“Se quiseres
podes suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte”. (S. Freud)
Sempre em Finados as pessoas na sua
maioria param para diante de uma prece relembrar seus antepassados –
familiares, amigos, pessoas que fizeram história em algum momento no percurso
da vida. Aqueles que têm fé na ressurreição ou outros que professam outro credo
buscam nos Templos participar dos ritos religiosos no sentido de confortar seu
espírito interior e ao mesmo tempo refletir o que significa a Vida e a Morte.
A morte num bom sentido nos cria um
impulso para dar valor à vida.
A questão é se nos tempos de hoje às
pessoas realmente param para refletir e conversar sobre a Morte, sobre o
sentido de viver ou, ao contrário, fogem destas prosas, pois tem medo de
encarar a realidade que questiona o mais profundo de cada ser humano e exige de
cada um resposta a altura.
E, assim se iludem com passeios,
turismos – por se tornar um feriadão na maioria das vezes – e, nem querem saber
de pensar no seu morrer.
Uma mentalidade do aproveitar e gozar
o tempo presente; um pensar de que se faz enquanto está vivo e se morrer,
paciência; um imediatismo e pragmatismo; uma inércia aos sofrimentos e percas;
uma insensibilidade para com o semelhante – “o problema é dele”; e tantas
outras atitudes que revelam uma mentalidade que se propaga no cotidiano.
Dentro destas concepções os cristãos
são chamados a testemunhar que este dia de Finados é sim um dia para orar pelos
entes falecidos, mas também engrandecesse com a percepção de que a alegria
eterna é que provoca o querer estar preparado para morrer. E, estar preparado é
assumir a realidade humana com abertura para o divino que nos dá este grande
presente de desde batizados nos tornamos membros da família de Deus (cf. CIC 1265).
Finados é o dia para o cristão olhar
com serenidade e professar sua fé na ressurreição – “Eu sou a ressurreição.
Quem crê e mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais
morrerá. Crês isto?” (Jo 11,25-26)
É também um dia para reencontrar ao
redor dos túmulos os familiares que há muito tempo não tem visto mais, de
reencontrar os amigos que cresceram juntos, de reencontrar alguém que marcou
tanto a vida e, por causa, das andanças tinha perdido o contato e, a ausência é
forte porque era um grande amigo.
É também um dia para as famílias se
aproximarem, se olharem e se fortalecerem. E, se porventura houver alguma
mágoa, algo a ser perdoado é um tempo propício para este exercício. Porque
outra grande certeza que a morte provoca – O que se leva desta vida? Ou, o que
se quer deixar de marca quando a morte chegar?
“Os que tiverem feito o bem (sairão)
para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma
ressurreição de julgamento.” (Jo 5,29)
Tem uma expressão muito bonita na liturgia
da Igreja no Prefácio dos defuntos que expressa bem a esperança do cristão
perante a morte: “Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas
transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo
imperecível” (cf. CIC 1012).
E, Santa Teresinha do Menino Jesus diz
– “Eu não morro, entro na vida”.
Finados seja um dia de oração e
reflexão, de quanto andas pelo caminho da vida; seja um dia de prosa para o
engrandecimento pessoal e comunitário, para ao se voltar aos afazeres do
cotidiano, ter convicções profundas e testemunhar que a morte pode ser chamada
como irmã, como dizia São Francisco de Assis, isto é, esta realidade que lança
o ser humano a querer viver com maior nobreza e dignidade junto aos seus.

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