quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Juventude e mudanças


“Em cada época há necessidade de adequar as concepções e as práticas de evangelização para se relacionar com os jovens. Se a Igreja apresentou uma proposta que se tornou predominante, não significa que todos os jovens tenham aderido a ela. Aprendamos com as conquistas e os erros passados. Nem tudo muda de uma época para a outra. Mudam, às vezes, os enfoques, o ponto de partida, alguns elementos da metodologia, sendo que outros permanecem. (CNBB, Evangelização da Juventude, n. 50)

De vez em quando há debates sobre a presença do jovem na Igreja; uns apresentam sinais de preocupação, de “pessimismo”; outros falam das novas formas que estes se organizam e se faz presente na vida da Comunidade Cristã, uma visão otimista.
A partir da experiência que estou a viver com os jovens aqui na Paróquia Sant’Ana, município de Canelinha, na Arquidiocese de Florianópolis, partilho algumas observações.
A primeira é que desde que surgiu o Discipulado Jovem, posso dizer que existe aqueles que se tornaram discípulos, isto é, são os que pensam, organizam e motivam aos outros a participar de uma atividade, de um evento. E, estes discípulos têm compromissos com a Igreja através da participação na missa, sua oração pessoal, dias de Espiritualidade em grupo e convivência para o fortalecimento da fé e do comprometimento com Jesus Cristo.
Depois tem os que se reúnem com estes discípulos em certos momentos, quando há uma atividade, um evento – que eles mesmos já pensaram e se organizaram. E, se antes os jovens se reunião na sala para debater como fazer, como organizar os detalhes e tais, hoje se tem a “internet”, as redes sociais, onde se interligam e ali mesmo se conversam e já propõem sua parcela de contribuição para que a tal atividade, o tal evento aconteça. Se antes estávamos acostumados a ver os jovens reunidos num determinado dia da semana, para orar e ao mesmo tempo debater e organizar ações junto a Comunidade. Hoje é bem mais rápida e ágil esta parte de organizar via tecnologia digital.
Isto não quer dizer que eles não se encontrem. Pelo contrário, o fato é que quando se encontram já está de alguma forma determinado o que vão fazer, qual o objetivo de estarem ali já está definido. Poderá é claro deste encontro também surgir outra ideia, outra ação a ser feita. E, assim acontece no cotidiano.
Isto não quer dizer que não participem da Missa Dominical. Pelo contrário, só que há uma liberdade maior, pois como o jovem de hoje tem condução (carro, moto) ou até maior facilidade junto aos amigos (alguém que tenha veículo) então se organizam também ou de participar na Celebração junto a sua própria Comunidade de Fé, ou aproveitam para passear e participam da Missa lá na Igreja desta cidade que estão passeando.
Outro fato curioso é que com as redes sociais eles leem e participam de debates ligados à religião, muitas vezes provocados por blogs ou outros que colocam temas ou textos relacionados à fé. E, uma das coisas que se observa também são pequenos slides ou mensagens que passam de um para o outro via redes sociais. Mesmo que seja uma “catequese gota a gota” ou “diluída” é fato o que está visível nas redes.
Todavia, não se perdeu completamente o sentido da responsabilidade social. Só que as ações de solidariedade são mais “instantâneas”, ou seja, sabe-se de uma necessidade, então se organiza a ação e se põem em prática.
Não se quer dizer que não se encontram em grupo, que não tenham o momento de estar juntos. O que se quer dizer que a metodologia é diversificada e tem a influência da época digital que se vive.
Sempre teremos os jovens da “massa” e os mais “discípulos-comprometidos”.
E há ambos precisamos sempre Evangelizar.

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