quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Um Ano Termina e Novo Ano se inicia

Tudo passa! Única coisa que não passa é a presença de Deus na vida do ser humano.
“Cantarei ao Senhor enquanto eu viver,
louvarei o meu Deus enquanto existir” (Sl 104,33).

Com esta certeza o cristão é chamado a festejar o fim de Ano e o princípio de outro Ano.
Festejar o fim de ano para o crente é agradecer as quantas vezes o Senhor Deus da Vida e da Esperança esteve presente, tanto nas alegrias e sonhos, como também nas dores e derrotas.
“O Senhor é verdade em suas palavras todas,
amor em todas as suas obras;
Senhor ampara todos os que caem
e endireita todos os curvados” (Sl 145,13b-14).

Festejar o fim de ano é louvar a Deus por tudo que passou e ao mesmo tempo lançar nele a confiança no que há de vir.
O cristão sabe que todos os dias vividos ou a serem vividos no próximo ano a Deus pertencem e, nesta perspectiva faz a prece do homem humilde que coloca toda a sua esperança nas mãos do seu Senhor.
O ser humano na sua natureza é um ser sonhador, empreendedor, insaciável.
Todavia seus sonhos surjam de uma íntima vivência com o seu Criador.
Que o fazer as coisas esteja imbuído do desejo sagrado do Reino de paz, fraternidade, solidariedade, reconciliação, doação, esperança, fé e amor.
A sua insaciável busca repouse serena no encontro e no relacionamento do aprofundar o mistério divino em si aberto para a alteridade junto ao diferente, mas que tem semelhança consigo.
E, assim viverá dias futuros com a serenidade e a sabedoria divina diante dos momentos que a própria vida lhe apresenta de conflitos e obstáculos a serem superados tendo o olhar no horizonte que sempre aponta para a Luz Divina que aquece, orienta e governa a quem a ela se inclina.
Festejar o início de mais um ano para o cristão é ver à sua frente novas possibilidades de poder exercer o bem e continuar a fazer parte do Reino de Deus.
Festejar o início de mais um ano é saber colocar tudo que espera junto Àquele que é o princípio e o fim, o Príncipe da Paz (cf. Is 9,5). E, nele – com ele – por ele viver dias de justiça e de paz.

Feliz Ano Novo!
Agradecemos a você que colabora, participa e se integra à Família de Deus.
Agradecemos a você que retorna à casa de Deus.
Agradecemos a você que se disponibiliza a ser liderança da Comunidade junto ao Projeto de Deus, por intermédio da Igreja de Cristo impulsionada pelo Espírito Santo.
Agradecemos a você que se abriu ao espírito missionário e renovador da Paróquia.
Agradecemos aos dias que foram intensos da presença de Deus.

Convidamos a você para conosco louvor e bendizer ao Senhor.
“Louvem o nome do Senhor:
é o único nome sublime,
sua majestade vai além da terra e do céu,
ele reforça o vigor do seu povo!
Orgulho de todos os seus fiéis,
dos israelitas, seu povo íntimo. Aleluia! (Sl 148, 13-14).


sábado, 17 de dezembro de 2011

Natal se anuncia…

A Luz Divina invade os corações daqueles que desejam clarear suas vidas.
A Luz Divina irradia sua beleza impar àqueles que a acolhem ao contemplar o mistério.
A Luz Divina proporciona luminosidade certa e constante àqueles que se deixa guiar.
A Luz Divina é única, é presente de Deus à humanidade.

Esta Luz Divina é Jesus (cf. Jo 1,1-5).

