Nestes dias peguei no volante do carro e fui em direção a um longo caminho para chegar num lugar maravilhoso, onde há natureza, silêncio e um propício ambiente de oração.
Como estava sozinho neste percurso e o carro não tinha nada para me distrair, como uma música, acabou que depois de um tempo era apenas eu e meus pensamentos junto com meu Deus.
Claro que havia gente na estrada, claro que havia outros veículos no percurso, é claro que havia lugarejos pela beira da estrada. Todavia, nenhum deles sabia de onde eu vinha e para onde eu iria; cada um deles também vivia a sua própria vida sem interferência direta a deles sobre a minha.
Com o passar dos minutos, da quilometragem a ser deixado para trás e outras ainda a serem rodadas começou a surgir os pensamentos que brotam do interior do ser humano. E, como o caminho era longo, teve tempo de rever conceitos, de se perguntar sobre vários assuntos.
Diria que só em fazer este grande percurso já é um aprendizado.
Tem que se aprender a lutar consigo mesmo, a não desistir pela metade do caminho. E olha que a tentação era grande.
Aqui vem a motivação, as buscas que estão latentes, o porquê de ir à busca do local programado a se chegar; enfim, os conflitos do querer ir mais além e aqueles de tentar a fazer permanecer onde se encontra. Isto, se perguntar também a um atleta ele vai dizer que é preciso determinação.
No volante do carro sozinho a gente não só faz uma viagem de quilometragens do próprio percurso previsto, mas se faz uma viagem de quilometragens do interior da vida na sua interioridade.
Ao mesmo tempo em que se pode observar as belezas da natureza às margens da rodovia; ao mesmo tempo em que se pode olhar cada novidade que desponta ao chegar perto de uma cidade; ao mesmo tempo em que se pode perceber as diferenças que existem de um lugar para o outro; também se começa a perceber e notar o que cada um a partir de mim pode mostrar de belo, de criativo, de diferente e que me enriquece e ao ser partilhado também enaltece o outro que comigo convive.
Estar no volante do carro não é só dirigir o veículo para seguir na rota certa, com segurança, obedecer às placas de sinalização, ter certo “domínio” do veículo para fazer defesas necessárias e poder dizer – cheguei! Estar no volante do carro por longo percurso faz a gente refletir que também se precisa saber dirigir a vida. E, está tem percursos nem sempre conhecidos, nem sempre seguros, nem sempre desejáveis a se passar. Contudo, como será bom dizer – cheguei!
Estar no volante do carro também pode ser um retirar-se.
Pois ao estar sozinho, sem ninguém ao lado e ter a frente muitas quilometragens a serem percorridas, pode ter certeza que o silêncio vem e você será testado por você mesmo – qual percurso seguir?! Parar ou continuar?!
Pode ser um momento único para traçar metas pessoais, para projetar o que é de suma importância adquirir neste rodar a quilometragem da vida.
Estar no volante do carro sozinho...
Na real você está acompanhado de seus pensamentos, de suas inquietações, de suas buscas, de suas derrotas, de seus medos, de suas esperanças, de seus conflitos...
Quando você percebe o carro está cheio de passageiros.

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