“O homem é algo daquilo que sabe de si. Ele não é um ser acabado, mas é um processo; ele não é meramente uma vida subsistente, mas está, dentro dessa vida, dotado de possibilidades, mediante a liberdade que possui de fazer de si o que deseja pelas atividades sobre as quais ele decida.” (Karl Jaspers)
Nos tempos em que o ser humano moderno ou pós-moderno vive tem uma problemática que lateja constantemente em seu pensamento – como viver bem?!
Ao se ler as revista semanais e outros tipos de periódicos observa-se o tanto de matérias como testes para ajudar o leitor ou a leitora a verificar sua forma de vida, se está adequada a uma realidade de bem-estar em todos os sentidos – físico, mental, sentimental, espiritual. Também nas emissoras de TV ou Rádio existem programas que trazem o tema sempre em evidência com auxilio da psicologia, da sociologia, da medicina, da sexologia e de outros campos da ciência que poderia trazer alguma informação importante para responder às questões que surgem no ser humano frente à arte de viver bem.Contudo, não sabe mais o ser humano nestes tempos futuristas, do já e ainda não, das novas descobertas científicas, das contradições de teorias, como por exemplo, de dietas; o que fazer para viver bem, estar bem no tempo presente.
Ao observar o desenvolver do pensamento filosófico da humanidade, se passou do verbo “estou” para o verbo “estará”, do “sou” para o “será”; da dimensão “aqui” para a dimensão “lá”. Isto é, não se pensa mais no curto prazo, os projetos ficam no horizonte interminável – você conquistará!
Mas quando será este futuro que se transformará em presente?!
Será que não se está esquecendo de viver o presente e assim viver-se-ia bem?!
Quando observamos o passado, não existia o “instantâneo” e sim aquilo que era permitido realizar em tempo presente, e satisfazia de alguma forma o viver bem, pois se sabia que nem tudo era possível alcançar, por causa da temporalidade em vista do espaço breve de existência. Agora, se implantou uma busca “do como será” e o viver bem foi projetado para o futuro.
A arte de viver bem ficou ligada à questão de como passar os dias buscando respostas que poderão ser re-elaboradas a qualquer momento, basta surgir uma teoria nova.
Com isto, o ser humano moderno ou pós-moderno caiu numa encruzilhada de trocar às vezes o essencial pelo relativo e, com isto acaba não vivendo bem. Diga-se, por exemplo, ocupa mais o seu tempo em busca de bens materiais do que estar com as pessoas queridas e ainda justifica que é para poder auxiliar melhor a quem está se amando, no caso de uma relação familiar. E, assim por diante, vai trocando seu tempo presente por o amanhã eu farei e, acaba não fazendo, pois vão surgindo novas questões ou respostas evasivas que precisam ser preenchidas com outros argumentos e, assim acaba gastando seu tempo em busca do que nunca acha.
O que fazer então para a vida que é uma arte onde o ser humano é convidado a compor, desenhar ou melodiar bem para se satisfazer e dizer que é feliz e não será feliz?!
Uma dica seria tomar consciência de sua contingência, de que tendo possibilidades para realizar vários projetos ao mesmo tempo, precisa se fixar naquilo que o realiza enquanto pessoa, que o preenche de entusiasmo e alegria na arte de viver bem e não no pensar em que poderá viver bem. Então trocar o verbo do futuro pelo presente.
Começar a ter coragem de verificar depois do dia como está se sentindo, depois de um mês até três meses – para aquele projeto de médio prazo – como está interagindo, se percebe um crescimento em sua pessoa por estar gastando sua existência no desenvolver do mesmo. Enfim, saborear o verbo no presente – “sou”, “estou”, “faço” e “VIVO”.
Acredito no poder da escrita. O pensamento humano só tem valor quando partilhado e transformado pelos semelhantes.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A arte de viver bem...
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