sábado, 11 de agosto de 2012

Um dia na chácara com o vovô

A casa do vovô era minha casa.
Quando ainda bem pequeno ia praticamente todos os dias para a casa do vovô.
De manhã, às vezes, acompanhava a vovó na escola, pois ela era professora das séries de alfabetização. E, à tarde, depois de tirar um cochilo, ia andar com o vovô na chácara.
Vovô gostava muito de plantar e ver as plantas crescer.
Ele tinha um pequeno pomar – havia caju, goiaba, jabuticaba, banana, laranja, vergamota, limão e até algumas que não se sabia o nome, como uma frutinha que era cabeluda, casca amarela, bem amarela tinha estar para então apertá-la e comer uma polpa branca que ficava em volta da semente. Chamávamos de “fruta cabeluda ou baguinha cabeluda”. Porque tinha pelo lado de fora tipo uma penugem.
Depois se continuássemos a caminhar saíamos da chácara e íamos para o outro lado da cerca farpada que estava a plantação. Terra boa dizia o vovô.
Recordo-me que num dia qualquer cheguei à casa do vovô e perguntei: Onde o vovô está?
Vovó prontamente respondeu: Está lá atrás fazendo coisas. Está ajeitando a cerca...
Nem escutei direito e corri em direção dele sem parar.
Passei pela chácara e não o vi.
Fui mais à frente e o vi perto da cerca que era divisa entre seus plantios e terreno que era apenas pasto. Então gritei: Vovô, Vovô....
Ele estava de costas para mim que chegava e cavava um buraco para colocar um moirão.
Eu por minha vez não vi que ele já tinha esticado um dos fios da cerca de arame.
Passei direto e quando vi já tinha pulado pela cerca e cortado os lábios.
O Vovô ficou assustado porque ao escutar passos já estava em posição de defesa com sua inchada e, quando viu que era eu, o seu neto, parou e gritou: O menino sapeca! Assustou o Vô.
O Vô Antônio então enxergou que seu neto tava no chão e sangue aparecia.
Imediatamente o pegou no colo e foi em direção de sua casa, gritando pela vovó Matilde.
Dizia o Vovô: Matilde, Matilde, matei o menino... E de seu rosto corria lágrimas.
A Vovó ao ouvir veio em direção deles e já perguntava: O que aconteceu?
Ao se aproximarem da casa, o Vovô levou o menino no paiol. Ali tinha um tanque com água, então lavavam o rosto do menino pra ver o que acontecia de verdade.
E viram que era apenas um pequenino corte no lábio inferior da boca do seu neto.
Aos poucos estancou o sangue.
Vovô ficou mais calmo...
Hoje foi um dia daqueles, de nunca se esquecer dizia o Vovô. Tomei um susto.
Ô menino, dizia o Vovô, nunca chega assim dando um susto. Pois quando a gente está concentrado, pode pensar que seja outra coisa e sem querer poderia ter feito um algo pior, dizia o Vovô ao neto.
Hoje o neto lembra-se deste acontecido cada vez que ao esticar os lábios e vê a marca no lábio inferior – o pequeno corte – então pensa: "como era bom estar com o Vovô".

Semana da Família – Dia do Pai

Que nenhuma família comece em qualquer de repente...”

