segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ressuscitar com Cristo Jesus…


Usa-se muito a expressão “se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele” (Rm 6,8).
O que significa ressuscitar em Cristo Jesus nos dias de hoje?
Uma pergunta fundamental para os cristãos que vivem a mística da Semana Santa.
Diz os textos sagrados que os apóstolos e as mulheres fizeram uma experiência da ausência do corpo do Senhor. Se já estavam com medo de serem também pegos pelas autoridades locais, muito mais devem ter ficados apavorados por que encontraram só o túmulo vazio (cf. Lc 24,5-6). Mais tarde o próprio Ressuscitado começa a aparecer ao grupo dos apóstolos e aos discípulos e discípulas (cf. Lc 24,34; Mc 16,1; 1Cor 15,5) lhes desejando um dos frutos mais preciosos do encontro entre o ser criado e o Criador – a Paz.
Mesmo assim fica a dúvida, será mesmo o Senhor?! (cf. Lc 24,38).
O Ressuscitado coloca à prova a fé dos seus seguidores. Era chegada hora de cada um provar que estavam abertos para uma nova realidade que exigia fé e ao mesmo tempo testemunho do que estavam a presenciar diante dos seus olhos e demais sentidos.
E acompanhando cada passo do Ressuscitado percebe-se que ainda quer ensinar aos seus para uma nova realidade que exigirá agora empenho do seu crer na Ressurreição. Por fim, enviará cada um a ser anunciadores da Boa Nova a todas as gentes (cf. Mt 28,10).
Pode-se dizer que viver a Semana Santa é se deixar tocar por um profundo encontro com o próprio Deus de amor que manifesta o desejo ardente de re-criar sua obra por intermédio do Primogênito que morreu e ressuscitou, sendo a aliança definitiva e perfeita. E, ao mesmo tempo exige de cada ser humano uma abertura profunda de convergir seu viver no chamado de participar desta nova vida, movidos pelo espírito do Ressuscitado.
Contudo, este ressurgir perpassa numa vivencia nova e desafiadora de se deixar vencer pelo Ressuscitado que conclama a ser testemunha na prática da fraternidade, da justiça, da solidariedade e da paz.
A Campanha da Fraternidade deste ano 2011 veio chamando a atenção de que a relação ser humano e natureza estão intolerantes e que algo precisa ser feito, desde ações localizadas nas pequenas comunidades como ações macro. Dentro da perspectiva da Ressurreição se diria então que o choque da ausência do desenvolvimento sustentável sugere e exige de cada cristão uma postura de testemunha do que se vê não condiz com projeto de Deus e ao mesmo tempo ser engajado na transformação através do anúncio da Esperança e da Vida e se deixar modificar nos hábitos para um mundo mais saudável e promissor.
Este exemplo acima citado é para despertar que a Páscoa só tem sentido na vida do cristão se o mesmo deixa a mística (o divino) ir ao mais profundo do seu ser e provocar um inclinar do coração para uma nova realidade em que o divino se apresente como redenção.

“A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo.(...) Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã: crer, celebrar e viver o mistério de Jesus Cristo, de tal modo que a existência cristã adquira verdadeiramente forma eucarística. (...) Portanto, os fiéis devem viver sua fé na centralidade  do mistério pascal do Cristo através da Eucaristia, de maneira que toda a sua vida seja cada vez mais eucarística. A Eucaristia (...) fonte inesgotável do impulso missionário” (DAp, 251).

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