sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Finados


Chega o feriado de Finados.
Este feriado esta ligado à dimensão humana de fazer reverência aos seus antepassados. Todavia, poderia se dizer que quando se chega a este data também anuncia o fim do ano às portas.
Mistura então os sentimentos diante daqueles que já fizeram, já planejaram, já sonharam, já viveram momentos de alegrias, de angústias, de decepções, de conquistas; enfim, de pessoas que diante de suas percepções realizaram alguns sonhos e outros ficaram para ser realizados. E, aqueles que vivem o presente e ao parar diante destes que já se foram pelo menos de corpo presente, vem muitas perguntas, fazem avaliações diante de suas limitações e sonhos a serem conquistados enquanto vivem neste plano terrestre.
No mundo moderno, muitas pessoas tentam fugir desta realidade, de que um dia tudo se acaba. Existem pessoas vivem num turbilhão de fazer coisas, dias e noites agitadas para não deixar o silêncio interior falar ao seu coração e razão. Há pessoas que têm medos, e um deles é saber que um dia não fará mais parte deste mundo, que não poderá desfrutar das coisas materiais, das coisas ditas significativas para o ser humano ser realizar como pessoa.
Então surgem perguntas?
Será que ao parar e avaliar seu jeito de ser e de viver, ajudaria ou não a viver mais feliz? Será que fazer silêncio interior, deixando o interior falar ao coração e à razão, muitas coisas em sua vida mudaria?
Pois será que estas pessoas ao viver no corre-corre desenfreado de buscar coisas, de fazer coisas constantemente, sem avaliar, sem ver o que é passageiro e o que realmente é duradouro, terminarão seus dias felizes, terminarão rodeados de sentimentos de felicidade, de missão cumprida?!
Quando seu corpo não corresponder mais à agitação que vivia, porém estando ali, presenciando tudo o que acontece ao seu redor, não se perguntaria se realmente tudo que construiu foi por uma causa nobre, por valores e princípios que ao ser compartilhado o dignifica como pessoa humana?!
Finados vêm para ajudar numa perspectiva não apenas de cultuar os mortos, os já não existentes no meio social, mas realmente para os que ainda vivem perceber e se perguntar o porquê faz isto ou aquilo, se perguntar qual o sentido de viver, o que está buscando enquanto vive com todos os outros na sociedade.
Finados vêm para ajudar a perceber que o fim do ano está chegando ao fim.
Todavia, ainda se pode colocar em prática ou rever alguns conceitos e tentar mudar naquilo que é possível e necessário para ser feliz. Para quando estiver chegando ao fim da existência humana, se aproximando deste fim, poder dizer que tentou dar o melhor de si, tentou buscar o que mais dignifica o ser humano enquanto pessoa rodeada de tantos outros semelhantes a si.
Olhando para aqueles que já se foram e perceber a partir das coisas que ficaram marcados na memória, se vale a pena tanto desgaste no sentido de ser individualista, materialista, indiferente e viver apenas para si mesmo.
O que faz um ser humano ser lembrando por ter corrido atrás de coisas passageiras, ou ter plantado valores importantes que fazem o diferencial na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e de paz?
Como você gostaria de ser visto no futuro quando teus parentes e amigos vierem ao teu encontro no dia de Finados?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A INDIFERENÇA MUDA QUANDO A COISA É CONSIGO


Vivemos num mundo em que cada vez mais parece que o relógio fica mais rápido, o tempo parece passar despercebido e surge uma sensação de incapacidade.
Estes dias atrás recebemos uma notícia na mídia que chocou a muitas pessoas e, perceber com a vida humana está realmente entrando no mundo do descartável.
Uma menina infratora é colocada numa cela junto com outros infratores – homens maduros! E, ainda parece que não é o primeiro caso, pois segundo algumas pessoas daquela região, isto era um prática feita por algumas autoridades responsáveis pelo bom andamento da ordem e da lei por ali.
Surge uma pergunta: - Se ela não conseguisse falar, se o pai não conseguisse falar?!
O Delegado ontem disse no seu depoimento que ela não mencionou que era menor de idade. Onde é que estão os documentos, os registros?! Não falam perante o Estado! Já que somos reconhecidos como cidadãos e cidadãs por tais papéis, por tais números.
Com todo respeito à Governadora do Estado do Pará, será que antes já não teriam denunciado outras situações semelhantes.
Agora todos os holofotes voltados para eles e elas e, cada um tentando fazer o melhor discurso, tentando sair como mocinhos e mocinhas do episódio, que geralmente em nosso país vira novela.
Basta buscar pela memória tantos casos que vão e vêem, com as mais diversas versões, com as mais diversas provas e argumentos. Sabemos que faz parte do processo, mas há coisas que estão aos olhos. Precisa agora instaurar um inquérito seja administrativo, seja de qual ordem for para se certificar se tal denúncia é verossímil.
Esta semana também uma Deputada Federal passeando e usando os cofres públicos. Ah! Coitada, esta não soube ter um alguém que a defendesse, não conseguiu ter um documento forjado parecido com verdadeiro. Ah! Isto não acontece, não!
Sempre dizemos que a certos seguimentos quando querem problematizar um campo, geralmente é para deixar o inimigo frágil e achar que assim ele não poderá opor, pois dizem – “está sem moral, você não tem ética”.
Há certas coisas que independente de quem está defendendo, se tem moral ou não, como falara estes dias atrás o Ministro da Saúde: “A Igreja Católica é contra tudo, contra camisinha, contra pílulas, contra métodos artificiais. Ela não tem moral para falar sobre Aborto, se é lícito ou não”!
Argumento falho diria!
Pois é bom frisar que há questões que estão além de comparação, por exemplo – Entre o Direito da Criança (seja feto, embrião, zigoto, como queira chamar) que é um ser independente do querer da mãe, não se pode dizer que a Igreja na sua doutrina não possa defender, só por que na prática têm problemas de ordem moral. Uma coisa não fera a outra.
Diríamos até mais fundo! Podemos aceitar mudanças de hábitos, costumes (querer colocar a camisinha e outros métodos em pé de igualdade do Aborto, é um bom entendido!). Mas não deixar de defender aquilo que é mais primordial para toda a Natureza e a Natureza Humana; isto seria um confronto com aquele que gerou a vida por excelência – o próprio Deus.
Às vezes nos perguntamos e, se a Mãe Terra quisesse abortar todo ser humano que lhe ferisse, que busca só fazer o mal, será que não ficaríamos preocupados. Estamos ferindo ela e com isto nos apresenta conseqüências, mas não necessariamente nos aborta por praticarmos atos contra a vida.
No princípio do Senhor Ministro da Saúde, ele quer dizer que toda pessoa que tenha alguma incapacidade, não seja “perfeito” corre risco de não ter o que nos ensinar. Será???