Sempre que fala de família surgem diversas teorias, comentários e hoje na contemporaneidade mais do que nunca há grandes debates. E, entre tantos está a pergunta – a família está falida?
Esta frase da música do Pe. Zezinho faz lembrar que este começo é fundamental para o desenrolar da família no transcurso do tempo.
Muitas famílias começaram meio fora da concepção da “normalidade”, no entanto, sobreviveram porque tinham consigo elementos fundamentais para germinar a família, tinham consigo valores como amor, respeito, carinho, garra, determinação, coragem, alteridade, fé. É evidente que há um segredo por detrás de cada família hoje existente.
Os que olham de fora analisam e tentam dar razões a partir de suas percepções e conteúdo nem sempre conseguem ir ao mais fundo da razão profunda daqueles que vivem ali a sua família.
A família se enriquece a medida que seus membros descobrem entre si o que significa ser sangue do mesmo sangue, o que significa amar o ninho de onde surgiu.
Quando este tema vem à tona lembro-me da minha família.
E, quem quando escuta a palavra família não se lembra da sua?!
Lembro dos pais, das superações, das marcas fincadas pelo tempo, dos valores redescobertos e fortalecidos no laço familiar, do que se torna supérfluo e o que é essencial na vida de cada um no sentido da complementaridade para com o todo do ser família.
E dentro ser família o Pai é um ser significativo, pois quando há um relacionamento franco, aberto, direto os filhos e a própria mulher que é mãe; todos só têm a ganhar.
Os antigos diziam que um homem só vai pra frente se tiver uma boa esposa e isto também está na Bíblia dito. Todavia, uma família que tem um pai amável, honroso, acessível, acolhedor, corajoso, temente a Deus com certeza esta família superará todas as tormentas da vida.
Talvez nos debates atuais sobre a família o que se exaltou é a figura do pai dentro da família que não é apenas de prover o sustento financeiro, mas ser uma presença viva e atuante com a mãe e demais membros no âmbito familiar. Talvez também se superou uma figura de pai apenas severo e distante dos filhos. Talvez se descobriu que não se perde a virilidade sendo um pai amável, próximo dos filhos e do ambiente familiar.
O Pai tem seu espaço e sua importância no âmbito familiar.
E este espaço e importância se farão sempre mais presente se aquele que é revestido deste caráter constrói a cada dia a relação com os seus na perspectiva da felicidade familiar.


“Abençoa Senhor as famílias amém.

                       Abençoa Senhor a minha também.”

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

No volante do carro

Nestes dias peguei no volante do carro e fui em direção a um longo caminho para chegar num lugar maravilhoso, onde há natureza, silêncio e um propício ambiente de oração.
Como estava sozinho neste percurso e o carro não tinha nada para me distrair, como uma música, acabou que depois de um tempo era apenas eu e meus pensamentos junto com meu Deus.
Claro que havia gente na estrada, claro que havia outros veículos no percurso, é claro que havia lugarejos pela beira da estrada. Todavia, nenhum deles sabia de onde eu vinha e para onde eu iria; cada um deles também vivia a sua própria vida sem interferência direta a deles sobre a minha.
Com o passar dos minutos, da quilometragem a ser deixado para trás e outras ainda a serem rodadas começou a surgir os pensamentos que brotam do interior do ser humano. E, como o caminho era longo, teve tempo de rever conceitos, de se perguntar sobre vários assuntos.
Diria que só em fazer este grande percurso já é um aprendizado.
Tem que se aprender a lutar consigo mesmo, a não desistir pela metade do caminho. E olha que a tentação era grande.
Aqui vem a motivação, as buscas que estão latentes, o porquê de ir à busca do local programado a se chegar; enfim, os conflitos do querer ir mais além e aqueles de tentar a fazer permanecer onde se encontra. Isto, se perguntar também a um atleta ele vai dizer que é preciso determinação.
No volante do carro sozinho a gente não só faz uma viagem de quilometragens do próprio percurso previsto, mas se faz uma viagem de quilometragens do interior da vida na sua interioridade.
Ao mesmo tempo em que se pode observar as belezas da natureza às margens da rodovia; ao mesmo tempo em que se pode olhar cada novidade que desponta ao chegar perto de uma cidade; ao mesmo tempo em que se pode perceber as diferenças que existem de um lugar para o outro; também se começa a perceber e notar o que cada um a partir de mim pode mostrar de belo, de criativo, de diferente e que me enriquece e ao ser partilhado também enaltece o outro que comigo convive.
Estar no volante do carro não é só dirigir o veículo para seguir na rota certa, com segurança, obedecer às placas de sinalização, ter certo “domínio” do veículo para fazer defesas necessárias e poder dizer – cheguei! Estar no volante do carro por longo percurso faz a gente refletir que também se precisa saber dirigir a vida. E, está tem percursos nem sempre conhecidos, nem sempre seguros, nem sempre desejáveis a se passar. Contudo, como será bom dizer – cheguei!
Estar no volante do carro também pode ser um retirar-se.
Pois ao estar sozinho, sem ninguém ao lado e ter a frente muitas quilometragens a serem percorridas, pode ter certeza que o silêncio vem e você será testado por você mesmo – qual percurso seguir?! Parar ou continuar?!
Pode ser um momento único para traçar metas pessoais, para projetar o que é de suma importância adquirir neste rodar a quilometragem da vida.
Estar no volante do carro sozinho...
Na real você está acompanhado de seus pensamentos, de suas inquietações, de suas buscas, de suas derrotas, de seus medos, de suas esperanças, de seus conflitos...
Quando você percebe o carro está cheio de passageiros.

