terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Espírito Natalino

Últimos dias de preparação!
Últimas horas para a tão esperada Festa de Natal!
Ao se andar pelas ruas das cidades e pelas calçadas e calçadões se percebe a tamanha agitação das pessoas de um lado para o outro. Seja daqueles que querem aproveitar a ocasião para vender um pouco mais, seja daqueles que consomem as mais diversificadas mercadorias que se transformam em presentes de Natal.
Contudo, diante desta loucura desenfreada de um ir de lá para cá e de cá para lá, surge uma inquietação, uma indagação – e o Espírito Natalino? Como incorporá-lo? Ou que se entende por este espírito?
Ao ligar a televisão para ver e escutar as reportagens sobre o Natal, quase todas trazem algo em comum – o Bom Velhinho Noel.
E, para o cristão o Natal se fixa neste Bom Velhinho Noel ou tem como raiz outra pessoa?
Estes dias ao recordar a importância do Natal na vida de cada ser humano veio à seguinte reflexão que compartilho com você através deste pequeno texto.
Bem se olhar a figura do surgimento do Bom Velhinho Noel, sabe-se que o mesmo era um Bispo de bom coração e queria ajudar as pessoas. E, pode-se dizer que ele tinha uma motivação profunda, enraizada em algo que não era passageiro – a fé.
Uma fé professada no Menino-Deus, o Emanuel, o Príncipe da Paz (cf. Mt 1,23).
Diante disto se poderia dizer que o Espírito Natalino está enraizado não naquele Bom Velhinho Noel. Este é apenas o intermediário. O verdadeiro Espírito Natalino que de onde emana toda a motivação real vem do Nascimento daquele pequenino ser desprovido de tudo; só acalentado por sua mãe Maria e seu pai José, junto a uns poucos animais na estrebaria.
Então, nós cristãos somos chamados a neste tempo de Natal a aprofundar o dom da fé no Mistério da Encarnação e, assim estar impulsionados pelo verdadeiro Espírito Natalino – Jesus Cristo.
Aprender e reaprender como encarná-lo na humanidade, como estar sempre movido por este espírito de doação, desprovidos de tudo que possa dificultar o surgimento do Reino de Deus. Aprender e ensinar os semelhantes a reencontrar Deus no olhar daquele Menino oferecido a todas as gentes de boa vontade.
Que a correria e o agito do ir e vir não atrapalhe o mergulhar na interioridade do Mistério da Encarnação.

Feliz Natal e Boas Festas!

As idas e vindas na vida do Sacerdote

Um jovem quando é ordenado sacerdote da Igreja e, de modo, especial quando é padre diocesano (secular), geralmente está direcionado a trabalhar numa Paróquia, seja como Pároco – aquele que tem a missão de ser o administrador espiritual e do patrimônio ou como Vigário – aquele que auxilia ao pároco nos campos em que o próprio o convida a desenvolver seu ministério pastoral.
E, de acordo com as orientações da CNBB e de cada Diocese, o padre diocesano sabe que em primeiro está à disposição da sua Diocese, na pessoa do Bispo local e, em segundo a disposição da Igreja Universal em consonância com sua Diocese local.
Dentro deste entendimento o padre diocesano ao assumir o encargo de Pároco é chamado junto ao Bispo local, desenvolver o ministério presbiteral junto àqueles que lhe foram confiados naquele território chamado Paróquia.
A Arquidiocese de Florianópolis é muito diversificada já do ponto de vista geográfico, composta de interior e litoral; como do ponto de vista de etnias, culturas, tradições religiosas. Também uma vasta riqueza no campo social-político-econômico.
Então, sempre que um padre diocesano é transferido para uma determinada Paróquia, surge certa ansiedade, “friozinho na barriga”, expectativas, questionamentos, enamoramento, de ambas as partes – da parte dele próprio e do povo que constitui aquela referida Paróquia. Contudo, ao se espelhar em Maria, se deve dizer – Eis aqui a serva do Senhor! (cf. Lc 1,38) Ter a certeza que o próprio Espírito Santo está à frente e conduz a Igreja de Cristo Jesus. Ou na mística de Francisco de Assis – “Fazei-me instrumento...”
A Paróquia que o padre diocesano deixa para trás, diria que é chamado a agradecer junto com aqueles que lhe foram os pés, as mãos, a extensão no serviço pastoral por tudo que Deus permitiu realizar durante aquele tempo em que esteve à frente da mesma em sintonia com o Arcebispo. E, ao mesmo tempo orar para que o Espírito do Senhor continue a se manifestar através daquelas pessoas que colaboram e participam efetivamente da vida paroquial com todos os projetos desenvolvidos e a serem acrescidos. Também saber que esteve ali com servo de Deus, pois a obra é divina e permanecerá. O ministro ordenado só dispensou os dons que o próprio Mestre Jesus colocou nele para servir aos fiéis e demais pessoas que lhe apareceram no percurso do exercício do ministério.
O povo de Deus, aquela parcela que constitui a determinada Paróquia é chamada a ter presente que pertence a uma Arquidiocese (Diocese), e sua comunidade paroquial é apenas uma das partes do todo que está em sintonia com toda a Igreja de Cristo. Assim, cada leigo e leiga é chamado a viver também a tríplice do sacramento do batismo – sacerdote, rei e profeta. Por isto, como mesmo diz a Novo Millennio Ineunte é preciso “fazer da Igreja a casa e escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que [já vivemos], se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo” (n.43). E diz mais: “Antes de programar iniciativas concretas, é necessário promover uma espiritualidade da comunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos os lugares onde se plasma o homem e o cristão, onde se educam os ministros do altar, os consagrados, os agentes pastorais, onde se constroem as famílias e as comunidades” (n. 43).
Acredito que esta seja o maior desafio, sempre que um padre diocesano chega a uma Comunidade Paroquial. Fazer perceber que não se está ali para governar como no âmbito governamental do Estado Cívico e, sim estar a promover o Espírito das Comunidades Cristãs orientada pelos ensinamentos da Santa Madre Igreja.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Natal se anuncia novamente em nossas vidas!

