quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Ano Termina e Novo Ano se inicia

Tudo passa! Única coisa que não passa é a presença de Deus na vida do ser humano.
“Cantarei ao Senhor enquanto eu viver,
louvarei o meu Deus enquanto existir” (Sl 104,33).

Com esta certeza o cristão é chamado a festejar o fim de Ano e o princípio de outro Ano.
Festejar o fim de ano para o crente é agradecer as quantas vezes o Senhor Deus da Vida e da Esperança esteve presente, tanto nas alegrias e sonhos, como também nas dores e derrotas.
“O Senhor é verdade em suas palavras todas,
amor em todas as suas obras;
Senhor ampara todos os que caem
e endireita todos os curvados” (Sl 145,13b-14).

Festejar o fim de ano é louvar a Deus por tudo que passou e ao mesmo tempo lançar nele a confiança no que há de vir.
O cristão sabe que todos os dias vividos ou a serem vividos no próximo ano a Deus pertencem e, nesta perspectiva faz a prece do homem humilde que coloca toda a sua esperança nas mãos do seu Senhor.
O ser humano na sua natureza é um ser sonhador, empreendedor, insaciável.
Todavia seus sonhos surjam de uma íntima vivência com o seu Criador.
Que o fazer as coisas esteja imbuído do desejo sagrado do Reino de paz, fraternidade, solidariedade, reconciliação, doação, esperança, fé e amor.
A sua insaciável busca repouse serena no encontro e no relacionamento do aprofundar o mistério divino em si aberto para a alteridade junto ao diferente, mas que tem semelhança consigo.
E, assim viverá dias futuros com a serenidade e a sabedoria divina diante dos momentos que a própria vida lhe apresenta de conflitos e obstáculos a serem superados tendo o olhar no horizonte que sempre aponta para a Luz Divina que aquece, orienta e governa a quem a ela se inclina.
Festejar o início de mais um ano para o cristão é ver à sua frente novas possibilidades de poder exercer o bem e continuar a fazer parte do Reino de Deus.
Festejar o início de mais um ano é saber colocar tudo que espera junto Àquele que é o princípio e o fim, o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5). E, nele – com ele – por ele viver dias de justiça e de paz.

Feliz Ano Novo!
Agradecemos a você que colabora, participa e se integra à Família de Deus.
Agradecemos a você que retorna à casa de Deus.
Agradecemos a você que se disponibiliza a ser liderança da Comunidade junto ao Projeto de Deus, por intermédio da Igreja de Cristo impulsionada pelo Espírito Santo.
Agradecemos a você que se abriu ao espírito missionário e renovador da Paróquia.
Agradecemos aos dias que foram intensos da presença de Deus.

Convidamos a você para conosco louvor e bendizer ao Senhor.
“Louvem o nome do Senhor:
é o único nome sublime,
sua majestade vai além da terra e do céu,
ele reforça o vigor do seu povo!
Orgulho de todos os seus fiéis,
dos israelitas, seu povo íntimo. Aleluia! (Sl 148, 13-14).


sábado, 17 de dezembro de 2011

Natal se anuncia…

A Luz Divina invade os corações daqueles que desejam clarear suas vidas.
A Luz Divina irradia sua beleza impar àqueles que a acolhem ao contemplar o mistério.
A Luz Divina proporciona luminosidade certa e constante àqueles que se deixa guiar.
A Luz Divina é única, é presente de Deus à humanidade.

Esta Luz Divina é Jesus (cf. Jo 1,1-5).

Ao celebrar o Nascimento de Jesus a humanidade testemunha e crê que Jesus seja o Filho de Deus, o Messias tão aguardado e anunciado pelas profecias sagradas.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus cada pessoa de boa vontade quer se unir ao coro dos Anjos e dos Pastores para glorificar a Deus pelo presente manifestado aos homens e mulheres de boa vontade.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus o cristão afirma que quer seguir os passos daquele que lhe é dado como o Senhor, àquele que lhe é dado como o Príncipe da Paz, aquele que lhe é dado como Salvador.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus se propõe hoje acolher o dom da vida independente das circunstâncias em que nasce independente do status social, independente de raça e língua.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus quer se alegrar com aqueles que se apresenta no cotidiano da vida e, principalmente se dar a contemplar com maior apreço aqueles que são desprovidos dos seus direitos de cidadãos e cidadãs. E, como cristão se propõe a ser a manjedoura que acolhe e aquece a vida para poder se desenvolver com dignidade.
O cristão é convidado a ter os olhos fitos no Mistério da Encarnação.
O cristão é convidado a contemplar o presépio que remonta a passagem do Nascimento de Jesus.
O cristão é convidado a dobrar seus joelhos diante do ser que clama por um lugar na sociedade.
O cristão é aquele que motivado pela cena de Belém se lança a vivê-lo todos os dias de sua vida junto à comunidade de fé e testemunhar em gestos e atitudes reais do acolhimento da vida.

Vivamos o Natal do Senhor com alegria!
“Glória a Deus nos mais altos dos céus e paz na terra aos homens que ele ama!” (Lc 2,14)

Que este Natal do Senhor no início do Ano Litúrgico seja o convite de Deus para cada pessoa a continuar a aprofundar sua fé no seguimento de Jesus Cristo junto à Eclesia-Comunidade.
E que os que estavam perdidos ou desorientados possam a partir do Mistério da Encarnação fazer a experiência dos Três Reis Magos que depois de encontrar ao Menino na manjedoura seguiram outro caminho e não mais o mesmo caminho que trilhavam anteriormente.
Assim é o encontro pessoal com Jesus.
Mesmo que ainda ele não fale por palavras porque é apenas um Menino recém-nascido, mas ao olhar nos seus olhos tocará o mais íntimo da alma daquele que se depara em contemplá-lo.
Pois no percurso e no desdobramento do Mistério da Encarnação até chegar ao outro grande mistério da fé cristã o Mistério da Redenção se observará que todos os que se depararam com o Jesus Nazareno na maioria das vezes mudaram o percurso do caminhar dos seus dias.

Que Deus lhe dê esta graça!

