“Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão a de sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – o seu serviço! – que a Igreja dever oferecer às pessoas e nações. (...) Aqui está o desafio fundamental que afrontamos: mostrar a capacidade da Igreja promover e formar discípulos e missionários que respondam à vocação recebida e comuniquem por toda parte, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo.” (Documento Aparecida, n. 14)
Viver o mês de agosto, ao dar destaque a VOCAÇÃO, significa se debruçar numa relação intima entre o Criador e criatura, entre o ser que ama e o ser amado, entre aquele que chama e o que responde SIM ou NÃO ao chamado. Isto é, uma relação dialogal entre duas vertentes que por algum momento se cruzam e deste encontro surge uma perspectiva nova ou não de vida, um projeto a ser vivenciado a partir daquele encontro.
Diz o parágrafo acima citado do Documento de Aparecida, que aquele que é chamado se torna instrumento nas mãos do Espírito de Deus por intermédio da Igreja com a finalidade de apresentar Jesus Cristo à humanidade. E, em seguida traz alguns verbos intrigantes. Contudo, já nesta primeira afirmação surge uma pergunta: O que é ser instrumento nas mãos do Espírito de Deus na Igreja?
Quando se tem um instrumento de trabalho ou se busca adquirir um, sempre se vê a qualidade do mesmo, sua durabilidade, resistência, se é o melhor; enfim, na aquisição de um instrumento para exercer uma determinada função ou várias funções, sempre se quer o melhor. Interessante observar pelas escolhas que o Senhor faz para serem instrumentos em suas mãos. Ao se olhar os personagens bíblicos, quantos que chegaram a expressaram publicamente não serem capaz ou não estarem aptos a partir de suas próprias concepções ou no seu modo de agir apresentavam falhas. Só para lembrar alguns deles: Moisés, Jeremias, José, Davi, Pedro, Tomé, os irmãos Tiago. E, depois no início do Cristianismo alguns dos Santos Padres, como Santo Agostinho se assustar com a função de ser Bispo da Igreja. Então se diria que Deus age num certo paradoxo. Por que quem se habilitaria como o melhor instrumento em suas mãos? Aqui cabe a frase do Apóstolo Paulo, “a escolha de Deus não depende da vontade ou dos esforços do ser humano, mas somente de Deus que usa de misericórdia” (Rm 9, 16).
Depois o parágrafo do Documento de Aparecida continua – “Não temos outro felicidade nem outra prioridade senão (...) para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos.” Dentro deste pensamento se poderia fazer outra pergunta: o encontro com Jesus Cristo faz com que a pessoa tenha a prioridade de apresentá-lo a todos? Ou isto é só para poucos?
Esta resposta se encontra no parágrafo n. 144 do Documento de Aparecida: “Ao chamar os seus para o sigam, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28,19; Lc 24,46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo que o vincula a Ele como amigo e irmão. Dessa maneira, como Ele é testemunha do mistério do Pai, assim os discípulos são testemunhas da morte e ressurreição do Senhor até que Ele retorne. Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da vocação mesma.
Então se faz valer a letra da música do Padre Zezinho: “Jesus Cristo me deixou inquieto nas palavras que Ele proferiu. Nunca mais eu puder olhar o mundo sem sentir aquilo que Jesus sentiu.”
O mistério do chamado que Deus faz ao ser humano está em que O encontre e tenha uma relação profunda e íntima e, ao se deixar seduzir não exitará em seguí-Lo porque O ama e vive numa profunda ligação – O adora – e, O anuncia na comunicação com os outros seres humanos, independente de classe, raça ou lugar. Pois a prova de seu Amor para com Jesus Cristo perpassa na relação com o outro como nos alerta o Discípulo do Amor, “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão” (1 Jo 4, 20-21).


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