Ao celebrar o Nascimento de Jesus a humanidade testemunha e crê que Jesus seja o Filho de Deus, o Messias tão aguardado e anunciado pelas profecias sagradas.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus cada pessoa de boa vontade quer se unir ao coro dos Anjos e dos Pastores para glorificar a Deus pelo presente manifestado aos homens e mulheres de boa vontade.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus o cristão afirma que quer seguir os passos daquele que lhe é dado como o Senhor, àquele que lhe é dado como o Príncipe da Paz, aquele que lhe é dado como Salvador.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus se propõe hoje acolher o dom da vida independente das circunstâncias em que nasce independente do status social, independente de raça e língua.
Ao celebrar o Nascimento de Jesus quer se alegrar com aqueles que se apresenta no cotidiano da vida e, principalmente se dar a contemplar com maior apreço aqueles que são desprovidos dos seus direitos de cidadãos e cidadãs. E, como cristão se propõe a ser a manjedoura que acolhe e aquece a vida para poder se desenvolver com dignidade.
O cristão é convidado a ter os olhos fitos no Mistério da Encarnação.
O cristão é convidado a contemplar o presépio que remonta a passagem do Nascimento de Jesus.
O cristão é convidado a dobrar seus joelhos diante do ser que clama por um lugar na sociedade.
O cristão é aquele que motivado pela cena de Belém se lança a vivê-lo todos os dias de sua vida junto à comunidade de fé e testemunhar em gestos e atitudes reais do acolhimento da vida.

Vivamos o Natal do Senhor com alegria!
“Glória a Deus nos mais altos dos céus e paz na terra aos homens que ele ama!” (Lc 2,14)

Que este Natal do Senhor no início do Ano Litúrgico seja o convite de Deus para cada pessoa a continuar a aprofundar sua fé no seguimento de Jesus Cristo junto à Eclesia-Comunidade.
E que os que estavam perdidos ou desorientados possam a partir do Mistério da Encarnação fazer a experiência dos Três Reis Magos que depois de encontrar ao Menino na manjedoura seguiram outro caminho e não mais o mesmo caminho que trilhavam anteriormente.
Assim é o encontro pessoal com Jesus.
Mesmo que ainda ele não fale por palavras porque é apenas um Menino recém-nascido, mas ao olhar nos seus olhos tocará o mais íntimo da alma daquele que se depara em contemplá-lo.
Pois no percurso e no desdobramento do Mistério da Encarnação até chegar ao outro grande mistério da fé cristã o Mistério da Redenção se observará que todos os que se depararam com o Jesus Nazareno na maioria das vezes mudaram o percurso do caminhar dos seus dias.

Que Deus lhe dê esta graça!

Vivamos o Natal do Senhor na serenidade de Deus!
“Maria, contudo, conservava cuidadosamente todos esses acontecimentos e os meditava em seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora dito.” (Lc 2,19-20)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Nem sempre é como se gostaria

O ser humano sempre tem certa angústia de pensar – nem sempre é como se gostaria que tal coisa fosse – isto é às vezes e quase diria sempre idealiza uma realidade que na vivencia do dia a dia percebe que não é tão fácil assim de chegar lá.

Esta constatação é complicada para aqueles que são demasiadamente perfeccionistas, pois dependendo da sua função e tempo disponível, vão sofrer com ansiedade, stress e outros males do mundo moderno, porque perceberá que não conseguirá realizar tudo como gostaria e, poderá ter a sensação de ter feito pouco e não se alegrarão com os passos conquistados. Também é complicada para aqueles que usam do lado adverso, ou seja, como já percebem de antemão que o caminho é longo para se chegar aonde se gostaria então resolvem usar de argumentos e artifícios para dizer que não dá para realizar, quase que impossível chegam a afirmar. E, assim aquilo que poderia ser melhor com a colaboração daqueles que têm talentos a serem partilhados e multiplicados se acomoda e cai noutros males do mundo moderno como a indiferença, a frieza e outros tantos sintomas de quem está desanimado e nem se importa em tentar mudar a realidade.

O sacerdote também sofre com os males do seu tempo. Pois ele está inserido no mundo e, absorve tanto as coisas boas como as coisas piores que o mundo a quem faz parte lhe “oferece”.

Aqui para não se deixar levar pela fala da constatação de que nem sempre é como se gostaria, o sacerdote é chamado a voltar para si mesmo e perceber, que a partir dele enquanto pessoa humana com suas limitações, pequenez, Deus faz acontecer suas proezas divinas.

À medida que o sacerdote toma consciência de que ele como filho de Deus, que também é chamado à santidade e, no entanto, nem sempre é como se gostaria, todavia, Deus acredita e o reveste de sua graça divina para ser instrumento em suas mãos e assim tornar-se servo deste mesmo Deus que o conhece por dentro e sabe de que argila ele é feito.