Vivamos o Natal do Senhor na serenidade de Deus!
“Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito.” (Lc 2,19-20)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nem sempre é como se gostaria

O ser humano sempre tem certa angústia de pensar – nem sempre é como se gostaria que tal coisa fosse – isto é às vezes e quase diria sempre idealiza uma realidade que na vivencia do dia a dia percebe que não é tão fácil assim de chegar lá.

Esta constatação é complicada para aqueles que são demasiadamente perfeccionistas, pois dependendo da sua função e tempo disponível, vão sofrer com ansiedade, stress e outros males do mundo moderno, porque perceberá que não conseguirá realizar tudo como gostaria e, poderá ter a sensação de ter feito pouco e não se alegrarão com os passos conquistados. Também é complicada para aqueles que usam do lado adverso, ou seja, como já percebem de antemão que o caminho é longo para se chegar aonde se gostaria então resolvem usar de argumentos e artifícios para dizer que não dá para realizar, quase que impossível chegam a afirmar. E, assim aquilo que poderia ser melhor com a colaboração daqueles que têm talentos a serem partilhados e multiplicados se acomoda e cai noutros males do mundo moderno como a indiferença, a frieza e outros tantos sintomas de quem está desanimado e nem se importa em tentar mudar a realidade.

O sacerdote também sofre com os males do seu tempo. Pois ele está inserido no mundo e, absorve tanto as coisas boas como as coisas piores que o mundo a quem faz parte lhe “oferece”.

Aqui para não se deixar levar pela fala da constatação de que nem sempre é como se gostaria, o sacerdote é chamado a voltar para si mesmo e perceber, que a partir dele enquanto pessoa humana com suas limitações, pequenez, Deus faz acontecer suas proezas divinas.

À medida que o sacerdote toma consciência de que ele como filho de Deus, que também é chamado à santidade e, no entanto, nem sempre é como se gostaria, todavia, Deus acredita e o reveste de sua graça divina para ser instrumento em suas mãos e assim tornar-se servo deste mesmo Deus que o conhece por dentro e sabe de que argila ele é feito.

O sacerdote não está livre deste conflito entre como se gostaria que tal coisa fosse ou estivesse e como o encontra no percurso do exercício do ministério sacerdotal. No entanto, inspirado na espiritualidade que cria com o Mestre Jesus que o alimenta com sua Palavra e Sacramentos, por excelência o da Reconciliação e o da Eucaristia, encontra pelo caminho do exercício do ministério força e determinação para permanecer sereno e fiel ao projeto do Pai.

Como diz o Apóstolo Paulo, “somos vasos de argilas que carregam tesouros” (cf. 2 Cor 4,7), assim cada padre deve se colocar a partir de si mesmo e perceber o quanto Deus também gostaria que fosse e, muitas das vezes, o padre não o é – mas jamais deixa de utilizá-lo para a santificação do povo escolhido na vivencia e na prática do Evangelho.

A fragilidade humana é revestida da graça sacerdotal, pois é o próprio Cristo Sacerdote que por intermédio do discípulo escolhido é que se faz sinal de graça para os necessitados da restauração, da misericórdia e da libertação. Assim é a pessoa do padre que por primeiro sente em si a graça divina que lhe transforma e o convoca a conversão no viver o Cristo. Sempre com serenidade, sem alarde e com humildade interior. Pois só Cristo é o modelo a ser seguido por todos os homens e mulheres, crianças, jovens e idosos.

Jamais Deus deixa inacabada a obra que começou.

O padre é um homem confiante nas palavras do Senhor – “Eu estarei convosco até os fins dos tempos!” (Cf. Jo 14,18)

O fato de nem sempre é como se gostaria não pode desanimar ou deixar as coisas acontecer como se nada fosse possível transformar.

O padre é o homem da esperança.

O padre é o homem que apresenta o horizonte.

O padre é o homem que não se deixa abater pelas adversidades.

O padre é o homem limitado que confia no infinito de Deus.

O padre é aquele sempre dirá vale a pena em – com – por Cristo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aproveitar o tempo…

“Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecl 3,1).

Encontra-se esta frase no livro do Eclesiastes e em seguida nos próximos versículos fala das diversas situações em que o ser humano vive e, no entanto, como diz os estudiosos, mesmo que se viva só o tempo presente, mesmo assim ali não encontra felicidade se na base de tudo não estiver Deus. Pois é Dele que vem toda a graça (cf. Ecl 3, 12-13).

Contudo sempre há este dilema de saber aproveitar bem o tempo que é dado a cada dia que se acumula em meses, em anos de existência.

Como achas o equilíbrio entre o trabalho, a espiritualidade, o lazer, a família entre tantos outros ofícios que a própria vida vai impondo de acordo com as funções e responsabilidades que se aceita no percurso da vida?!

Existe sempre uma inquietação para o religioso e isto fica até expresso na vida de alguns santos da Igreja, como relacionar o tempo de oração e o tempo de trabalho?! Como ter a certeza que se está no lugar certo?!

Diz o refrão de uma música vocacional: “Quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar.”

Qual é o lugar dentro to tempo dado naquele dia?

O religioso sempre é pego no ativismo, pela rotina, pelo cansaço diante de tantas tarefas e solicitações feitas durante o dia, a semana, o mês e ano.

Esta inquietação pode ser sadia até certo ponto, se pode afirmar. Isto é, a tensão entre o ponto que se está e onde se é projetado a chegar faz parte. Mas o perigo é se deixar dominar pela preocupação de que tem que responder a tudo e a todos.

Aqui se faz necessário buscar critérios que estejam baseados em valores. No caso do religioso, os valores provem do Evangelho, das orientações da Igreja de Cristo. A partir dali encontrará pontos significativos que o ajudam a trabalhar seu interior no sentido de aproveitar da melhor forma o tempo sem o cair na estafa, sem cair na angústia, sem cair na perda do rumo do viver “por Cristo, em Cristo e com Cristo” (Doxologia Eucarística).

O viver o tempo presente sempre é um dilema, porque como o religioso entre tantas vezes, tem que estar à frente de comunidades, de pessoas, e tem o encargo de planejar com os mesmos o percurso dos projetos a serem desenvolvidos num determinado tempo, pode ter a sensação de que passou muitas horas de nada ter feito e, na realidade já tem feito muito.

