“Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ecl 3,1).
Encontra-se esta frase no livro do Eclesiastes e em seguida nos próximos versículos fala das diversas situações em que o ser humano vive e, no entanto, como diz os estudiosos, mesmo que se viva só o tempo presente, mesmo assim ali não encontra felicidade se na base de tudo não estiver Deus. Pois é Dele que vem toda a graça (cf. Ecl 3, 12-13).
Contudo sempre há este dilema de saber aproveitar bem o tempo que é dado a cada dia que se acumula em meses, em anos de existência.
Como achas o equilíbrio entre o trabalho, a espiritualidade, o lazer, a família entre tantos outros ofícios que a própria vida vai impondo de acordo com as funções e responsabilidades que se aceita no percurso da vida?!
Existe sempre uma inquietação para o religioso e isto fica até expresso na vida de alguns santos da Igreja, como relacionar o tempo de oração e o tempo de trabalho?! Como ter a certeza que se está no lugar certo?!
Diz o refrão de uma música vocacional: “Quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar.”
Qual é o lugar dentro to tempo dado naquele dia?
O religioso sempre é pego no ativismo, pela rotina, pelo cansaço diante de tantas tarefas e solicitações feitas durante o dia, a semana, o mês e ano.
Esta inquietação pode ser sadia até certo ponto, se pode afirmar. Isto é, a tensão entre o ponto que se está e onde se é projetado a chegar faz parte. Mas o perigo é se deixar dominar pela preocupação de que tem que responder a tudo e a todos.
Aqui se faz necessário buscar critérios que estejam baseados em valores. No caso do religioso, os valores provem do Evangelho, das orientações da Igreja de Cristo. A partir dali encontrará pontos significativos que o ajudam a trabalhar seu interior no sentido de aproveitar da melhor forma o tempo sem o cair na estafa, sem cair na angústia, sem cair na perda do rumo do viver “por Cristo, em Cristo e com Cristo” (Doxologia Eucarística).
O viver o tempo presente sempre é um dilema, porque como o religioso entre tantas vezes, tem que estar à frente de comunidades, de pessoas, e tem o encargo de planejar com os mesmos o percurso dos projetos a serem desenvolvidos num determinado tempo, pode ter a sensação de que passou muitas horas de nada ter feito e, na realidade já tem feito muito.
A forma de como faz, ou seja, a intensidade de como faz é que vai pesar no avaliar do aproveitar o tempo. Porque não adianta fazer muitas coisas e, no final está mais para um funcionário do divino que um homem de imbuído do divino; de estar mais para um religioso cumpridor de tarefas do que transpirar a intimidade de sua relação com Deus.
Ao se olhar a vida de Madre Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce, de Dom Helder Câmara se percebe uma riqueza de “algo mais” para oferecer. E, se olhar cada um deles se poderia perguntar: - Mas será que a inquietação os deixava desnorteado?
A inquietação deles repousava na presença daquele que é o Senhor da vida e da Morte (cf. Sl 90).
Santo Agostinho diz: "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz. (...) Quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti" (Confissões).


Nenhum comentário:
Postar um comentário