O sacerdote não está livre deste conflito entre como se gostaria que tal coisa fosse ou estivesse e como o encontra no percurso do exercício do ministério sacerdotal. No entanto, inspirado na espiritualidade que cria com o Mestre Jesus que o alimenta com sua Palavra e Sacramentos, por excelência o da Reconciliação e o da Eucaristia, encontra pelo caminho do exercício do ministério força e determinação para permanecer sereno e fiel ao projeto do Pai.

Como diz o Apóstolo Paulo, “somos vasos de argilas que carregam tesouros” (cf. 2 Cor 4,7), assim cada padre deve se colocar a partir de si mesmo e perceber o quanto Deus também gostaria que fosse e, muitas das vezes, o padre não o é – mas jamais deixa de utilizá-lo para a santificação do povo escolhido na vivencia e na prática do Evangelho.

A fragilidade humana é revestida da graça sacerdotal, pois é o próprio Cristo Sacerdote que por intermédio do discípulo escolhido é que se faz sinal de graça para os necessitados da restauração, da misericórdia e da libertação. Assim é a pessoa do padre que por primeiro sente em si a graça divina que lhe transforma e o convoca a conversão no viver o Cristo. Sempre com serenidade, sem alarde e com humildade interior. Pois só Cristo é o modelo a ser seguido por todos os homens e mulheres, crianças, jovens e idosos.

Jamais Deus deixa inacabada a obra que começou.

O padre é um homem confiante nas palavras do Senhor – “Eu estarei convosco até os fins dos tempos!” (Cf. Jo 14,18)

O fato de nem sempre é como se gostaria não pode desanimar ou deixar as coisas acontecer como se nada fosse possível transformar.

O padre é o homem da esperança.

O padre é o homem que apresenta o horizonte.

O padre é o homem que não se deixa abater pelas adversidades.

O padre é o homem limitado que confia no infinito de Deus.

O padre é aquele sempre dirá vale a pena em – com – por Cristo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aproveitar o tempo…

“Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecl 3,1).

Encontra-se esta frase no livro do Eclesiastes e em seguida nos próximos versículos fala das diversas situações em que o ser humano vive e, no entanto, como diz os estudiosos, mesmo que se viva só o tempo presente, mesmo assim ali não encontra felicidade se na base de tudo não estiver Deus. Pois é Dele que vem toda a graça (cf. Ecl 3, 12-13).

Contudo sempre há este dilema de saber aproveitar bem o tempo que é dado a cada dia que se acumula em meses, em anos de existência.

Como achas o equilíbrio entre o trabalho, a espiritualidade, o lazer, a família entre tantos outros ofícios que a própria vida vai impondo de acordo com as funções e responsabilidades que se aceita no percurso da vida?!

Existe sempre uma inquietação para o religioso e isto fica até expresso na vida de alguns santos da Igreja, como relacionar o tempo de oração e o tempo de trabalho?! Como ter a certeza que se está no lugar certo?!

Diz o refrão de uma música vocacional: “Quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar.”

Qual é o lugar dentro to tempo dado naquele dia?

O religioso sempre é pego no ativismo, pela rotina, pelo cansaço diante de tantas tarefas e solicitações feitas durante o dia, a semana, o mês e ano.

Esta inquietação pode ser sadia até certo ponto, se pode afirmar. Isto é, a tensão entre o ponto que se está e onde se é projetado a chegar faz parte. Mas o perigo é se deixar dominar pela preocupação de que tem que responder a tudo e a todos.

Aqui se faz necessário buscar critérios que estejam baseados em valores. No caso do religioso, os valores provem do Evangelho, das orientações da Igreja de Cristo. A partir dali encontrará pontos significativos que o ajudam a trabalhar seu interior no sentido de aproveitar da melhor forma o tempo sem o cair na estafa, sem cair na angústia, sem cair na perda do rumo do viver “por Cristo, em Cristo e com Cristo” (Doxologia Eucarística).

O viver o tempo presente sempre é um dilema, porque como o religioso entre tantas vezes, tem que estar à frente de comunidades, de pessoas, e tem o encargo de planejar com os mesmos o percurso dos projetos a serem desenvolvidos num determinado tempo, pode ter a sensação de que passou muitas horas de nada ter feito e, na realidade já tem feito muito.