A forma de como faz, ou seja, a intensidade de como faz é que vai pesar no avaliar do aproveitar o tempo. Porque não adianta fazer muitas coisas e, no final está mais para um funcionário do divino que um homem de imbuído do divino; de estar mais para um religioso cumpridor de tarefas do que transpirar a intimidade de sua relação com Deus.

Ao se olhar a vida de Madre Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce, de Dom Helder Câmara se percebe uma riqueza de “algo mais” para oferecer. E, se olhar cada um deles se poderia perguntar: - Mas será que a inquietação os deixava desnorteado?

A inquietação deles repousava na presença daquele que é o Senhor da vida e da Morte (cf. Sl 90).

Santo Agostinho diz: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz. (...) Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti" (Confissões).





























sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A vida é breve

Isto todo mundo sabe, a questão é como internalizar esta realidade no dia a dia para valorizar a cada instante, a cada ato vivido individualmente ou em relação a tudo e todos que nos cercam.

Quando vejo um passarinho a cantar ou à busca de alimento, me pergunto quanto tempo ele já tem vivido?! Ele não tem as neuras que o ser humano tem de preocupar-se como o tempo que lhe resta?!

Tanto nos salmos como no Novo Testamento se encontra textos em que fala do se deixar tocar pela Providência Divina. Basta lembrar a passagem em que Jesus diz “não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem como o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta” (Mt 6,25-26). Ou o salmista no Salmo 127,1-2: “Se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os construtores; (...) É inútil que madrugueis, e que atraseis o vosso deitar para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado ele o dá enquanto dorme!”

Certa vez ao ler um livro do Darcy Ribeiro, antropólogo que conviveu e estudou o comportamento de muitas tribos indígenas relatou a carta de um dos índios que questionava porque os brancos extraíam da terra mais do que o necessário para sua sobrevivência, porque acumular se a própria mãe natureza dá aos seus filhos?!

A relação dos índios com a natureza é de uma grandeza, de um respeito profundo.

O intrigante é que quando o ser humano moderno escutar dizer que a vida é breve lhe causa um impacto adverso dos pássaros e dos índios, tenta extrair o máximo possível, mas com a característica do exagero, da extravagância, da destruição e assim, causa mal até a si próprio.

O coração do padre pode cair neste emaranhado de achar porque a sua vida é breve, a sua vitalidade é curta, tendo uma visão da utilidade que o mundo prega – você é útil enquanto produz! – ele cai na tentação de ficar muito superficial no seu fazer as coisas. Como também pode esquecer que é um ser humano como sentimentos, preso ao tempo e espaço e, acaba estourado no físico, psíquico e espiritualmente – um padre quebrado como caniço levado a zuir sem fazer o efeito preciso.

A dinâmica do padre é diferente daquela causada ao ser humano moderno quando escuta que a vida é breve. O seu coração repousa no Senhor e sua confiança está naquele que o alimenta, o próprio Deus (cf. Sl 23; 2 Cor 5,15).

A tentação é que muitas das vezes quando se está à frente de uma ação evangelizadora se quer o efeito imediato, como se fosse uma obra realizada tecnicamente e, na real o papel principal é preparar o terreno para que o Espírito do Altíssimo tenha um campo bom para fecundar os seus dons. Talvez para dizer que foi no seu tempo que tal obra se realizou, como se isto contasse aos olhos de Deus. Na realidade é uma visão do mundo ainda impregnada no sacerdote. Aqui exige um desprendimento nas mãos de Deus. Lembra o Evangelista Marcos “Acontece como Reino de Deus o mesmo que com o homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como”(Mc 4,26-27).

O padre é chamado a viver a brevidade com serenidade de um passarinho que canta e louva ao Criador por que está ali, todo para o momento presente, no movimento natural da vida presente na natureza. E, quando chega o fim do dia, ao deitar não deverá se perguntar quantas missas celebradas, quantos sacramentos realizados, quantas entrevistas ou atendimentos feitos e outras tantas coisas que seu ofício lhe exige; porém, ao deitar pode oferecer mais um dia vivido sob a graça de Deus na tentativa de ser uma pequena presença do Cristo junto às pessoas e à própria natureza que o circunda – “Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podes fazer” (Jo 15,5).


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A coroa do Advento

Um dia destes um jovem me fez um comentário: “Padre, havia um pároco que quando chega o Tempo do Advento colocava a coroa pendurada e ficava estranho!” Hoje ao entrar na capela do Mosteiro Trapista, durante um momento após a oração das Vésperas, enquanto tentava orar ao olhar para o lado vi a Coroa do Advento pendurada e lembrei o que o jovem rapaz tinha me dito dias atrás.

E, me fez relembrar a figura daquele tal pároco que tinha este costume de pendurar a Coroa no presbitério na Igreja Matriz. Este padre hoje não exerce mais sua função como presbítero da Igreja e então voltei meus pensamentos à vida sacerdotal – o que significa ser padre da Igreja de Cristo? Por que Ele escolhe determinado jovem para si? E, porque alguns no percurso perdem o encanto em servir a Cristo no ministério sacerdotal?

Fez-me lembrar o título do livro que tento escrever – “O coração de um sacerdote” – e, cada vez que me deparo com este título me pergunto o que escrever como começar ou o que colocar ali no papel. O que o Senhor quer que seja escrito?! Que sentido dar, entonação? Enfim, tantas indagações.

E estou aqui novamente a digitar...

Estes dias dizia para uma família amiga e estavam presentes também dois seminaristas de filosofia que fazem estágio pastoral onde sou pároco: Penso às vezes em escrever um livro mostrar que ao mesmo tempo é um mistério assumir o ministério sacerdotal e, tão grandioso, tão comprometedor, tão desafiador; todavia, tentar passar para as pessoas e, principalmente, para os jovens que a gente na fragilidade, nas pequenas, nos obstáculos algo inexplicável – a presença divina do Mestre, o Espírito Santo que se manifesta. E, é tão dignificante que ao mesmo tempo em que estou no mundo, faço parte do mundo, vivo as angústias e alegrias dos que me cercam, porém tens “algo a mais”. E, este “algo a mais” não no sentido de poder, de status, mas sim no sentido de que algo me fortalece algo envolve para testemunhar que é possível ser diferente ou apresentar algo de diferente para as pessoas.

