quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tempo Quaresma: um mergulhar no Mistério


Existe a tentação nos dias atuais de se viver numa superficialidade.
Talvez seja por muitas informações e o ser humano não consegue processar a todas com critérios que possam distinguir quais se deve prender a atenção e se deter em buscar conhecer mais profundamente. Talvez as mudanças tecnológicas destes últimos tempos que provoca a sensação de que tudo está em transformação, de que tudo amanhã poderá ser superado. E, assim fica uma insegurança de que nunca se está na ponta, mas sempre tem que correr atrás da novidade. Talvez pelas facilidades que se tem hoje de adquirir bens para o bem-estar, coisa que há tempos atrás era impensável. As facilidades oferecidas pelo mercado e ao mesmo tempo a personalização do produto de acordo com o consumidor fez com que o parâmetro seja cada pessoa de acordo com seus gostos. Existem variáveis diversas que nestes tempos em que se vem mudanças rápidas na sociedade parece influenciar no sentido de que o ser humano fica fragmentado.
O cristão sendo constituído por este ser humano deste mundo em ebulição de mudanças está sujeito a se deixar conduzir pelas marés do mundo, destes “tsunamis” que quando se vê já está engolido e aprisionado na onda de que a felicidade está nestas coisas aqui e agora. Seu horizonte fica numa perspectiva pequena, não consegue projetar o “além do palpável”, não consegue ir além dos seus sentidos que só codificam e traduzem em matéria.
Por isto, o Tempo da Quaresma é uma proposta para que o discípulo no seguimento de Jesus Cristo se dê o direito de contemplar o Mistério da Redenção. Isto é, é uma chamada para que o discípulo se de conta de que sua real felicidade não está nas coisas fabricadas neste mundo; não está nas descobertas humanas; não está na sensação de uma estabilidade no mundo. Está no se deixar envolver pelo Mistério da Redenção que o próprio Criador lhe oferece por intermédio de seu Filho Encarnado, apresenta-lhe como a única abertura para uma segura Felicidade.
Felicidade esta que se dá no seguir os passos de Jesus Cristo. Pois o próprio convida a segui-lo ao dizer que cada um é chamado a tomar sua cruz na perspectiva da ressurreição.
Feliz do discípulo que mergulha profundamente no Mistério sem medo de esvaziar-se para se deixar encher da graça divina.
E, assim saberá relativizar na sua vida tudo aquilo que o mundo lhe apresenta como essencial e no real é ilusório. Pois sabe onde está verdadeiramente sua fé esperança – enraizada no Amor Supremo.

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