A Igreja nestes quarentas dias quer propor aos fiéis dias de reflexão e oração.
Este impor as cinzas é um convite ao voltar às origens – “Pois tu és pó e ao pó tornarás.” (Gn 3,19b) Ou seja, o ser humano perceber sua finitude aqui na terra; perceber que tudo é fugaz.
E neste conscientizar-se que tudo é passageiro o Criador convida este mesmo ser humano a abrir-se para o infinito; para o eterno – “assim como pela falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra da justiça de um só, resultou para todos os homens a justificação que traz a vida.” (Rm 5,18)
Este tempo forte de graça que cada fiel é chamado a viver sempre renova o desejo ardente de querer vivenciar a vida que brota do espírito filial em Cristo Jesus. “Mas se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele.” (Rm 6,8-9)
Assim, neste espírito de recolhimento e num estado de penitente o fiel se propõe a caminhar com Jesus e aprender ou reencontrar o sentido profundo da vida que o chama a ser testemunha viva do amor misericordioso de Deus.
E, para ajudar na reflexão e atualizar o Evangelho numa perspectiva comunitária, para fugir do individualismo e intimismo a CNBB apresenta a todos os homens e mulheres de boa vontade a Campanha da Fraternidade que neste ano tem como tema – Fraternidade e Saúde Pública e, como lema – “Que a saúde se difunda sobre a terra.” (Eclo, 38,8)
E, como escreveu Dom Leonardo U. Steiner, Secretário Geral da CNBB, “A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salvação já nos foi alcançada pelo Crucificado.” (Manual CF-2012, p. 8)
Diante deste apelo o ser humano que se depara com a pessoa de Cristo neste Tempo da Quaresma é chamado a solidarizar-se com o outro e, principalmente a partir daquelas pessoas que são desprovidas dos conhecimentos do que significa Saúde Pública.
A prática comum dos exercícios quaresmais de jejum, oração e esmola ganham um novo impulso com este chamado que a Igreja no Brasil faz a todos homens e mulheres de boa vontade.
No exercício do jejum o penitente encontra motivação no caminhar do Cristo que se doa profundamente a toda humanidade. O discípulo-missionário ao atualizar os passos do Mestre jejua para fortalecer o interior do ser e ali encontrar o impulso para praticar a “esmola”. Isto muito mais do que dar coisas (sobras que tem em casa) é convocado a solidarizar no cotidiano daqueles que não tem ninguém para auxiliá-los quando a questão é Saúde. Buscar ser o samaritano que acolhe e cuida e leva até um local em que aquele seu irmão possa ser tratado com dignidade. Com certeza, a sua oração terá mais valor diante do Deus misericórdia. Pois toda oração leva a ação e toda oração descolada da ação/transformação não é oração em Deus.
“Estende tua mão ao pobre para que tua benção seja perfeita. Que tua generosidade atinja todos os viventes, mesmo aos mortos não recuses a tua piedade. Não fujas dos que choram, aproxima-te dos que estão aflitos. Não temas visitar doentes, porque serás amado por isso. Em tudo, o que fazes, lembra-te de teu fim e jamais pecarás.” (Eclo 7,32-36)
Quaresma tempo forte da graça de Deus àqueles se abrem à ação divina em suas vidas.
Quaresma tempo de reflexão a partir da Palavra de Deus que orienta os corações.
Quaresma tempo de esperança naquele que se apresenta como o Salvador.
Quaresma tempo propício para reelaborar o projeto de vida.
Deus quer e você se dispõe?