A Coroa do Advento remonta a idéia de um tempo que se aproxima e, existe um ponto de partida e de chegada. E, nesta chegada se vive a maravilhosa alegria do Deus que se revela aos seus no gesto de tornar-se um com todos, exceto no pecado.

Talvez se pudesse dizer que um jovem também ao preparar-se para o sacerdócio sabe o ponto de partida e o ponto de chegada, no sentido da caminhada para assumir em Cristo o sacerdócio ministerial, com objetivo de se deixar consumir até os fins dos tempos na perspectiva de ser uma centelha de luz no mundo e clarear aos semelhantes para conhecer a verdadeira Luz – Jesus Cristo.

O pároco que o jovem relembrava tinha um dinamismo junto ao povo e, talvez usava a criatividade de pendurar a Coroa do Advento para tentar evidenciar o que a própria vem anunciar, tanto no relato da primeira como da segunda espera do Messias. Porque se a Coroa do Advento estivesse fixa ao chão como é costume se ver nas Comunidades tem um sentido diferente do estar suspensa no ar.

O estar suspensa no ar, poderia aquele pároco querer dizer ao povo que é Deus que vem e invade a criação; o Altíssimo tornou-se um das criaturas; “Ele de condição divina esvaziou-se e tornou-se um de nós” (cf. Fl 2, 6-11). A Luz invadiu as trevas; o nada foi preenchido pelo tudo de Deus; O Espírito encarnou-se (cf. Jo 1,14ss).

Assim, se pode chegar a dedução de que ao olhar para a Coroa do Advento, todo cristão sabe que há um ponto de partida e um ponto de chegada e, neste processo a Palavra Divina afirma que Deus quer invadir a humanidade no centro em cheio com seu esplendor e, no entanto, está luz só pode ser acolhida se o espaço do coração humano estiver livre, sem obstáculos, sem a tentação de querer fixá-lo e, sim deixar o Espírito mover de acordo com sua vontade.

Ao olhar para a Coroa do Advento suspensa no ar pode suscitar a sensação de ausência, mas na real ali está o pleno. Pois, o Espírito só age quando o ser humano está livre das amarras, das armadilhas que a matéria o seduz. O Espírito só age quando o ser humano se deixa mover sem medo de viver na liberdade de Deus como quem se lança no vazio na certeza de que lá vai encontrar a mão sustentadora de Deus.

Não sei dizer qual motivação real que aquele pároco teve para colocar a Coroa do Advento suspensa, como também não sei a real motivação que fez o mesmo padre deixar de exercer na plenitude o sacerdócio ministerial junto aos seus. Mas talvez eu saiba o quanto tenho que me trabalhar para não me prender em mim mesmo e assim ficar parado entre o ponto de partida e ponto de chegada; entre o ter me lançado em Cristo e às vezes ficar fixo em projetos pessoais; o de achar que já cheguei e na realidade tenho muito ainda que caminhar para chegar ao ponto de chegada – a santidade em Deus.

O caminhar com o padre

A dificuldade de falar ou de relatar como é o coração de um padre, porque fico a imaginar quem vai ler os escritos, qual a busca que o leitor/a tem; como também, como colocar em palavras ou o que expor que seja de significância, de importante a ser revelado, sem trocar o significante pelo que pode ser relativo. Todavia, também aqui surge outra questão, pois como o ser humano é variado nas suas buscas, a partir de cada pessoa que vem de realidades das mais diversas e com isto tem as mais diferenciadas buscas, poderia afirmar o que para um seria relativo para outros tantos seria importante e vice-versa.

Diante disto me veio o pensamento de que poderia convidar a cada leitor/a, isto é, você que lê estas linhas neste exato momento a começar comigo um caminho.

Há alguns anos atrás li num jornal local a experiência de que crianças da escola pública municipal participavam de um concurso e, algumas delas que ganhassem o referido concurso teriam como prêmio o acompanhar de um dia do Prefeito daquela cidade. Isto é, ficaria com o Prefeito e com o mesmo seguiria toda a agenda de um dia. Experiência interessante para a criança e ao mesmo tempo uma aproximação da autoridade junto àqueles que o elegeram. Também interessante, porque sendo a criança um ser em crescimento, o Prefeito teria ter ciência que estava ali sendo uma referência para aquela criança no sentido de ter caráter, de ter um perfil que instigasse a criança a perceber a dignidade de exercer o encaro de governar um município com transparência, honestidade, retidão, humildade, firmeza e tantas outras características necessárias a um governante. O Prefeito ao se expor para aquela criança exigia de si mesmo um autoconhecimento, uma autocompreensão dos seus atos e do que isto intervém nas vidas das pessoas, de modo bem próximo, como daquela criança “o pequenino cidadão”.

Então, convido você leitor/a caminhar comigo e juntos construirmos o livro “O coração de um padre”. Pois acredito que assim ambos cresceremos e aprenderemos o significado do significante “coração sacerdotal”.

Sei que é desafiador, pois estou propondo-me a partilhar com você as angústias e alegrias, os desafios e as conquistas, os sonhos e esperanças a partir da dinâmica do cotidiano, no encarnar a “teoria” à prática. Coloco “teoria” entre aspas, pois o ministério sacerdotal não é apenas uma “teoria” construída por um filósofo ou teólogo, mas é transmitida do Evangelho aos seus discípulos, é um ministério presente deste os primórdios do Cristianismo e tem uma vasta riqueza através dos séculos de exemplo de Santos Padres junto ao pastoreio do Povo Santo de Deus.

Também quero dizer que dentro deste desafio temos limitações, pois existem certos sentimentos ou comportamentos que nunca conseguirei transcorrer com exatidão, pois desde que passe da “real” realidade para o “simbólico” da escrita, se perde a vitalidade que só se vive enquanto tal. É o “misterium” que ultrapassa a todos os sentidos. E, como também cada leitor/a tem seu “’óculos” de leitura; isto é, cada um traz em si, elementos que estão impregnados em si e que de alguma forma interferem positiva ou negativamente no envolver-se da leitura de quaisquer textos.