sábado, 4 de agosto de 2012

Dia do Padre

A vida do sacerdote da Igreja Católica hoje mais do que nunca é vista por muitos como uma forma de vida que chama a atenção por vários ângulos. Pois hoje temos padres na mídia, programas de TV e de rádio; temos padres cantores mais do que antes; temos padres em diversas áreas antes imaginadas, como no meio dos motoqueiros, dos rodeios, dos atletas de aventuras radicais, dos caminhoneiros, e tantas outras realidades de grupos presentes na sociedade.
Uma nova presença que incomoda e questiona.
Padres que se desafiam a ser presença no mundo atual.
Mas isto não quer dizer que deixaram de ser presença nos hospitais, nos orfanatos, nas escolas, nas visitas aos doentes, nos cuidados das paróquias, nos seminários, nos trabalhos da ação pastoral da vida interna da Comunidade Cristã.
O Padre é um ser humano que depois de muito tempo de estudo, de vida de oração, de discernimento vocacional onde percebe a presença de Deus em sua vida, apesar de ser “vaso de barro”, é chamado pelo próprio Deus de Amor e Misericórdia a levar esta grande notícia a todos os cantos do mundo – Jesus Cristo é o mesmo ontem hoje e sempre.
Contudo, o Padre por não assumir a vida familiar no sentido do Matrimônio, não quer dizer que deva viver isolado das pessoas ou se afastar do ambiente familiar. Pelo contrário, o local onde exerce o ministério sacerdotal é chamado a se tornar este ambiente familiar, onde as pessoas se aproximam e o faz sentir membro das famílias que o rodeiam. O Padre passa ao mesmo tempo ser aquele que traz a esperança, as orientações da fé em Cristo Jesus, porém também é um ser humano que precisa ser acolhido e amado.
O Padre também está em processo de permanente crescimento da fé. Ele sabe que precisa do apoio das pessoas de bem, para poder continuar a caminhar, ele precisa de pessoas que o ajude a idealizar o Sacerdócio de Cristo em sua vida.
O Padre é não é anjo é um ser humano. Todavia, ele se santifica junto àqueles que o acompanham no permanente processo de maturidade da fé.
Neste dia a oração seja por todos os Padres para que renovem seus compromissos junto ao Cristo Sumo Sacerdote. Para que não desanimem mesmo que venham as dificuldades e lembre-se que são chamados pelo próprio Senhor da Vida e da Esperança – o Ressuscitado.
Lembre-se o pedido que Dom Murilo fez na Concentração Nacional do Apostolado da Oração na Basílica da Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Ano Sacerdotal – ADOTE UM PADRE, MESMO SEM ELE SABER, ORE POR ELE, ENTREGUE SUA VIDA DE ORAÇÃO E SACRIFÍCIOS POR ELE.

Feliz Dia do Padre!

São João Maria Vianney, interceda por todos os Sacerdotes!