A forma de como faz, ou seja, a intensidade de como faz é que vai pesar no avaliar do aproveitar o tempo. Porque não adianta fazer muitas coisas e, no final está mais para um funcionário do divino que um homem de imbuído do divino; de estar mais para um religioso cumpridor de tarefas do que transpirar a intimidade de sua relação com Deus.

Ao se olhar a vida de Madre Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce, de Dom Helder Câmara se percebe uma riqueza de “algo mais” para oferecer. E, se olhar cada um deles se poderia perguntar: - Mas será que a inquietação os deixava desnorteado?

A inquietação deles repousava na presença daquele que é o Senhor da vida e da Morte (cf. Sl 90).

Santo Agostinho diz: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz. (...) Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti" (Confissões).





























sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A vida é breve

Isto todo mundo sabe, a questão é como internalizar esta realidade no dia a dia para valorizar a cada instante, a cada ato vivido individualmente ou em relação a tudo e todos que nos cercam.

Quando vejo um passarinho a cantar ou à busca de alimento, me pergunto quanto tempo ele já tem vivido?! Ele não tem as neuras que o ser humano tem de preocupar-se como o tempo que lhe resta?!

Tanto nos salmos como no Novo Testamento se encontra textos em que fala do se deixar tocar pela Providência Divina. Basta lembrar a passagem em que Jesus diz “não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem como o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta” (Mt 6,25-26). Ou o salmista no Salmo 127,1-2: “Se o Senhor não constrói a casa, em vão labutam os construtores; (...) É inútil que madrugueis, e que atraseis o vosso deitar para comer o pão com duros trabalhos: ao seu amado ele o dá enquanto dorme!”

Certa vez ao ler um livro do Darcy Ribeiro, antropólogo que conviveu e estudou o comportamento de muitas tribos indígenas relatou a carta de um dos índios que questionava porque os brancos extraíam da terra mais do que o necessário para sua sobrevivência, porque acumular se a própria mãe natureza dá aos seus filhos?!

A relação dos índios com a natureza é de uma grandeza, de um respeito profundo.

O intrigante é que quando o ser humano moderno escutar dizer que a vida é breve lhe causa um impacto adverso dos pássaros e dos índios, tenta extrair o máximo possível, mas com a característica do exagero, da extravagância, da destruição e assim, causa mal até a si próprio.

O coração do padre pode cair neste emaranhado de achar porque a sua vida é breve, a sua vitalidade é curta, tendo uma visão da utilidade que o mundo prega – você é útil enquanto produz! – ele cai na tentação de ficar muito superficial no seu fazer as coisas. Como também pode esquecer que é um ser humano como sentimentos, preso ao tempo e espaço e, acaba estourado no físico, psíquico e espiritualmente – um padre quebrado como caniço levado a zuir sem fazer o efeito preciso.

A dinâmica do padre é diferente daquela causada ao ser humano moderno quando escuta que a vida é breve. O seu coração repousa no Senhor e sua confiança está naquele que o alimenta, o próprio Deus (cf. Sl 23; 2 Cor 5,15).

A tentação é que muitas das vezes quando se está à frente de uma ação evangelizadora se quer o efeito imediato, como se fosse uma obra realizada tecnicamente e, na real o papel principal é preparar o terreno para que o Espírito do Altíssimo tenha um campo bom para fecundar os seus dons. Talvez para dizer que foi no seu tempo que tal obra se realizou, como se isto contasse aos olhos de Deus. Na realidade é uma visão do mundo ainda impregnada no sacerdote. Aqui exige um desprendimento nas mãos de Deus. Lembra o Evangelista Marcos “Acontece como Reino de Deus o mesmo que com o homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como”(Mc 4,26-27).

O padre é chamado a viver a brevidade com serenidade de um passarinho que canta e louva ao Criador por que está ali, todo para o momento presente, no movimento natural da vida presente na natureza. E, quando chega o fim do dia, ao deitar não deverá se perguntar quantas missas celebradas, quantos sacramentos realizados, quantas entrevistas ou atendimentos feitos e outras tantas coisas que seu ofício lhe exige; porém, ao deitar pode oferecer mais um dia vivido sob a graça de Deus na tentativa de ser uma pequena presença do Cristo junto às pessoas e à própria natureza que o circunda – “Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque, sem mim, nada podes fazer” (Jo 15,5).