Mas mesmo ao saber deste desafio e de outros que se contrapõe, convido a seguir em frente. Jamais desanimar de caminhar com este servo do Senhor, que se propõe a partilhar com singeleza da vida sacerdotal sem o intuito, de se colocar como exemplo e muito mesmo com intuito de ser referencial, apenas o desejo de tentar mostrar aos jovens, de modo especial, aqueles que se sentem chamados à vida consagrada no ministério sacerdotal, que ao mesmo tempo tudo parece ser um mistério divino, mas é possível vivê-lo no cotidiano, na graça de Deus, se dando o direito de errar e acertar, na certeza de seguir os passos do Mestre que se coloca à frente – o Sumo e Eterno Sacerdote.

Caro leitor/a vamos construir um pouco nosso itinerário para não nos perdermos pelo caminho. Até porque conto com sua colaboração e participação. Você poderá também intervir com suas colocações, observações e questionamentos. E, dentro da possibilidade que o Espírito do Senhor me conceder, tentarei apontar a direção para as questões que se apresentarem pelo caminho.

No seminário, enquanto se está no processo de formação/educação daquilo que se faz necessário para o candidato ao sacerdócio, uma das propostas é que o mesmo desenvolva seu projeto pessoal de vida. Talvez esteja aqui o ponto de partida para o itinerário que eu e você vamos caminhar.

Um horário ou cronograma é bom ter, pelo menos um esqueleto geral, para uma direção, senão corresse o risco de passar o dia só “apagando fogo”, ou seja, resolver questões corriqueiras e não progredir. Ah! Isto me fez agora perceber que preciso contextualizar o leitor/a de que encargo este padre exerce além de ser sacerdote da Igreja de Cristo.

Atualmente sou pároco de uma paróquia não muito grande e nem muito pequena, tem dez comunidades pertencentes à referida paróquia e, no futuro deverá ter mais uma em vista diante do crescente de pessoas num determinado bairro do município. Tem o município uma média de doze mil munícipes. E, além da Igreja Católica, sendo ainda a comunidade mais expressiva, a segunda é a Assembléia de Deus e depois outras denominações religiosas de cunho evangélico. A constituição do Povo de Deus provém de etnias italianas, alemãs, luso-portuguesa, pouquíssimos afro-descendentes.

Diria que no nosso cronograma seria interessante se firmar um horário para você interagir com o que deixo escrito aqui.

Para mim, fica melhor partilhar o texto do dia após 22horas, quando geralmente já estou dentro de casa. Então aconselho a você se interar do dia que transcorreu no dia seguinte. Assim, terá uma melhor sistematização e acompanhamento do desenrolar dos escritos.

Proponho colocar sempre este texto no blog particular – marctelltj.blogspot.com com aviso no faceebock. O email particular é marctelltj@hotmail.com onde você poderá escrever suas observações, dúvidas ou colocações sem receio, pois não exporei ninguém e, quando achar pertinente colocarei o assunto em pauta para partilhar com outros leitores/as que talvez tivessem a mesma percepção, mas por algum motivo não se manifestaram e, no entanto, podem se sentir acolhido quando responder a tais e-mails.

Creio que de início esta de bom tamanho as orientações do nosso cronograma geral. E, você já poderá fazer presente sua primeira participação e enviar e-mail e dar seu parecer.

Que Deus nos dê no seu Espírito discernimento e aptidão para que este desejo que a tempo brotou no coração deste padre, seja realmente da vontade divina, pois posso partilhar que há muito tempo esta inquietação me invade o coração e, no verão passado ao caminhar pela praia num fim de tarde, suscitou o nome do livro – “O coração de um padre”. E, de lá para cá cada vez mais esta inquietação me provoca a necessidade de iniciar. E, talvez junto com o desabrochar do Advento do Natal do Senhor neste novo ano litúrgico que se inicia justamente o Ano B que traz a figura do Evangelista Marcos que retrata sobre Jesus no processo do Caminho chegou a hora de começar o desenrolar do caminhar com o “coração de um sacerdote”.

Maria, nossa mãe esteja como nossa advogada e orientadora.

Ainda quero invocar a São João Maria Vianney, São Francisco de Assis e São Bento.

Amém.





































sábado, 26 de novembro de 2011

Advento, novos ares se aproximam


Um novo ano litúrgico se inicia com este primeiro domingo do Tempo do Advento.


E a Igreja propõe a cada ciclo litúrgico o encontro do discípulo com aquele que é o Senhor, “Aquele Que É” abre sua tenda no meio do seu povo (cf. CNBB, DGAE, n. 37).


A Palavra de Deus já de imediato na liturgia da Missa deste Domingo do Senhor pede aos fiéis a VIGILÂNCIA. E, faz ressaltar que este Espírito Vigilante só o tem quem se deixa tocar pela revelação da Sagrada Palavra que não ilude, mas é clara e precisa nas suas orientações.


Neste sentido o Advento, este tempo de Espera é propício para abrir todos os sentidos na busca de a Palavra de Deus permear todo o ser e ao chegar ao âmago para ali se enraizar e fazer sua morada.


Muitas pessoas nestes próximos dias fazem reformas nas suas casas, desde aqueles que constroem sua primeira casa própria, como aqueles que dão um novo toque, uma nova pintura, aquisição de novos bens e por ai em diante. Muitas pessoas começam a passar pelo comércio e observar as luzes, os presépios, os mais diferenciados pinheiros, os variados utensílios que podem virar presente para alguém – amigos, parentes, filhos, pais, namorado. Muitas pessoas percebem pelo agito das rodovias que chega o fim do ano, pois os fluxos de veículos em determinadas direções como as praias, shoppings, centros históricos das cidades iluminadas, recebem uma maior quantidade de visitantes. Muitas pessoas sabem que algo muda, porque a natureza dá sinais através do cantar dos pássaros, das cigarras a cantar, do calor mais rigoroso, da lua mais brilhosa.


Enfim, existem diversas formas de se perceber um novo ar que se aproxima.


