 4,1-11), na busca de aproveitar deste tempo um Retiro Espiritual. Um retiro de abastecer-se na graça de Deus. Um tempo onde ao confrontar-se com o Mistério da Redenção cada pessoa sai configurada ao Cristo Servo que se doa plenamente por amor e convida a todos a fazer a mesma experiência junto aos irmãos e, de modo especial aos mais necessitados e desprovidos do amor gratuito.