Deus nos convida a nos deixar envolver por este tão grande mistério divino, o Mistério da Encarnação. São quatro semanas em que nos preparamos para celebrar esta certeza a ser anunciada e ofertada como presente a todos os povos – Deus quer caminhar e caminha com seu povo, assumindo a sua condição de criatura, exceto no pecado, para elevar a criação ao mais alto grau, a se tornar divina na sua plenitude.
Estas quatro semanas, em que a Igreja chama de Tempo de Advento. Um pequenino tempo de expectativa, de esperança a ser acesa no coração de cada ser humano de boa vontade como nos anunciará os anjos na Noite de Luz. Um pequenino tempo em que somos chamados há parar um pouco nossa correria do dia a dia e nos encontrar em família, seja entre amigos e vizinhos para orar e meditar no sentido de ir preparando nosso espírito, reavaliar e limpar nosso interior, dando espaço novamente a quem é de devido – o Príncipe da Paz, o Senhor de todas as coisas, o Emanuel (Deus Conosco).
Celebrar o Natal do Senhor é dizer para nós mesmos que não somos como aquela gente que, não tinha lugar, para com aquela mãe aflita às vésperas de dar a luz ao seu rebento. É dizer para nós mesmos que estamos dispostos a olhar para o menino-Deus que continua a nascer no coração de cada ser humano; no entanto, e principalmente, acolher de alguma forma aqueles que nos clamam por vida, por seus direitos tolhidos, por dignidade roubada...
Celebrar o Natal do Senhor é reafirmar a fé não só em querer para nós mesmos a garantia de tê-lo como nosso Salvador, mas deixar-nos envolver pelo seu olhar de compaixão e presenteá-lo com nossas oferendas àqueles que mais necessitam de comida, de roupa, de abrigo, de aceitação diante de suas dificuldades. É começar dentro de casa, saber perdoar mais do que cobrar, é saber caminhar ao lado do que ficar olhando de fora e julgar. É deixar-nos enxergar pelo olhar do pequenino, do frágil, mas que já desde o seu nascimento já dá o seu recado – o olhar de criança que desmonta a qualquer ser humano que tenha coração e seja de boa vontade.
Celebrar o Natal do Senhor é encantar e cantar as maravilhas de Deus! Maravilhas estas que são operadas sempre que a humanidade se deixa tocar no seu íntimo e desarma-se do medo, da prepotência, da arrogância, da vaidade, do orgulho de se achar o dono de tudo e de todos. É no contemplar o Mistério da Encarnação e assim tornar-se humilde, sereno, acolhedor, simples, seguro naquele que é o Senhor da Vida e da Esperança – Jesus de Nazaré.
Vivamos o Tempo do Advento e tenhamos um Santo e Abençoado Natal!