quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A morte – certeza de todos…


Se quiseres podes suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”. (S. Freud)

Sempre em Finados as pessoas na sua maioria param para diante de uma prece relembrar seus antepassados – familiares, amigos, pessoas que fizeram história em algum momento no percurso da vida. Aqueles que têm fé na ressurreição ou outros que professam outro credo buscam nos Templos participar dos ritos religiosos no sentido de confortar seu espírito interior e ao mesmo tempo refletir o que significa a Vida e a Morte.
A morte num bom sentido nos cria um impulso para dar valor à vida.
A questão é se nos tempos de hoje às pessoas realmente param para refletir e conversar sobre a Morte, sobre o sentido de viver ou, ao contrário, fogem destas prosas, pois tem medo de encarar a realidade que questiona o mais profundo de cada ser humano e exige de cada um resposta a altura.
E, assim se iludem com passeios, turismos – por se tornar um feriadão na maioria das vezes – e, nem querem saber de pensar no seu morrer.
Uma mentalidade do aproveitar e gozar o tempo presente; um pensar de que se faz enquanto está vivo e se morrer, paciência; um imediatismo e pragmatismo; uma inércia aos sofrimentos e percas; uma insensibilidade para com o semelhante – “o problema é dele”; e tantas outras atitudes que revelam uma mentalidade que se propaga no cotidiano.
Dentro destas concepções os cristãos são chamados a testemunhar que este dia de Finados é sim um dia para orar pelos entes falecidos, mas também engrandecesse com a percepção de que a alegria eterna é que provoca o querer estar preparado para morrer. E, estar preparado é assumir a realidade humana com abertura para o divino que nos dá este grande presente de desde batizados nos tornamos membros da família de Deus (cf. CIC 1265).
Finados é o dia para o cristão olhar com serenidade e professar sua fé na ressurreição – “Eu sou a ressurreição. Quem crê e mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês isto?” (Jo 11,25-26)
É também um dia para reencontrar ao redor dos túmulos os familiares que há muito tempo não tem visto mais, de reencontrar os amigos que cresceram juntos, de reencontrar alguém que marcou tanto a vida e, por causa, das andanças tinha perdido o contato e, a ausência é forte porque era um grande amigo.
É também um dia para as famílias se aproximarem, se olharem e se fortalecerem. E, se porventura houver alguma mágoa, algo a ser perdoado é um tempo propício para este exercício. Porque outra grande certeza que a morte provoca – O que se leva desta vida? Ou, o que se quer deixar de marca quando a morte chegar?
“Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento.” (Jo 5,29)
Tem uma expressão muito bonita na liturgia da Igreja no Prefácio dos defuntos que expressa bem a esperança do cristão perante a morte: “Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (cf. CIC 1012).
E, Santa Teresinha do Menino Jesus diz – “Eu não morro, entro na vida”.
Finados seja um dia de oração e reflexão, de quanto andas pelo caminho da vida; seja um dia de prosa para o engrandecimento pessoal e comunitário, para ao se voltar aos afazeres do cotidiano, ter convicções profundas e testemunhar que a morte pode ser chamada como irmã, como dizia São Francisco de Assis, isto é, esta realidade que lança o ser humano a querer viver com maior nobreza e dignidade junto aos seus.

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