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A arte de viver bem...

“O homem é algo daquilo que sabe de si. Ele não é um ser acabado, mas é um processo; ele não é meramente uma vida subsistente, mas está, dentro dessa vida, dotado de possibilidades, mediante a liberdade que possui de fazer de si o que deseja pelas atividades sobre as quais ele decida.” (Karl Jaspers)

Nos tempos em que o ser humano moderno ou pós-moderno vive tem uma problemática que lateja constantemente em seu pensamento – como viver bem?!
Ao se ler as revista semanais e outros tipos de periódicos observa-se o tanto de matérias como testes para ajudar o leitor ou a leitora a verificar sua forma de vida, se está adequada a uma realidade de bem-estar em todos os sentidos – físico, mental, sentimental, espiritual. Também nas emissoras de TV ou Rádio existem programas que trazem o tema sempre em evidência com auxilio da psicologia, da sociologia, da medicina, da sexologia e de outros campos da ciência que poderia trazer alguma informação importante para responder às questões que surgem no ser humano frente à arte de viver bem.
Contudo, não sabe mais o ser humano nestes tempos futuristas, do já e ainda não, das novas descobertas científicas, das contradições de teorias, como por exemplo, de dietas; o que fazer para viver bem, estar bem no tempo presente.
Ao observar o desenvolver do pensamento filosófico da humanidade, se passou do verbo “estou” para o verbo “estará”, do “sou” para o “será”; da dimensão “aqui” para a dimensão “lá”. Isto é, não se pensa mais no curto prazo, os projetos ficam no horizonte interminável – você conquistará!
Mas quando será este futuro que se transformará em presente?!
Será que não se está esquecendo de viver o presente e assim viver-se-ia bem?!
Quando observamos o passado, não existia o “instantâneo” e sim aquilo que era permitido realizar em tempo presente, e satisfazia de alguma forma o viver bem, pois se sabia que nem tudo era possível alcançar, por causa da temporalidade em vista do espaço breve de existência. Agora, se implantou uma busca “do como será” e o viver bem foi projetado para o futuro.
A arte de viver bem ficou ligada à questão de como passar os dias buscando respostas que poderão ser re-elaboradas a qualquer momento, basta surgir uma teoria nova.
Com isto, o ser humano moderno ou pós-moderno caiu numa encruzilhada de trocar às vezes o essencial pelo relativo e, com isto acaba não vivendo bem. Diga-se, por exemplo, ocupa mais o seu tempo em busca de bens materiais do que estar com as pessoas queridas e ainda justifica que é para poder auxiliar melhor a quem está se amando, no caso de uma relação familiar. E, assim por diante, vai trocando seu tempo presente por o amanhã eu farei e, acaba não fazendo, pois vão surgindo novas questões ou respostas evasivas que precisam ser preenchidas com outros argumentos e, assim acaba gastando seu tempo em busca do que nunca acha.
O que fazer então para a vida que é uma arte onde o ser humano é convidado a compor, desenhar ou melodiar bem para se satisfazer e dizer que é feliz e não será feliz?!
Uma dica seria tomar consciência de sua contingência, de que tendo possibilidades para realizar vários projetos ao mesmo tempo, precisa se fixar naquilo que o realiza enquanto pessoa, que o preenche de entusiasmo e alegria na arte de viver bem e não no pensar em que poderá viver bem. Então trocar o verbo do futuro pelo presente.
Começar a ter coragem de verificar depois do dia como está se sentindo, depois de um mês até três meses – para aquele projeto de médio prazo – como está interagindo, se percebe um crescimento em sua pessoa por estar gastando sua existência no desenvolver do mesmo. Enfim, saborear o verbo no presente – “sou”, “estou”, “faço” e “VIVO”.