Os cristãos também vivenciam este ar de que algo se anuncia, de que algo se aproxima ao participar das Celebrações Dominicais. Em cada comunidade se acolhe as Velas do Advento e a cada uma acesa se diz que o grande dia se achega para ser vivido com alegria, com ternura, com gratidão, pois é o grande acontecimento da revelação divina que se vive – o Mistério da Encarnação, o nascimento do Deus-Menino.


Que você e eu não deixemos de sentir estes novos ares que se aproximam.


Que o agito do dia a dia não tire de nós cristãos a centralidade do Tempo do Advento – o da Espera, o da Esperança de viver envolvido por este Deus que quer caminhar com os seus e ensinar o caminho da Vida e da Esperança.


Que o mundo não se deixe iludir por uma festividade externa e vazia só de banquetes e troca de presentes, todavia se deixe surpreender pela manifestação daquele que deseja ardente estar conosco todos os dias até os fins dos tempos – o Emanuel, o Deus conosco.


É Tempo do Advento.


É tempo de espera e vigilância.


Que a Palavra de Deus seja a fonte para viver este grande mistério de amor e de gratuidade. Que a Palavra de Deus seja o alimento para nos deixar como sentinelas vigilantes e glorificar por estar acordados diante daquele que se anuncia como o Salvador.


Estes ares se aproximam.


Aproxime-se daquele que é a brisa divina – Cristo Jesus.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Finados


Data que marca e mexe com muita gente.
Data que para outros não passa de um mero feriado.
Data que para tantos outros não deixa de ser mais um dia como qualquer.
Data que expressa um momento de reflexão para quem reflete sobre a vida.
Data que exprime um sentimento de perca para quem ama e partilha o viver.
Data que significa fé na vida eterna.
Fato é que cada ser humano se relaciona com esta data a partir do seu ponto de vista, a partir de sua forma de encarar a vida.
Finados é uma data em que as pessoas vão aos cemitérios colocar flores, acender velas, ficar em silêncio diante do jazido da pessoa que já partiu.
Finados é uma data em que as pessoas encontram nos cemitérios não só os locais onde estão as pessoas que já partiram, mas reencontram amigos que em algum momento partilharam o viver, reencontram parentes e familiares que se distanciaram por motivos diversos e, assim acabam às vezes a se encontrar neste percurso.
Talvez e, com certeza existam pessoas que não vão ao cemitério e nem a Igrejas orar pelos que já partiram.
Talvez e, com certeza existam pessoas que neste dia prefiram o barulho, o movimento dos shoppings para não deixar o seu interior falar e levar a uma reflexão da sua transitoriedade, da sua fragilidade.
Todavia, indiretamente também perceberá que tudo é passageiro nesta vida.
Basta olhar os modismos que os shoppings apresentam.
Basta perceber a si mesmo que antes tinha tal idade e agora já está noutra fase da vida.
Pode não querer parar para refletir sobre o que é viver, como viver, no que acreditar...
Contudo, o próprio viver de alguma forma lhe jogará para esta reflexão que o dia de Finados propõe a todo ser humano.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Comunidade reunida e fortalecida pela Palavra de Deus


O cristão católico tem dificuldade às vezes de perceber que Deus o alimenta através de sua Palavra Sagrada.
É preciso reencontrar o significado de viver em Comunidade Cristã e para tanto só tem uma fonte segura – a Palavra de Deus.
Muitos grupos de pessoas se reúnem em torno de uma causa, de um ideal, de um objetivo. Basta olhar as associações e organizações das mais diversos presentes na sociedade. No entanto, tem algo que difere estes grupos com suas finalidades das Comunidades Cristãs? O que é diferente?
De imediato se pode dizer que a diferença está naquilo que é o alimento, o sustento, isto é aquilo que é fonte inspiradora. Para estes grupos e associações da sociedade são situações ou valores que fazem com que eles se mantenham vivos. Já na Comunidade de fé o que alimenta e sustenta é o próprio Deus com sua Palavra. E, aqui já tem uma grande diferença, porque a Palavra de Deus é por si inspiradora para uma vivência que traz benefícios não só para aquela pessoa, aquele grupo, mas para todos que quiserem se deixar alimentar por ela. E, por ser de Deus esta Palavra nunca caduca, nunca esta desatualizada, nunca deixa de ser verdade, nunca esta fora do contexto das aspirações humanas. Sempre vem ser uma luz para aqueles que querem viver no bom caminho e fortalecidos na família de Deus.
A Comunidade de fé só consegue viver unida e fortalecida se abastecida por esta Palavra divina. E, como fazer para que isto aconteça?
Basta às pessoas ofertar do tempo que Deus lhes dá para estar unidos em torno desta fonte e ali juntos orarem a Palavra divina e se abastecerem, seja através dos Grupos Bíblicos em Família, seja na Leitura Orante Diária da Palavra; o que é necessário que as pessoas se encontrem como Comunidade de fé e busquem conhecer os ensinamentos de Deus. Também deixem a Palavra ser o alimento. Isto é, quando ingerimos um alimento para o corpo, se faz necessário mastigá-lo bem e, depois deixar o próprio organismo continuar o processo para que absorva os nutrientes necessários para se tornarem em energia para o corpo. Assim também é preciso em relação à Palavra de Deus. As pessoas precisam mastigar bem, e para isto tem que sentar-se ler e ler e ler; deixar o Espírito de Deus auxiliar; meditar, partilhar com os outros ali presentes e contemplar tudo que fora falado. Depois no silêncio deixar a própria Palavra ser digerida pelo ouvinte para que no seu íntimo a Palavra se traduza em energia para direcionar as ações deste ouvinte.
A proposta dos Grupos Bíblicos em Família é motivar em pequenos grupos, os filhos e filhas de Deus se alimentar da Palavra de Deus. O vizinho com os vizinhos sair do seu mundinho e, juntos partilhar e compartilhar o que o Espírito do Senhor suscita ao orar a Palavra divina. E, deixar o próprio Espírito direcionar as ações da Comunidade de fé em prol dela mesma e de todos que a rodeiam e assim vivam o amor divino que brota do Deus da Vida e da Esperança.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O mistério do chamado que Deus faz


“Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja dever oferecer às pessoas e nações. (...) Aqui está o desafio fundamental que afrontamos: mostrar a capacidade da Igreja promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida e comuniquem por toda parte, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo.” (Documento Aparecida, n. 14)
Viver o mês de agosto, ao dar destaque a VOCAÇÃO, significa se debruçar numa relação intima entre o Criador e criatura, entre o ser que ama e o ser amado, entre aquele que chama e o que responde SIM ou NÃO ao chamado. Isto é, uma relação dialogal entre duas vertentes que por algum momento se cruzam e deste encontro surge uma perspectiva nova ou não de vida, um projeto a ser vivenciado a partir daquele encontro.
Diz o parágrafo acima citado do Documento de Aparecida, que aquele que é chamado se torna instrumento nas mãos do Espírito de Deus por intermédio da Igreja com a finalidade de apresentar Jesus Cristo à humanidade. E, em seguida traz alguns verbos intrigantes. Contudo, já nesta primeira afirmação surge uma pergunta: O que é ser instrumento nas mãos do Espírito de Deus na Igreja?
Quando se tem um instrumento de trabalho ou se busca adquirir um, sempre se vê a qualidade do mesmo, sua durabilidade, resistência, se é o melhor; enfim, na aquisição de um instrumento para exercer uma determinada função ou várias funções, sempre se quer o melhor. Interessante observar pelas escolhas que o Senhor faz para serem instrumentos em suas mãos. Ao se olhar os personagens bíblicos, quantos que chegaram a expressaram publicamente não serem capaz ou não estarem aptos a partir de suas próprias concepções ou no seu modo de agir apresentavam falhas. Só para lembrar alguns deles: Moisés, Jeremias, José, Davi, Pedro, Tomé, os irmãos Tiago. E, depois no início do Cristianismo alguns dos Santos Padres, como Santo Agostinho se assustar com a função de ser Bispo da Igreja. Então se diria que Deus age num certo paradoxo. Por que quem se habilitaria como o melhor instrumento em suas mãos? Aqui cabe a frase do Apóstolo Paulo, “a escolha de Deus não depende da vontade ou dos esforços do ser humano, mas somente de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9, 16).
Depois o parágrafo do Documento de Aparecida continua – “Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão (...) para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos.” Dentro deste pensamento se poderia fazer outra pergunta: o encontro com Jesus Cristo faz com que a pessoa tenha a prioridade de apresentá-lo a todos? Ou isto é só para poucos?
Esta resposta se encontra no parágrafo n. 144 do Documento de Aparecida: “Ao chamar os seus para o sigam, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28,19; Lc 24,46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo que o vincula a Ele como amigo e irmão. Dessa maneira, como Ele é testemunha do mistério do Pai, assim os discípulos são testemunhas da morte e ressurreição do Senhor até que Ele retorne. Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma.
Então se faz valer a letra da música do Padre Zezinho: “Jesus Cristo me deixou inquieto nas palavras que Ele proferiu. Nunca mais eu puder olhar o mundo sem sentir aquilo que Jesus sentiu.”
O mistério do chamado que Deus faz ao ser humano está em que O encontre e tenha uma relação profunda e íntima e, ao se deixar seduzir não exitará em seguí-Lo porque O ama e vive numa profunda ligação – O adora – e, O anuncia na comunicação com os outros seres humanos, independente de classe, raça ou lugar. Pois a prova de seu Amor para com Jesus Cristo perpassa na relação com o outro como nos alerta o Discípulo do Amor, “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 Jo 4, 20-21).

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Maria, Mãe do Povo de Deus


“Enquanto peregrinamos, Maria será mãe e educadora da fé (cf. LG 63). Ela cuida que o Evangelho nos penetre intimamente, plasme nossa vida de cada dia e produza em nós frutos de santidade. Ela precisa ser cada vez mais a pedagoga do Evangelho na América Latina (...). Marca o Povo de Deus” (PUEBLA 290).
Para o povo latino-americano, a Virgem Maria tem seu espaço dentro do plano de salvação. Ela é medianeira, ou seja, está entre os homens e mulheres errantes e a pessoa de Jesus Cristo, o Salvador, que morreu para resgatar a todos os pecadores. Ela se faz próxima, como peregrina – caminha, sofre, consola, orienta – não deixa nenhum dos irmãos e irmãs de Jesus, consequentemente, filhos e filhas desamparados.
“Neste parto, sempre renovado, Maria é Mãe. Ela gloriosa no céu, atua na terra. (...) seu grande cuidado é este: que os cristãos ‘tenham vida abundante e cheguem à maturidade da plenitude de Cristo (Ef 4,13) (PUEBLA 288).
Como filhos e filhas, ao viver em torno da mãe Maria, o povo de Deus busca viver no seu cotidiano esta dimensão da fé, no intuito de conseguir perpetuar o projeto do Reino de Deus no percurso da humanidade.
Maria educa o povo latino-americano a escutar a voz do Bom Pastor, Jesus Cristo. E, nesta escuta a colocar em prática seus ensinamentos. Ao mesmo tempo se pode dizer o povo de Deus quer viver a liberdade cristã com dignidade na busca de romper com todos os elos que oprimem e escravizam os filhos de Deus. Basta olhar os títulos dedicados à Maria junto ao povo latino-americano. Cada um dos títulos vem fazer expressão de uma realidade que precisa de conversão, de purificação, de transformação.
Dois exemplos se podem citar: a Padroeira do Brasil – Nossa Senhora da Conceição Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe. Duas realidades em que a pessoa humana era desfigurada em relação ao plano de Deus. Duas realidades em que se mostrava a pobreza humana.
E, até hoje Maria é invocada por muitas pessoas que vivem excluídas de uma convivência digna, tendo seu espaço reconhecido e sendo reconhecida como pessoa humana.
Maria ao dizer aos servos das Bodas de Caná que deveriam fazer tudo o que Jesus lhes pedisse (cf. Jo 2,5), diz hoje a cada pessoa humana para continuar a colocar-se a serviço do Reino de justiça, de solidariedade, de fraternidade e de paz.
Celebrar o Mês Mariano é trazer à tona a pessoa de Jesus Cristo como aquele que manifesta a vontade do Pai – que todos sejam filhos e filhas de Deus.
Ao olhar as imagens esculpidas de Maria que traz a pessoa do Menino Jesus junta, na maioria delas apresenta o Filho a quem se depara com Maria.
Que cada um ao se deixar tocar por Maria saiba que é chamado a encontra-se com Cristo e ao mesmo tempo tornar-se um discípulo a exemplo de Maria, que não prende Jesus para si, mas oferece ao mundo.
Maria Santíssima ajude às pessoas que vem ao seu encontro redescobrir a fé no seguimento de Jesus Cristo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ressuscitar com Cristo Jesus…


