Estamos habituados e muitas vezes educados pelo sistema seja educacional, seja mesmo pelas instituições ligadas à tradição, que a boa pessoa é aquela que vive sem muito questionar, sem muito incomodar de querer saber mais do que lhe é oferecido. No entanto, a verdadeira liberdade acontece quando a pessoa usa da sua curiosidade e do espírito investigativo para desvelar o desconhecido, para sair da escuridão e ver a luz (mito da caverna de Platão).
Rubens Alves escreve num dos seus artigos intitulado “Boca de Forno”, onde explica o surgimento desta brincadeira de criança, que nada mais era para explicar através da linguagem lúdica algo que se fosse explicado pela linguagem clara e objetiva seria o observador odiado e provocaria ira das autoridades e poderia até perder o emprego.
Se invocarmos os conhecimentos do teólogo José Comblin (in memória), a partir dos seus escritos no livro Vocação para a Liberdade expressa que “a busca da liberdade exige motivação forte. As necessidades imediatas não são motivação forte.”
Por isto, os grandes místicos e santos do cristianismo ou mesmo aqueles como Gandhi, de outras respeitadas religiões, sabiam que só a partir de um encontro profundo consigo mesmo e ao mesmo tempo com o Divino é que pode surgir uma aliança profunda e cheia de motivação para a realização da liberdade. E esta busca da liberdade pode ser expressa por várias formas e realidades presentes na vida da sociedade.
Nos últimos tempos assistimos diariamente conflitos sociais e, muitos deles impensáveis a anos atrás, como por exemplo, dentro de estabelecimentos educacionais os adolescentes, crianças e jovens se agredirem fisicamente ao ponto de tirarem a vida uns dos outros como se fosse um jogo virtual, como se tivesse uma segunda vida, uma segunda chance ou até mais força, se tornando um “super-homem”.
E, diante disto, começa as queixas e a busca de culpados.
O exercício da liberdade está no todo. Pois o ser humano é um todo e não um mecanismo de peças ou uma estrutura com diversos compartimentos.
A compreensão da totalidade de si mesmo, não tem como fugir do meio que interage de diversas formas e meios.
A ebulição esta cada vez mais forte de uma sociedade que evita enfrentar de frente os conflitos. Basta, olha o quanto se gasta do dinheiro público ou de outras facções para tentar esconder a corrupção e contratos unilaterais.
A pergunta: até a sociedade suportará? Até que grau esta água poderá ficar fervendo sem o perigo de explodir o recipiente em que está colocada?
Algumas válvulas já começam a dar sinais de deficiência.
Será que basta apenas concentrar forças separadamente, achando que determinadas ações são isoladas?
A inocência está cada vez mais escassa.
A ignorância está cada vez mais em jogo.
A liberdade está sempre em risco de ser atrocidade.
A vida humana está a preço barato.
Referência Bibliográfica:
COMBLIN, José. Vocação para a Libedade. São Paulo: Paulus, 1988.
ALVES, Rubens. In: Paixão de Aprender. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.
GROH, Pe. Vilson. Diário Catarinense, 28/06/2012, Ano 27 - 9.566

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