A vida do ser humano é um eterno
projetar, sonhar o dia de amanhã.
Cada dia que amanhece o ser humano
percebe o quanto tem ainda para realizar, o quanto tem para desbravar, o quanto
pode ainda viver.
E neste viver ele espera encontrar a
felicidade.
Dizem os estudiosos que quando a
criança grava uma experiência primeira de algo que lhe dá satisfação, passa
este mesmo ser no desenvolver de sua existência buscando encontrar novamente
esta mesma sensação. E, às vezes há momentos que chegam perto, mas ainda não é
aquela que experiência primeira que teve.
Diz um filósofo que o ser humano é um
ser insaciável.
Ao conhecer a história de vida de
Santo Agostinho se pode dizer que ele deixa evidente esta busca evidente que o
ser humano tem. E, se envereda por vários caminhos até chegar ao caminho que
lhe traz uma paz inquietante ao ponto de se perguntar e deixar relatado –
“Porque te amei tanto tarde assim, oh Beleza Eterna!”
Interessante é que no percurso da vida
existem coisas que passam e outras ficam.
Há amizades que a gente faz e no
percurso da vida, por mais distantes que se possa esta, quando se reencontra é
como se não tivesse tido um determinado tempo da ausência.
Há outras amizades que se faz, mas
depois com o tempo se perde e não se sente falta e nem mesmo quando se
reencontra surge aquele aquecer do interior por estar junto alguém que viveu
momentos da vida compartilhada.
Há lugares que se esteve e quando se
volta à vontade é de não ir mais embora. No entanto, já há outros que até se
volta, mas se não se voltar mais, não faz praticamente nenhuma diferença para
se viver.
Então se poderia dizer que há em
alguns momentos do desdobrar da vida momentos em que se aproxima da felicidade,
todavia, como o ser humano é insaciável, não percebe ou não valoriza aquele
determinado momento real ou mais próximo do real de ser feliz?!
Esta inquietação faz refletir que
quando se perde é que se valoriza?!
Quando se está distante é que se vê
que esta ausência machuca a alma?!
Contudo, quando se está na intensidade
da vivência de tal instante, muitas das vezes e na maioria das vezes se joga
fora, como se mais a frente se encontrará um momento mais revelador da
felicidade. Será?
A tecnologia junto ao mundo do consumismo será
que conseguiram invadir tanto o interior do ser humano ao ponto de deixá-lo
cego em seus sentidos mais profundos, ou estes sentidos estão adormecidos para
a real felicidade?
Fato que algumas coisas passam e
outras ficam. E estas que ficam são marcadas pela felicidade ou encheram o interior
do ser humano de outros sentimentos que desnorteia o ser humano ao ponto de não
ter espaço para o preenchimento com o que não passa – o Eterno.

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