quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O caminhar com o padre

A dificuldade de falar ou de relatar como é o coração de um padre, porque fico a imaginar quem vai ler os escritos, qual a busca que o leitor/a tem; como também, como colocar em palavras ou o que expor que seja de significância, de importante a ser revelado, sem trocar o significante pelo que pode ser relativo. Todavia, também aqui surge outra questão, pois como o ser humano é variado nas suas buscas, a partir de cada pessoa que vem de realidades das mais diversas e com isto tem as mais diferenciadas buscas, poderia afirmar o que para um seria relativo para outros tantos seria importante e vice-versa.

Diante disto me veio o pensamento de que poderia convidar a cada leitor/a, isto é, você que lê estas linhas neste exato momento a começar comigo um caminho.

Há alguns anos atrás li num jornal local a experiência de que crianças da escola pública municipal participavam de um concurso e, algumas delas que ganhassem o referido concurso teriam como prêmio o acompanhar de um dia do Prefeito daquela cidade. Isto é, ficaria com o Prefeito e com o mesmo seguiria toda a agenda de um dia. Experiência interessante para a criança e ao mesmo tempo uma aproximação da autoridade junto àqueles que o elegeram. Também interessante, porque sendo a criança um ser em crescimento, o Prefeito teria ter ciência que estava ali sendo uma referência para aquela criança no sentido de ter caráter, de ter um perfil que instigasse a criança a perceber a dignidade de exercer o encaro de governar um município com transparência, honestidade, retidão, humildade, firmeza e tantas outras características necessárias a um governante. O Prefeito ao se expor para aquela criança exigia de si mesmo um autoconhecimento, uma autocompreensão dos seus atos e do que isto intervém nas vidas das pessoas, de modo bem próximo, como daquela criança “o pequenino cidadão”.

Então, convido você leitor/a caminhar comigo e juntos construirmos o livro “O coração de um padre”. Pois acredito que assim ambos cresceremos e aprenderemos o significado do significante “coração sacerdotal”.

Sei que é desafiador, pois estou propondo-me a partilhar com você as angústias e alegrias, os desafios e as conquistas, os sonhos e esperanças a partir da dinâmica do cotidiano, no encarnar a “teoria” à prática. Coloco “teoria” entre aspas, pois o ministério sacerdotal não é apenas uma “teoria” construída por um filósofo ou teólogo, mas é transmitida do Evangelho aos seus discípulos, é um ministério presente deste os primórdios do Cristianismo e tem uma vasta riqueza através dos séculos de exemplo de Santos Padres junto ao pastoreio do Povo Santo de Deus.

Também quero dizer que dentro deste desafio temos limitações, pois existem certos sentimentos ou comportamentos que nunca conseguirei transcorrer com exatidão, pois desde que passe da “real” realidade para o “simbólico” da escrita, se perde a vitalidade que só se vive enquanto tal. É o “misterium” que ultrapassa a todos os sentidos. E, como também cada leitor/a tem seu “’óculos” de leitura; isto é, cada um traz em si, elementos que estão impregnados em si e que de alguma forma interferem positiva ou negativamente no envolver-se da leitura de quaisquer textos.

Mas mesmo ao saber deste desafio e de outros que se contrapõe, convido a seguir em frente. Jamais desanimar de caminhar com este servo do Senhor, que se propõe a partilhar com singeleza da vida sacerdotal sem o intuito, de se colocar como exemplo e muito mesmo com intuito de ser referencial, apenas o desejo de tentar mostrar aos jovens, de modo especial, aqueles que se sentem chamados à vida consagrada no ministério sacerdotal, que ao mesmo tempo tudo parece ser um mistério divino, mas é possível vivê-lo no cotidiano, na graça de Deus, se dando o direito de errar e acertar, na certeza de seguir os passos do Mestre que se coloca à frente – o Sumo e Eterno Sacerdote.

Caro leitor/a vamos construir um pouco nosso itinerário para não nos perdermos pelo caminho. Até porque conto com sua colaboração e participação. Você poderá também intervir com suas colocações, observações e questionamentos. E, dentro da possibilidade que o Espírito do Senhor me conceder, tentarei apontar a direção para as questões que se apresentarem pelo caminho.

No seminário, enquanto se está no processo de formação/educação daquilo que se faz necessário para o candidato ao sacerdócio, uma das propostas é que o mesmo desenvolva seu projeto pessoal de vida. Talvez esteja aqui o ponto de partida para o itinerário que eu e você vamos caminhar.

Um horário ou cronograma é bom ter, pelo menos um esqueleto geral, para uma direção, senão corresse o risco de passar o dia só “apagando fogo”, ou seja, resolver questões corriqueiras e não progredir. Ah! Isto me fez agora perceber que preciso contextualizar o leitor/a de que encargo este padre exerce além de ser sacerdote da Igreja de Cristo.

Atualmente sou pároco de uma paróquia não muito grande e nem muito pequena, tem dez comunidades pertencentes à referida paróquia e, no futuro deverá ter mais uma em vista diante do crescente de pessoas num determinado bairro do município. Tem o município uma média de doze mil munícipes. E, além da Igreja Católica, sendo ainda a comunidade mais expressiva, a segunda é a Assembléia de Deus e depois outras denominações religiosas de cunho evangélico. A constituição do Povo de Deus provém de etnias italianas, alemãs, luso-portuguesa, pouquíssimos afro-descendentes.

Diria que no nosso cronograma seria interessante se firmar um horário para você interagir com o que deixo escrito aqui.

Para mim, fica melhor partilhar o texto do dia após 22horas, quando geralmente já estou dentro de casa. Então aconselho a você se interar do dia que transcorreu no dia seguinte. Assim, terá uma melhor sistematização e acompanhamento do desenrolar dos escritos.

Proponho colocar sempre este texto no blog particular – marctelltj.blogspot.com com aviso no faceebock. O email particular é marctelltj@hotmail.com onde você poderá escrever suas observações, dúvidas ou colocações sem receio, pois não exporei ninguém e, quando achar pertinente colocarei o assunto em pauta para partilhar com outros leitores/as que talvez tivessem a mesma percepção, mas por algum motivo não se manifestaram e, no entanto, podem se sentir acolhido quando responder a tais e-mails.

Creio que de início esta de bom tamanho as orientações do nosso cronograma geral. E, você já poderá fazer presente sua primeira participação e enviar e-mail e dar seu parecer.

Que Deus nos dê no seu Espírito discernimento e aptidão para que este desejo que a tempo brotou no coração deste padre, seja realmente da vontade divina, pois posso partilhar que há muito tempo esta inquietação me invade o coração e, no verão passado ao caminhar pela praia num fim de tarde, suscitou o nome do livro – “O coração de um padre”. E, de lá para cá cada vez mais esta inquietação me provoca a necessidade de iniciar. E, talvez junto com o desabrochar do Advento do Natal do Senhor neste novo ano litúrgico que se inicia justamente o Ano B que traz a figura do Evangelista Marcos que retrata sobre Jesus no processo do Caminho chegou a hora de começar o desenrolar do caminhar com o “coração de um sacerdote”.

Maria, nossa mãe esteja como nossa advogada e orientadora.

Ainda quero invocar a São João Maria Vianney, São Francisco de Assis e São Bento.

Amém.





































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