Usa-se muito a expressão “se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele” (Rm 6,8).
O que significa ressuscitar em Cristo Jesus nos dias de hoje?
Uma pergunta fundamental para os cristãos que vivem a mística da Semana Santa.
Diz os textos sagrados que os apóstolos e as mulheres fizeram uma experiência da ausência do corpo do Senhor. Se já estavam com medo de serem também pegos pelas autoridades locais, muito mais devem ter ficados apavorados por que encontraram só o túmulo vazio (cf. Lc 24,5-6). Mais tarde o próprio Ressuscitado começa a aparecer ao grupo dos apóstolos e aos discípulos e discípulas (cf. Lc 24,34; Mc 16,1; 1Cor 15,5) lhes desejando um dos frutos mais preciosos do encontro entre o ser criado e o Criador – a Paz.
Mesmo assim fica a dúvida, será mesmo o Senhor?! (cf. Lc 24,38).
O Ressuscitado coloca à prova a fé dos seus seguidores. Era chegada hora de cada um provar que estavam abertos para uma nova realidade que exigia fé e ao mesmo tempo testemunho do que estavam a presenciar diante dos seus olhos e demais sentidos.
E acompanhando cada passo do Ressuscitado percebe-se que ainda quer ensinar aos seus para uma nova realidade que exigirá agora empenho do seu crer na Ressurreição. Por fim, enviará cada um a ser anunciadores da Boa Nova a todas as gentes (cf. Mt 28,10).
Pode-se dizer que viver a Semana Santa é se deixar tocar por um profundo encontro com o próprio Deus de amor que manifesta o desejo ardente de re-criar sua obra por intermédio do Primogênito que morreu e ressuscitou, sendo a aliança definitiva e perfeita. E, ao mesmo tempo exige de cada ser humano uma abertura profunda de convergir seu viver no chamado de participar desta nova vida, movidos pelo espírito do Ressuscitado.
Contudo, este ressurgir perpassa numa vivencia nova e desafiadora de se deixar vencer pelo Ressuscitado que conclama a ser testemunha na prática da fraternidade, da justiça, da solidariedade e da paz.
A Campanha da Fraternidade deste ano 2011 veio chamando a atenção de que a relação ser humano e natureza estão intolerantes e que algo precisa ser feito, desde ações localizadas nas pequenas comunidades como ações macro. Dentro da perspectiva da Ressurreição se diria então que o choque da ausência do desenvolvimento sustentável sugere e exige de cada cristão uma postura de testemunha do que se vê não condiz com projeto de Deus e ao mesmo tempo ser engajado na transformação através do anúncio da Esperança e da Vida e se deixar modificar nos hábitos para um mundo mais saudável e promissor.
Este exemplo acima citado é para despertar que a Páscoa só tem sentido na vida do cristão se o mesmo deixa a mística (o divino) ir ao mais profundo do seu ser e provocar um inclinar do coração para uma nova realidade em que o divino se apresente como redenção.

“A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo.(...) Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã: crer, celebrar e viver o mistério de Jesus Cristo, de tal modo que a existência cristã adquira verdadeiramente forma eucarística. (...) Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade  do mistério pascal do Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais eucarística. A Eucaristia (...) fonte inesgotável do impulso missionário” (DAp, 251).

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tempo Quaresma: um mergulhar no Mistério


Existe a tentação nos dias atuais de se viver numa superficialidade.
Talvez seja por muitas informações e o ser humano não consegue processar a todas com critérios que possam distinguir quais se deve prender a atenção e se deter em buscar conhecer mais profundamente. Talvez as mudanças tecnológicas destes últimos tempos que provoca a sensação de que tudo está em transformação, de que tudo amanhã poderá ser superado. E, assim fica uma insegurança de que nunca se está na ponta, mas sempre tem que correr atrás da novidade. Talvez pelas facilidades que se tem hoje de adquirir bens para o bem-estar, coisa que há tempos atrás era impensável. As facilidades oferecidas pelo mercado e ao mesmo tempo a personalização do produto de acordo com o consumidor fez com que o parâmetro seja cada pessoa de acordo com seus gostos. Existem variáveis diversas que nestes tempos em que se vem mudanças rápidas na sociedade parece influenciar no sentido de que o ser humano fica fragmentado.
O cristão sendo constituído por este ser humano deste mundo em ebulição de mudanças está sujeito a se deixar conduzir pelas marés do mundo, destes “tsunamis” que quando se vê já está engolido e aprisionado na onda de que a felicidade está nestas coisas aqui e agora. Seu horizonte fica numa perspectiva pequena, não consegue projetar o “além do palpável”, não consegue ir além dos seus sentidos que só codificam e traduzem em matéria.
Por isto, o Tempo da Quaresma é uma proposta para que o discípulo no seguimento de Jesus Cristo se dê o direito de contemplar o Mistério da Redenção. Isto é, é uma chamada para que o discípulo se de conta de que sua real felicidade não está nas coisas fabricadas neste mundo; não está nas descobertas humanas; não está na sensação de uma estabilidade no mundo. Está no se deixar envolver pelo Mistério da Redenção que o próprio Criador lhe oferece por intermédio de seu Filho Encarnado, apresenta-lhe como a única abertura para uma segura Felicidade.
Felicidade esta que se dá no seguir os passos de Jesus Cristo. Pois o próprio convida a segui-lo ao dizer que cada um é chamado a tomar sua cruz na perspectiva da ressurreição.
Feliz do discípulo que mergulha profundamente no Mistério sem medo de esvaziar-se para se deixar encher da graça divina.
E, assim saberá relativizar na sua vida tudo aquilo que o mundo lhe apresenta como essencial e no real é ilusório. Pois sabe onde está verdadeiramente sua fé esperança – enraizada no Amor Supremo.