O ser humano sempre tem certa angústia de pensar – nem sempre é como se gostaria que tal coisa fosse – isto é às vezes e quase diria sempre idealiza uma realidade que na vivencia do dia a dia percebe que não é tão fácil assim de chegar lá.
Esta constatação é complicada para aqueles que são demasiadamente perfeccionistas, pois dependendo da sua função e tempo disponível, vão sofrer com ansiedade, stress e outros males do mundo moderno, porque perceberá que não conseguirá realizar tudo como gostaria e, poderá ter a sensação de ter feito pouco e não se alegrarão com os passos conquistados. Também é complicada para aqueles que usam do lado adverso, ou seja, como já percebem de antemão que o caminho é longo para se chegar aonde se gostaria então resolvem usar de argumentos e artifícios para dizer que não dá para realizar, quase que impossível chegam a afirmar. E, assim aquilo que poderia ser melhor com a colaboração daqueles que têm talentos a serem partilhados e multiplicados se acomoda e cai noutros males do mundo moderno como a indiferença, a frieza e outros tantos sintomas de quem está desanimado e nem se importa em tentar mudar a realidade.
O sacerdote também sofre com os males do seu tempo. Pois ele está inserido no mundo e, absorve tanto as coisas boas como as coisas piores que o mundo a quem faz parte lhe “oferece”.
Aqui para não se deixar levar pela fala da constatação de que nem sempre é como se gostaria, o sacerdote é chamado a voltar para si mesmo e perceber, que a partir dele enquanto pessoa humana com suas limitações, pequenez, Deus faz acontecer suas proezas divinas.
À medida que o sacerdote toma consciência de que ele como filho de Deus, que também é chamado à santidade e, no entanto, nem sempre é como se gostaria, todavia, Deus acredita e o reveste de sua graça divina para ser instrumento em suas mãos e assim tornar-se servo deste mesmo Deus que o conhece por dentro e sabe de que argila ele é feito.
O sacerdote não está livre deste conflito entre como se gostaria que tal coisa fosse ou estivesse e como o encontra no percurso do exercício do ministério sacerdotal. No entanto, inspirado na espiritualidade que cria com o Mestre Jesus que o alimenta com sua Palavra e Sacramentos, por excelência o da Reconciliação e o da Eucaristia, encontra pelo caminho do exercício do ministério força e determinação para permanecer sereno e fiel ao projeto do Pai.
Como diz o Apóstolo Paulo, “somos vasos de argilas que carregam tesouros” (cf. 2 Cor 4,7), assim cada padre deve se colocar a partir de si mesmo e perceber o quanto Deus também gostaria que fosse e, muitas das vezes, o padre não o é – mas jamais deixa de utilizá-lo para a santificação do povo escolhido na vivencia e na prática do Evangelho.
A fragilidade humana é revestida da graça sacerdotal, pois é o próprio Cristo Sacerdote que por intermédio do discípulo escolhido é que se faz sinal de graça para os necessitados da restauração, da misericórdia e da libertação. Assim é a pessoa do padre que por primeiro sente em si a graça divina que lhe transforma e o convoca a conversão no viver o Cristo. Sempre com serenidade, sem alarde e com humildade interior. Pois só Cristo é o modelo a ser seguido por todos os homens e mulheres, crianças, jovens e idosos.
Jamais Deus deixa inacabada a obra que começou.
O padre é um homem confiante nas palavras do Senhor – “Eu estarei convosco até os fins dos tempos!” (Cf. Jo 14,18)
O fato de nem sempre é como se gostaria não pode desanimar ou deixar as coisas acontecer como se nada fosse possível transformar.
O padre é o homem da esperança.
O padre é o homem que apresenta o horizonte.
O padre é o homem que não se deixa abater pelas adversidades.
O padre é o homem limitado que confia no infinito de Deus.
O padre é aquele sempre dirá vale a pena em – com – por Cristo.

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