quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A Comunidade reunida e fortalecida pela Palavra de Deus


O cristão católico tem dificuldade às vezes de perceber que Deus o alimenta através de sua Palavra Sagrada.
É preciso reencontrar o significado de viver em Comunidade Cristã e para tanto só tem uma fonte segura – a Palavra de Deus.
Muitos grupos de pessoas se reúnem em torno de uma causa, de um ideal, de um objetivo. Basta olhar as associações e organizações das mais diversos presentes na sociedade. No entanto, tem algo que difere estes grupos com suas finalidades das Comunidades Cristãs? O que é diferente?
De imediato se pode dizer que a diferença está naquilo que é o alimento, o sustento, isto é aquilo que é fonte inspiradora. Para estes grupos e associações da sociedade são situações ou valores que fazem com que eles se mantenham vivos. Já na Comunidade de fé o que alimenta e sustenta é o próprio Deus com sua Palavra. E, aqui já tem uma grande diferença, porque a Palavra de Deus é por si inspiradora para uma vivência que traz benefícios não só para aquela pessoa, aquele grupo, mas para todos que quiserem se deixar alimentar por ela. E, por ser de Deus esta Palavra nunca caduca, nunca esta desatualizada, nunca deixa de ser verdade, nunca esta fora do contexto das aspirações humanas. Sempre vem ser uma luz para aqueles que querem viver no bom caminho e fortalecidos na família de Deus.
A Comunidade de fé só consegue viver unida e fortalecida se abastecida por esta Palavra divina. E, como fazer para que isto aconteça?
Basta às pessoas ofertar do tempo que Deus lhes dá para estar unidos em torno desta fonte e ali juntos orarem a Palavra divina e se abastecerem, seja através dos Grupos Bíblicos em Família, seja na Leitura Orante Diária da Palavra; o que é necessário que as pessoas se encontrem como Comunidade de fé e busquem conhecer os ensinamentos de Deus. Também deixem a Palavra ser o alimento. Isto é, quando ingerimos um alimento para o corpo, se faz necessário mastigá-lo bem e, depois deixar o próprio organismo continuar o processo para que absorva os nutrientes necessários para se tornarem em energia para o corpo. Assim também é preciso em relação à Palavra de Deus. As pessoas precisam mastigar bem, e para isto tem que sentar-se ler e ler e ler; deixar o Espírito de Deus auxiliar; meditar, partilhar com os outros ali presentes e contemplar tudo que fora falado. Depois no silêncio deixar a própria Palavra ser digerida pelo ouvinte para que no seu íntimo a Palavra se traduza em energia para direcionar as ações deste ouvinte.
A proposta dos Grupos Bíblicos em Família é motivar em pequenos grupos, os filhos e filhas de Deus se alimentar da Palavra de Deus. O vizinho com os vizinhos sair do seu mundinho e, juntos partilhar e compartilhar o que o Espírito do Senhor suscita ao orar a Palavra divina. E, deixar o próprio Espírito direcionar as ações da Comunidade de fé em prol dela mesma e de todos que a rodeiam e assim vivam o amor divino que brota do Deus da Vida e da Esperança.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O mistério do chamado que Deus faz


“Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja dever oferecer às pessoas e nações. (...) Aqui está o desafio fundamental que afrontamos: mostrar a capacidade da Igreja promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida e comuniquem por toda parte, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo.” (Documento Aparecida, n. 14)
Viver o mês de agosto, ao dar destaque a VOCAÇÃO, significa se debruçar numa relação intima entre o Criador e criatura, entre o ser que ama e o ser amado, entre aquele que chama e o que responde SIM ou NÃO ao chamado. Isto é, uma relação dialogal entre duas vertentes que por algum momento se cruzam e deste encontro surge uma perspectiva nova ou não de vida, um projeto a ser vivenciado a partir daquele encontro.
Diz o parágrafo acima citado do Documento de Aparecida, que aquele que é chamado se torna instrumento nas mãos do Espírito de Deus por intermédio da Igreja com a finalidade de apresentar Jesus Cristo à humanidade. E, em seguida traz alguns verbos intrigantes. Contudo, já nesta primeira afirmação surge uma pergunta: O que é ser instrumento nas mãos do Espírito de Deus na Igreja?
Quando se tem um instrumento de trabalho ou se busca adquirir um, sempre se vê a qualidade do mesmo, sua durabilidade, resistência, se é o melhor; enfim, na aquisição de um instrumento para exercer uma determinada função ou várias funções, sempre se quer o melhor. Interessante observar pelas escolhas que o Senhor faz para serem instrumentos em suas mãos. Ao se olhar os personagens bíblicos, quantos que chegaram a expressaram publicamente não serem capaz ou não estarem aptos a partir de suas próprias concepções ou no seu modo de agir apresentavam falhas. Só para lembrar alguns deles: Moisés, Jeremias, José, Davi, Pedro, Tomé, os irmãos Tiago. E, depois no início do Cristianismo alguns dos Santos Padres, como Santo Agostinho se assustar com a função de ser Bispo da Igreja. Então se diria que Deus age num certo paradoxo. Por que quem se habilitaria como o melhor instrumento em suas mãos? Aqui cabe a frase do Apóstolo Paulo, “a escolha de Deus não depende da vontade ou dos esforços do ser humano, mas somente de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9, 16).
Depois o parágrafo do Documento de Aparecida continua – “Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão (...) para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos.” Dentro deste pensamento se poderia fazer outra pergunta: o encontro com Jesus Cristo faz com que a pessoa tenha a prioridade de apresentá-lo a todos? Ou isto é só para poucos?
Esta resposta se encontra no parágrafo n. 144 do Documento de Aparecida: “Ao chamar os seus para o sigam, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28,19; Lc 24,46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo que o vincula a Ele como amigo e irmão. Dessa maneira, como Ele é testemunha do mistério do Pai, assim os discípulos são testemunhas da morte e ressurreição do Senhor até que Ele retorne. Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma.
Então se faz valer a letra da música do Padre Zezinho: “Jesus Cristo me deixou inquieto nas palavras que Ele proferiu. Nunca mais eu puder olhar o mundo sem sentir aquilo que Jesus sentiu.”
O mistério do chamado que Deus faz ao ser humano está em que O encontre e tenha uma relação profunda e íntima e, ao se deixar seduzir não exitará em seguí-Lo porque O ama e vive numa profunda ligação – O adora – e, O anuncia na comunicação com os outros seres humanos, independente de classe, raça ou lugar. Pois a prova de seu Amor para com Jesus Cristo perpassa na relação com o outro como nos alerta o Discípulo do Amor, “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 Jo 4, 20-21).